Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

A denúncia de Requião e a confusão sobre o golpismo do PMDB

Por Miguel do Rosário

17 de novembro de 2015 : 17h45

O discurso de Roberto Requião durante o congresso nacional do PMDB, veiculado nas redes sociais, produziu um alarmismo negativo que, acho eu, é preciso neutralizar.

Em primeiro lugar, Requião tem razão e estou do lado dele em quase tudo.

Mas acho que houve um pouco de exagero por parte dele quando fala que o PMDB aderiu ao golpismo. Este exagero, somado a uma interpretação nervosa das redes sociais, acaba gerando desinformação.

A tese de que parte do PMDB “quer cassar” Dilma é correta: eles queriam Temer presidente. Só que Temer não foi eleito e sabe que não conseguiria governar o país em caso de “cassação” de Dilma.

Ou seja, o PMDB quer “cassar” Dilma, mas é só uma vontade, que não vai passar para o plano de ação, até porque o PMDB é um partido passivo e desorganizado, e um plano de cassar Dilma seria tão arriscado e complexo, que seus caciques jamais conseguiriam pô-lo em prática.

A cúpula do PMDB está tentando dar um golpe sim, mas não no governo Dilma. O golpe é nos diretórios municipais e estaduais, que perderão poder.

A cúpula do PMDB se tornará, se aprovar a reforma partidária proposta por sua cúpula, um principado, uma Nomenklatura de direita.

Quem perderá será o próprio PMDB. A única força que resta ao PMDB é seu aspecto democrático, ou seja, o ambiente onde o político pode defender ideias de esquerda ou direita, ser governista ou oposição, livremente. Se o PMDB matar a sua única qualidade, que é o que estão tentando fazer, ele vai cometer um glorioso suicídio político.

Ainda é cedo para falar qualquer coisa, mas a fala de Michel Temer, presidente nacional do PMDB, deixou claro que o partido continua no governo até 2018. Ou seja, o partido se afastou do impeachment, porque o impeachment só ocorreria se o PMDB rompesse com o governo.

A pressão midiática sobre o PMDB, para que ele se afaste do governo, tem sido brutal, e o PMDB é um partido líquido, que não toma posições duras sobre nada, e, neste sentido, joga com a mídia.

Hoje mesmo, a Veja, cujo jornalismo segue exclusivamente a lógica do golpismo, publica que Michel Temer e Dilma estão mais distantes do que nunca.

Como se eles tivessem sido próximos algum dia!

Temos de tomar cuidado. O centro do golpismo é a mídia. É daí, portanto, que virão as mentiras e as pressões para jogar o PMDB contra Dilma.

Eduardo Cunha, ao discursar no congresso do PMDB, foi vaiado. Entendam bem: Cunha foi vaiado, e não Requião.

O golpismo no PMDB, em verdade, refluiu, na onda da derrocada moral de Cunha.

A crítica mais feroz de Requião é ao tal programa de propostas econômicas do PMDB. Esta é a tese “golpista” a qual o PMDB se agarrou. É golpista porque são propostas lançadas para agradar à Globo, e a Globo é o centro do golpe.

Só que eu tenho a impressão que nem o PMDB leva totalmente à sério estas propostas, por saber que elas, ao serem confrontadas pelo debate, perderão toda a sua força.

São propostas, repito, de um partido assustado – embora tente disfarçar – com o fascismo penal, que ameaça engolfá-lo por causa de sua aliança com o PT.

Os procuradores da Lava-Jato, em sua fúria antipetista, defendem que os partidos envolvidos na corrupção da Petrobrás paguem “bilhões” de multa e tenham seu registro cassado. Ou seja, depois do prejuízo incalculável causado ao setor de engenharia, construção civil, os procuradores querem destruir os partidos.

É claro que o PMDB está apavorado – e com razão.

Por isso o PMDB joga dessa maneira. Ele tem de mostrar “independência” do PT, e lançar propostas ultraconservadoras para ganhar um mínimo de blindagem midiática.

É um quadro complexo, mas o PMDB sabe jogar. Assim que arrefecer o clima de fascismo que a mídia insuflou no país, as propostas do PMDB serão arquivadas.

Eu acho que é por aí.

De qualquer forma, a posição do PMDB deve ser observada na prática, durante as votações do orçamento de 2016 e outros projetos importantes para a economia. Além, é claro, da posição de seus deputados e senadores sobre o impeachment.

O PMDB pode falar uma coisa e fazer outra, mas o importante é o que ele vai fazer e não o que ele está falando agora.

***

No blog do Esmael.

“A proposta da FUG é adesão ao golpismo”, denuncia Requião

17 NOV 2015 – 11:29

Senador Roberto Requião (PMDB-PR), nesta terça-feira (17), discursou no congresso da Fundação Ulysses Guimarães (FUG); ao Blog do Esmael, parlamentar disse que embora defenda a legalidade, a presidente precisa mudar a política econômica e remover o ministro Joaquim Levy “antes que seja tarde demais”; abaixo, assista ao vídeo.
O senador Roberto Requião (PR) discursou na manhã desta terça-feira (17), em Brasília, no congresso da Fundação Ulysses Guimarães (FUG), braço político do PMDB nacional.

Ao Blog do Esmael, o parlamentar disse que o evento de hoje é uma clara tentativa de adesão à tese do golpismo e do neoliberalismo econômico.

“Estão esperando que a presidente Dilma Rousseff seja cassada e o vice Michel Temer assuma o governo com uma pauta muito pior que atual”, afirmou Requião.

De acordo com o senador do Paraná, que oficialmente abriu dissidência no congresso da FUG, as propostas são “apócrifas”, porque ninguém assina, e, “nem o PSDB nem a antiga Arena tiveram coragem de defender”.

Assista ao vídeo:

“A discussão que vale é a de março, na convenção nacional do PMDB, e a tradição democrática do nosso partido é contra golpismo e o fim do estado social, consolidado na Constituição Cidadã de 1988, promulgada pelo saudoso Ulysses Guimarães”, destacou Requião.

Embora defenda a legalidade democrática, o senador Requião alertou para a necessidade de a presidente Dilma mudar a política econômica e remover o ministro Joaquim Levy do Ministério da Fazenda “antes que seja tarde demais”.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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16 comentários

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Maria Regina Novaes

18 de novembro de 2015 às 23h21

Temer não é louco…raposa velha…conhece o psdb!

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João Evangelista Santos

18 de novembro de 2015 às 12h14

É uma análise (a do Miguel) válida e plausível, porém, outras análises são também possíveis, inclusive a do Senador Requião, de que o PMDB (por medo, por susto, covardia ou seja lá o que for) tenha aderido ao golpismo oportunista que a mídia prega!!

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Gustavo Lima

18 de novembro de 2015 às 03h21

CORREIOS ACABA DE DECLARAR PELA 1a VEZ NA.SUA HISTORIA ROMBO DE 1 bilhao ! E quem sera q vai pagar mais essa conta ?

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Alberto Cerqueira

17 de novembro de 2015 às 23h52

Senador Reguião é o único do PMDB que voto para presidente. Homem leal e sério!

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Wilde Gomes

17 de novembro de 2015 às 23h14

Requião respeita o sistema democrático.

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Gustavo Lima

17 de novembro de 2015 às 20h24

aATENÇAO! HOJE DEU NOS JORNAIS Q O GOVERNO ESTA DEVENDO AS EDITORAS Q FIZERAM OS LIVROS DITATICOS P 2016 E PODE ACONTECER DE OS ALUNOS NAO TEREM LIVROS P 2016!

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Fernando Loureiro

17 de novembro de 2015 às 20h12

Parafraseando Martin Luther King: um dia o povo brasileiro deixará de votar no PMDB!!!!!!!!!!

Responder

Fernando Loureiro

17 de novembro de 2015 às 20h12

Parafraseando Martin Luther King: um dia o povo brasileiro deixará de votar no PMDB!!!!!!!!!!

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    Eduardo Santtos

    17 de novembro de 2015 às 20h13

    Quando vão parar de votar no PT?

    Responder

      L@!r M@r+35

      17 de novembro de 2015 às 18h42

      Quem sabe quando pararem com discurso pra fazer Coxista (misóginos que não se conformar que uma mulher chegou ao poder dando condições aos pobres de frequentarem aeroportos) e começarem a fazer propostas.
      Garanto que ganhariam muitos votos se viessem com uma proposta pra reduzir o custo do Congresso Nacional, por exemplo.
      Mas é mais fácil se aliar a Globo e dar um golpe midiático, né?
      Limpeza com Aécio e Cunha é limpar o chão com bosta, como diz o Dudivier.
      Se for entre esse PSDB lixo e o PT… 1000x o PT!

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    Edson Luiz Raminelli

    17 de novembro de 2015 às 20h32

    Diante das alternativas que temos nos outros partidos, Eduardo Santtos, não há como parar. As alternativas são todas muito piores.

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    Manoel Gatto da Silva

    17 de novembro de 2015 às 21h10

    Isso Edson Luiz Raminelli não existe outra opção.

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    Alberto Cerqueira

    18 de novembro de 2015 às 02h54

    Sempre votarão no PT aqueles que acreditam que o povo deve ser cuidado e não explorado!
    Quem está preocupado continuará a ser iludido e votando no PMDB E PSDB…esses pessoas se incomodam com povo!

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