Ato em defesa da imprensa

Globo não vai fazer editorial contra golpe militar?

Por Miguel do Rosário

17 de novembro de 2015 : 14h39

O Globo acaba de publicar matéria sobre boneco inflável em homenagem a militar golpista demitido pelo governo federal.

Segundo a reportagem, os grupos que pedem intervenção militar querem derrubar os três poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo.

Ou seja, os caras não estão de brincadeira.

É doido triplo X.

Eu me pergunto, porém, se um absurdo deste tipo não merece duros editoriais na imprensa brasileira?

Globo, Folha e Estadão já fizeram milhares de editoriais sobre o “bolivarianismo”.

É do direito deles.

Considerando que o Globo deu matéria sobre os golpistas com destaque, não seria uma obrigação do moral do jornal, se quiser ao menos fingir um pouco de repeito pela democracia, fazer um editorial duro contra os objetivos dessa manifestação?

***

No Globo.

Manifestantes exibem na Esplanada boneco inflável de general da ditadura

No gramado frente ao Congresso, outro grupo simula velório de Lula e Dilma

POR EVANDRO ÉBOLI 17/11/2015 13:02 / atualizado 17/11/2015 14:18

BRASÍLIA – Afastado do Comando Militar do Sul por críticas ao governo, o general Antônio Hamilton Martins Mourão ganhou uma homenagem grandiosa de grupos defensores do golpe militar, mas que chamam de intervenção constitucional militar. Um boneco inflável de doze metros, tipo pixuleco do Lula, mostra um militar fardado, batendo continência e com a faixa presidencial. Tem o rosto do general Mourão. No bolso, está inscrito o nome Mourão. Na faixa, a inscrição “Brasil acima de tudo”. O boneco de Mourão está localizado no gramado, em frente ao Congresso Nacional.

Um dos coordenadores do grupo, o montador de móveis Régis Callegari afirmou que a homenagem é uma espécia de desagravo ao general Mourão, que foi exonerado da função pelo ministro da Defesa, Aldo Rebelo, e transferido para uma unidade em Brasília. O oficial disse o Brasil precisa despertar para a luta patriótica e criticou os políticos.

— A intervenção militar é a única saída. Não é golpe. As Forças Armadas precisam fazer uma limpa nos três poderes. Impeachment da Dilma não resolve. Os mesmos políticos continuarão no poder. É só uma dança de cadeiras — disse Régis, que defendeu o militar.

— O general Mourão não disse nada demais. Só falou que é preciso acordar para a luta. Quem discorda? Ele é o símbolo patriótico dessa luta. Por isso o boneco — disse.

O boneco de Mourão custou entre R$ 8 mil a R$ 10 mil e foi confeccionado no Rio. Não foi feito pelo mesmo criador do pixuleco de Lula. Ele é inflável e mantido em pé por um gerador. A duração máxima do gerador é de sustentar o boneco por quatro horas seguida. Ele foi montado pela primeira vez no último domingo, na manifestação favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

— Escolhemos momentos adequados para inflá-lo — explicou Régis.

Os manifestantes que querem a intervenção militar simularam o velório de Lula e Dilma. Eles colocaram dois caixões com os rostos dos dois e uma placa ao lado: “Aqui jaz uma ex-presidente e seu vice. Assinado: povo brasileiro”.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Luiz Faria

17 de novembro de 2015 às 22h56

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Angelo Filomena

17 de novembro de 2015 às 21h48

Essa é para ficar louco

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Jose Carlos Simoes

17 de novembro de 2015 às 18h31

Só faltam os bonecos de Olinda para a direita estar completa.

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Brasil sem hipocrisia

17 de novembro de 2015 às 18h17

Claro que não, Roberto marinho participou ativamente da comunicação no qual se passava a presidência de um militar para outro. Além do que, as terras que sedia a emissora, era do governo e tem falcatrua dos militares para entregar aos Marinhos. Fora outras politicagens que completa a podridão da história dessa emissora.

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