Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Partidos da direita política têm a menor proporção de jovens filiados

Por Liana Carvalho

29 de julho de 2015 : 09h46

Por Theófilo Rodrigues
Algumas semanas atrás uma interessante matéria do jornal O Globo trouxe dados sobre a recente queda nas filiações de jovens entre 16 e 24 anos nos partidos políticos brasileiros.

A partir de uma comparação entre os números de filiação dos eleitores entre 2009 e 2015 das cinco maiores legendas – PMDB, PT, PP, PSDB e PDT – o jornal concluiu que os jovens reduziram seu interesse pelos partidos.

Não sei se por hobby, por ofício ou apenas vício fui em busca de mais informações sobre o assunto diretamente na fonte: o TSE.

E qual foi minha surpresa? Quando reunidos, sistematizados e observados percebemos que aqueles montantes de números revelam muito mais do que trouxe a matéria.

Podemos dizer, por exemplo, que dos 17 partidos que foram listados, os que em 2014 possuíam a menor proporção de filiados jovens em suas fileiras eram aqueles que se encontravam à direita do espectro político: PTB (1,6%), PMDB (1,6%), PP (1,6%) e DEM (1,4%). Por outro lado, o partido que possuía a maior proporção de jovens de 16 a 24 anos filiados era o PSOL – esquerda do espectro político – com 11,5%.

No que diz respeito à redução do número de jovens filiados nos partidos políticos de 2009 para 2015 a matéria poderia ter mencionado um fato interessante: o PSOL foi o único que ampliou efetivamente o número de eleitores entre 16 e 24 anos em suas fileiras durante o período.

Mesmo sob a forte influência da criminalização da política praticada por alguns setores do jornalismo brasileiro e do mau exemplo oferecido por certos políticos patrimonialistas que confundem o público com o privado, os jovens continuam buscando partidos políticos para se filiarem.

O que os dados parecem indicar é que talvez esses jovens estejam preferindo outros partidos em vez dos tradicionais que ocupam o poder. O Podemos na Espanha, o Syriza na Grécia ou os comunistas no Japão parecem evidenciar isso.

Até onde a vista alcança não haverá democracia sem partidos. A tarefa cidadã do momento consiste, portanto, em construí-los de forma significativa entre o sonho e a responsabilidade. Ou, como diria Gramsci, na linha tênue entre “o pessimismo da razão e o otimismo da vontade”.

Theófilo Rodrigues é cientista político.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Cristiano

29 de julho de 2015 às 11h29

Poderia ter citado a proporção de jovem em todos os partidos. Simplesmente deixou de citar os dados dos dois principais partidos da política brasileira dos últimos 20 anos: PT e PSDB…

Responder

Vitor

29 de julho de 2015 às 10h05

Acho natural que a ‘pureza’ do PSOL atraia os mais jovens. Para eles, o PT já estava no poder quando começaram a entender algo de política, o que vai de encontro com a natureza mais rebelde da idade… E poucos são conservadores nessa idade.

Responder

    Anônimo

    29 de julho de 2015 às 11h40

    Ah não, pelo contrário, os jovens de hoje são inconscientemente conservadores. Digo inconsciente porque perderam ou nunca adquiriram a capacidade de raciocinar sobre o todo. A pequena fatia dos jovens que ainda fazem uso dos seus neurônios estão a esquerda da manada.

    Responder

      desconhecido

      29 de julho de 2015 às 13h38

      cadê os jovens da cor negra da foto da reportagem! Quem achar ganha…

      Responder

Deixe um comentário para Vitor

Parlamentarismo x Semipresidencialismo: Qual a Diferença? Fernanda Montenegro e Gilberto Gil são Imortais na ABL: Diversidade Auxilio Brasil x Bolsa Família: O que mudou? As Refinarias da Petrobras À Venda pelo Governo Bolsonaro O Brasileiro se acha Rico ou Pobre?