Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

New York Times denuncia TV Globo

Por Miguel do Rosário

14 de novembro de 2015 : 04h43

Que raro!

Uma resenha crítica à Globo na grande mídia! Observe o sucesso que faz. Quase mil comentários no site da UOL.

Nos Estados Unidos, isso é a coisa mais comum do mundo. Há programas de grande popularidade, que fazem críticas a programas pertencentes à mesma empresa.

Aqui, não.

Aqui temos um cartel, que segue métodos mafiosos.

Quando o Cafezinho deu o furo sobre a sonegação da Globo, todos os órgãos de mídia se calaram sinistramente, medrosamente, num pacto de bandidos.

Diás atrás, o Cafezinho deu outro furo: divulgou quase 500 páginas até então sigilosas do processo da Zelotes.

Outra vez ninguém deu, como se o mesmo cartel de bandidos agisse de maneira organizada.

***

No The International New York Times/ UOL Notícias

Opinião: Rede Globo, a “TV irrealidade” que ilude o Brasil

Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.

Por Vanessa Barbara*
Em São Paulo 11/11/201506h00

No ano passado, a revista “The Economist” publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que “91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol americano”.

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. “À luz da História, contudo”, o grupo disse, “não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original”.

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e “do bem”. Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi pular os programas da tarde –a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood– e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário “Jornal Nacional” a Homer Simpson –incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente “É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água”.

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. “Dunga disse que gosta de sorrir”, disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como “o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade”.

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. “A Regra do Jogo”, por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar –assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

*(Vanessa Barbara é uma colunista do jornal “O Estado de São Paulo” e editora do site literário “A Hortaliça”.)

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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52 comentários

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Conceicao Pereira da Trindade

17 de novembro de 2015 às 03h33

Achei alguém que pensa exatamente como eu! Aleluia! Estava achando que era uma anêmona.

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Diego

16 de novembro de 2015 às 10h01

Desligue, vá pra Web e seja feliz.

https://www.youtube.com/watch?v=vAwniVXT35A

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Fabio Dantas

15 de novembro de 2015 às 23h07

Rede pobre de televisão

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Fabio Dantas

15 de novembro de 2015 às 23h07

Rede pobre de televisão

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Marcos Oliveira

15 de novembro de 2015 às 18h52

Boa matéria analítica do New York Times.

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Carlos Odilon Ramos

15 de novembro de 2015 às 10h56

Seja feliz , não assista televisão.

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Stella Brunelli

15 de novembro de 2015 às 08h24

Nivio Domingues Fiorella Brunelli só eu q aplaudi e amei?

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Ricardo Junior

15 de novembro de 2015 às 04h43

ALLAN VAI A MERDA VC E SEUS AMIGOS PETRALHAS
E LEVE A REDE GLOBO JUNTO!

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Markelly Manuela Carvalho

15 de novembro de 2015 às 02h27

Que raro mesmo….

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Antonio Pereira Lopes Leal

15 de novembro de 2015 às 02h25

Ainda vivemos debaixo da ditadura da midia corporativa, conservadora e hipócritica ,por isso ficamos contentes quando se constata que esse império está ruindo, para o bem do povo brasileiro.

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Anderson Martins

15 de novembro de 2015 às 01h58

Demorô…

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Davineide Noronha

15 de novembro de 2015 às 01h50

Glauria Dantas Ana Emília Noronha Antonia Franklim Dantas

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Davineide Noronha

15 de novembro de 2015 às 01h50

Glauria Dantas Ana Emília Noronha Antonia Franklim Dantas

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Murillo Paiva

15 de novembro de 2015 às 01h38

Artigo que merece ser lido na íntegra, embora eu até faça coro com o Bonner, quando diz que a maioria dos telespectadores são como “Homer Simpson –incapazes de entender notícias complexas”.

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Murillo Paiva

15 de novembro de 2015 às 01h38

Artigo que merece ser lido na íntegra, embora eu até faça coro com o Bonner, quando diz que a maioria dos telespectadores são como “Homer Simpson –incapazes de entender notícias complexas”.

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Arlete Duarte

14 de novembro de 2015 às 22h52

Sobre a Samarco(Vale) repórter ri com desdém de população de Mariana!

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Angelo Filomena

14 de novembro de 2015 às 22h24

O castelo esta em ruinas

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Selma Paschoal

14 de novembro de 2015 às 22h20

Nem acredito!!!

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Protásio Vargas

14 de novembro de 2015 às 22h07

Por que o compartilhamento desta matéria não permite comentários? Foi o Google ou o Cafezinho que fez o impedimento? O dono do site pode informar sobre isso?

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Ricardo Angolano

14 de novembro de 2015 às 21h06

Mas não é só não assistir?

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Jane Nunes

14 de novembro de 2015 às 20h57

Chega de comandar o Brasil com corrupção, sujeiras e monopolizar a mente das pessoas. Somos um país livre ! Corromper lares com tanta sujeira !

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Alberto Cerqueira

14 de novembro de 2015 às 18h22

A Globo para obtuso coxinha ver e vibrar!

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Reginaldo Teixeira de Brito

14 de novembro de 2015 às 17h31

É bobo sim a é

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Jorge Menezes

14 de novembro de 2015 às 17h08

Fora honrosas exceções o jornalismo brasileiro é exercido por moleques que não viveram durante a ditadura,que se acham liberais mas esposam ideias conservadoras,quando não reacionárias,que desconhecem história e que acham mais importante ter um emprego que lhes pague o suficiente para comprar um Iphone do que um em que discutam a opinião de seus chefes.Há também os ex-esquerdistas que estão ficando velhos e acham mais importante usar um Armani para impressionar as estagiárias do que ter uma opinião independente e que classificam todos os oponentes de Stalinistas.

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Elder Ferreira

14 de novembro de 2015 às 16h53

Vanessa

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Pietro Azzulk

14 de novembro de 2015 às 16h05

Globo fascista nunca

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Marize Arts

14 de novembro de 2015 às 15h23

As TV de bares, restaurantes, hospitais, etc podem estar ligadas, mas observo cada vez mais que muitos nem vêem (não estão nem aí) e ficam mesmo de olho no celular e teclando o tempo todo. Muitos até esquecem que estão em grupo (rsrsrs).

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José Leal

14 de novembro de 2015 às 15h12

Parafraseando o programa de Lelo Leal na TV Brasil. VERTV. não é para inocentes. Use o controle remoto,

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Sandra Goes

14 de novembro de 2015 às 14h16

O MUNDO VAI RASGAR DE TODOS OS CANTOS A ONU DE REPORTAGENS, AS MANIFESTAÇÕES DE AMANHÃ… O Brasil todo NAS manifestações

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Sarah Leibovitz

14 de novembro de 2015 às 14h07

Estou tentando abrir esse link e não tá abrindo!!

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Marcos Lopes

14 de novembro de 2015 às 13h55

Globo = Matrix

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Marijo Bueno

14 de novembro de 2015 às 13h43

Para de mentir Globolixo, o esta tomando antipatia

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Mariana Allende

14 de novembro de 2015 às 13h21

Francisco Aiolfi

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Angel Victoria

14 de novembro de 2015 às 13h18

Nos Estados Unidos existe liberdade de imprensa, no Brasil nao, nos Estados Unidos existe liberdade individual no Brasil nao, no Brasil sò tem uma coisa que nao tem nos Estados Unidos que è FASCISTAS, isso de facto nos Estados Unidos nao tem, ao contràrio do Brasil, cada vez tem mais Fascismo e Fascistas, e pior do que isso è o Poder que cada vez mais eles tem em maos, e para mim amante da LIBERDADE e da DEMOCRACIA, è com tristeza que assisto a ver o Povo aceitar e por vezes aplaudir este tipo de pessoas, assim começou o nazismo que por sua vez levou à guerra e ao holocausto.
Custa me dizer, mas pobre Brasil que aceita estes fascistas, quando o mundo ocidental os varreu do mapa à mais de 70 anos.

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Zeca Pataca Jr.

14 de novembro de 2015 às 13h17

Vejam Jucelene Rocha Pedro Geraldo Carvalho Silva Odair Ferreira Tânia Maria Amaral Alcina Maria Batista Campos

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Romilson Alves Moreno

14 de novembro de 2015 às 13h03

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Rejane Carvalho

14 de novembro de 2015 às 12h52

Mas o pessoal não troca de canal

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Lourdes Morais

14 de novembro de 2015 às 12h29

Rogerio Ferreira Santos

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Julio Bentivoglio

14 de novembro de 2015 às 12h09

O roto criticando o mal-lavado

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Léo Gonçalves

14 de novembro de 2015 às 11h49

A rainha da mídia é uma m…

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Pedro Gilberto Nichele

14 de novembro de 2015 às 11h37

O povo é bobo. Gosta de pão e circo.

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Romualdo Neves

14 de novembro de 2015 às 11h14

Ansioso pela cartela no ar, informando que a Grôb fechou sem data pra abrir novamente. Ou melhor, que não abrirá novamente :)

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Alvaro Freitas

14 de novembro de 2015 às 10h16

A alienaçao da globo que deixa o povo fiel a sua programaçao cada vez mais alienado e fora da realidade. Pense nisso e ajude as pessoas a sairem desse mundo letárgico.. faça sua parte antes de reclamar do Brasil!!!

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Maria Lucia Barbao

14 de novembro de 2015 às 09h12

Que pena que a repórter pulou os programas da tarde…..se os assistisse chegaria à mesma conclusão, sem ter que assistir nem aos jornais e novelas da noite….

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Meio Ambiente

14 de novembro de 2015 às 09h02

Compartilhando: .Queridos amigos, péssima notícia. A terceira barragem de Mariana teve barreira de sustentação trincada. O volume de lama lá é infinitamente maior do que o que desceu até agora. se romper, Minas Gerais está ferrada. Rezemos muito! Buscas foram suspensas agora em Mariana, pessoal sendo retirado de lá sob risco de novo acidente. São 3 barragens em uma! São Germano é a maior e está trincando tb! Não estão divulgando adequadamente por motivos diversos! Mas a dimensão desse acidente é pior q o tsunami do Japão. Eh uma massa de terra poluída com minério q está viajando a 60km h destruindo tudo pela frente. E já viajou neste momento 500km. Já matou três rios inclusive o Rio Doce! Vai acabar com, em torno, de 3000km do litoral do Espírito Santo! Imagina um carro andando a 60km/h, agora imagina que ele é uma montanha de lama de um tamanho descomunal que já viajou 500km em uma semana! Agora imagina uma coisa 5x maior! É a barreira de São Germano! Se estivesse virada pro outro lado, Ouro preto já tinha sumido do mapa e metade de BH também! No caminho dela estão vários distritos, lugarejos que vai ser riscados do mapa! Os jornais não estão falando nada! Estão dando a impressão de que foi um acidentinho qualquer! Se fosse em outro país a cobertura seria massiva, mas é em Minas né, e no Espírito Santo… Estados que parecem ser de segunda categoria! Valadares está sem água, os peixes já morreram, e agora serão as pessoas?? Já que somos invisíveis para os telejornais nacionais, utilizemos as redes sociais para que todos saibam que Minas pede socorro!

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Walter Costa Lins

14 de novembro de 2015 às 08h45

A globo e o principal entrave Para o desenvolvimento do pais.

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Silvia Bellato

14 de novembro de 2015 às 08h34

Nossa! Kkkkkk

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Luís Gomes

14 de novembro de 2015 às 07h52

Bobo é ovo que não para em pé.

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Renata Martins

14 de novembro de 2015 às 07h40

E tem gente que acredita na Globo. Aff…

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