Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Para a esquerda, com carinho: ainda há muita luta.

Por Redação

18 de dezembro de 2015 : 18h54

por Tadeu Porto, colunista do Cafezinho

2016 vai ser um ano quente, “pelando” como a gente costuma dizer aqui na minha querida Minas Gerais. E, aproveitando o mineirês, posso dizer que não há maneira melhor de enfrentar um ano dessa temperatura, com a sensação térmica do Vale do Jequitinhonha, do que comendo pelas beiradas. Aos poucos, com cautela, mas sem perder o foco de chegar ao centro, no momento oportuno quando a quantidade de calor já não machuca.

Até mesmo porque, convenhamos, começar o dia com a língua queimada é péssimo (a probabilidade de arrumar treta aumenta uns 30%, mesmo sendo bem deboas). Se é necessário estratégia para encarar um caldo, ou um café, imagina para enfrentar uma série de ataques que convergem para um golpe institucional [E o Cafezinho dá energia suficiente para enfrentar esses ataques, acreditem :D ].

Essas semanas terminaram de forma vitoriosa para a esquerda, não há como negar. Digo mais, pareceu um jogo do Galo de tanta emoção que teve. Primeiro vem Cunha e manobra, consegue impor uma derrota para o governo. Mídia e oposição comemoram como uma vitória dentro de casa — 2×0 o placar. Depois, o PSDB deixa cair a máscara “social-democrata” mostrando o rosto “fasci-golpista” e ganhando como aliado o vice-presidente que tem, inclusive, um plano definido (bem conservador) e quer unificar o país. Tava ali, bem costurada, uma frente golpista consistente que preocuparia qualquer pessoa que zela pela nossa democracia.

Aí vem domingo, o dia do futebol que sempre reserva grandes emoções. E como o brasileirão já tinha acabado, as surpresas do granado foram achar outro campo para se manifestar: desde o fiasco das passeatas golpistas (chamadas de “esquenta”, programa da globo) até o massacre que o Faustão levou ao vivo por tentar emplacar um discurso superficial e barato. Aliás, um detalhe importante: não se pode esperar muito sucesso de alguma mobilização que tenha como uma das lideranças Alexandre Frota. No meio da fase mais feminista que esse país vive ele confessou um estupro ao vivo com Danilo Gentili e Roger do Ultraje “rachando” de rir. Um grupo desses não tem como ser levado a sério.

Mas enfim, depois do domingão da monta russa, a ladeira apareceu para os golpistas como uma queda livre do Rio Water Planet. Começou com a devassa total para cima do núcleo do golpe, Eduardo Cunha, e terminou com o STF colocando ordem na casa sobre o rito do impeachment (e claro que Fachin colocou uma pitada de emoção, decepcionante para nós que o apoiamos, declarando um voto que corroborava com a prática suja do presidente da câmara). Ademais, Dilma começou a sinalizar a esquerda recebendo movimentos sociais e sindicatos com ideias e propostas para o Brasil mais progressistas.

E assim terminou essas últimas semanas emocionantes, com a sensação de que navegaremos por águas mais calmas daqui em diante.

E é aí mora o perigo, pois certamente os ataques conservadores não pararão por aqui. Não só porque Toffoli e Gilmar estão no TSE com um golpe paralelo, ou mesmo porque Cunha não vai cair tão fácil sem tentar arrastar o país inteiro com ele.

Há de se considerar, também, que estamos a ponto de uma ruptura do sistema republicano que utilizamos há duas décadas e se esgotou como uma garrafa de cachaça no inverno mineiro.

A má notícia é que dentro desse rompimento a esquerda está jogando muito na defensiva, pelo fato de ser atacada o tempo inteiro. E isso gera poucos espaços para agendas propositivas.

Por exemplo: qual a proposta que temos agora para substituir um modelo de coalização que está sabidamente falido? Se o sistema atual cair (imaginem o Cunha caindo e arrastando uns 200 deputados com ele), quem vai assumir as rédeas? Picciani? Renan? Ciro? Marina? Katiguiri?

Temos que pensar um 2016, no mínimo, como um embrião revolucionário, não há outra saída. E isso passa, principalmente, pela reconstrução dos nossos poderes e suas interações “harmônicas”. Ou seja, não podemos estender as velas para esses ventos da mudança sem um norte seguro sobre o que podemos chamar de “nova república”.

Serra, um oportunista completo, já está fazendo lobby — aprendeu com a Chevron — para o parlamentarismo. Temer, semi oportunista, está levando para seus chefes, como um mordomo, a tese de um semiparlamentarismo. Ou seja, a direita golpista já acordou para a mudança de rumos e tem se preparado pra tal (um golpe efetivo tem várias facetas).

A esquerda brasileira também não é nem um pouco amadora — pelo contrário, resistir a essas forças golpistas não é fácil — e vem construindo certa alternativa que tem tudo para ser boa e ser abraçada ano que vem, como, por exemplo, o caso do plebiscito constituinte que teve mais de 7 milhões de assinatura ano passado e é um ótimo pontapé inicial para uma guinada progressista.

O que dificulta é manter o foco, afinal, com tantos ataques — só esse ano teve terceirização, maioridade penal, estatutos da família e do desarmamento, financiamento empresarial, aborto e abertura do pré-sal — é complicado ter tempo para propor uma estrutura que leve ao Brasil que queremos: com liberdade social e a queda efetiva da desigualdade.

E dentro dessa conjuntura que não nos permite erros grotescos só mesmo a luta qualificada e inteligente, nas ruas e movimentos sociais em geral, nos trará a prerrogativa de construir um país cujo social esteja na frente de qualquer interesse.

Por isso, companheiros e companheiras, esperem qualquer coisa desse 2016 maluco que está por vir. Mas saibam que qualquer cenário apontado, vai requerer de nós uma árdua disputa. E assim temos que estar aí, prontos para enfrentar esse trem!

Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

39 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Alzira Potiguar

22 de dezembro de 2015 às 23h17

O nosso Brasil, é verde,amarelo, azul e branco. O que é isso ? São comunistas ?????

Responder

Isaac Bell

20 de dezembro de 2015 às 03h48

O Vermelho é a Cor Mais Quente.

Responder

Aparecida Jesus Oliveira

19 de dezembro de 2015 às 21h10

Não vai ter golpe DILMA fica

Responder

Eduardo Benzatti

19 de dezembro de 2015 às 17h13

Estamos pronto para as próximas!

Responder

Eva R Maciel

19 de dezembro de 2015 às 12h49

Que venha 2016, a Luta continua e coragem não nos falta!!

Responder

Bacellar

19 de dezembro de 2015 às 12h32

Quem procura acompanhar um pouco mais de perto com um pouquinho mais de atenção a conjuntura não se espanta muito com determinadas coisas.
No início de 14 já era claro que se o PT ganhasse a eleição o ano de 15 seria de ajustes tarifários e cortes independentemente de retórica eleitoral.
Pós eleição já era claro que o congresso teria uma composição dura para o campo progressista.
Depois da queda do avião de E.Campos era claro também que a votação do executivo seria apertada e o lastro político recém recuperado do caos de Julho de 13 estava perdido.
A esquerda precisa ter um pouco mais de realismo e menos esperança nas análises.
Não digo isso para ficarmos prostrados e passivos mas, pelo contrário, travar melhor os combates.
Escrevo isso pois o ano parece acabar favorável. De fato, pontualmente, a composição de esquerda terminou relativamente bem esse ano tão duro.
Mas não se enganem, olhem pra conjuntura internacional, pra estagnação econômica mundial e brasileira, pra composição política brasileira, pra deterioração do debate nacional e avanço conservador, pros movimentos do mercado, pro desespero velado do sistema de mercado…
Ano que vem tem Olimpíada e Republicano na Whitehouse, tem municipais…
13, 14, 15 foram anos de combate político intenso mas 2016 será ano de guerra total “dos mercados” contra o Brasil.
Anotem aí: Guerra total.
Só com uma integração profunda dos partidos de esquerda e grandes movimentos sociais, expansão e integração de movimentos menores, expansão (com financiamento) da mídia progressista, e acordos com o empresariado responsável (se é que ainda existe empresariado minimamente nacionalista e responsável no país), engajamento total das figuras públicas de esquerda e democratas e suor e inteligência da militância poderemos segurar essa onda…Melhor dizendo…Esse vagalhão.
Repito, não se enganem, será guerra total dos mercados para a reanexação do Brasil.

Responder

Diego

19 de dezembro de 2015 às 10h04

A rede globo adoraria prender o Lula, é o concorrente forte contra os testas de ferro dela. Já que o golpe vai se distanciando a globo intensifica a perseguição covarde ao Lula HC.

Responder

Eliane Pereira

19 de dezembro de 2015 às 07h18

E a luta continua…

Responder

Denize Ferreira Ramos da Silva

19 de dezembro de 2015 às 02h43

Mas vamos vencer todas codo povo.m a força

Responder

Dorgival

18 de dezembro de 2015 às 22h24

O coxinha quando falou se roubo era luta estava se referindo a sua turma de golpistas. O Agripino sendo investigado pelo MP pelo terceiro crime. Descobriram que os tucanos de SP tem contrato de mais de 31 bilhões com as empresas da lava jato, porisso estavam investindo pesado no Golpe para engavetarem as investigações. Ficou claro que os desvios da Petrobras corriam soltos no governo FHC. O Paulinho do Solidariedade, o lambe lambe dos tucanos, além dos devidos cobrava propina para não fazer greve. Isso só para citar alguns dos desvios da turma do ” somos milhões de Cunha”. Esse vassalo dos coxinhas de pedigree é um hipócrita produto Globo / Veja que pegou gosto pela sordidez.

Responder

Joaquim Jeronimo

18 de dezembro de 2015 às 23h56

Esse blog recebe dinheiro público para defender o governo?

Responder

L. Souza

18 de dezembro de 2015 às 21h40

A direita em 2016 vai se sossegar.
O problema vai ser Aecio Neves e a Globo.

Responder

Luiz Henrique

18 de dezembro de 2015 às 22h59

ESSA É A FESTA DA DEMOCRACIA, VIVA O POVO BRASILEIRO.

Responder

Iraildo Bispo

18 de dezembro de 2015 às 22h59

Essa luta nunca vai acabar, independente do lado que esteja lutando.
O segredo é manter o foco e jamais parar.

Responder

Maria Oliveira

18 de dezembro de 2015 às 22h29

#JuntospelaDemocraciaFormandoEssaOndaVermelhaLinda

Responder

Gf Andrezão

18 de dezembro de 2015 às 22h11

Chupa coxinhas…!!

Responder

Ricardo Angolano

18 de dezembro de 2015 às 21h43

Responder

Ricardo Angolano

18 de dezembro de 2015 às 21h43

Responder

Gilberto Silva Silva

18 de dezembro de 2015 às 21h24

Mudou de nome, roubo virou luta???

Responder

Gilberto Silva Silva

18 de dezembro de 2015 às 21h24

Mudou de nome, roubo virou luta???

Responder

Ines Liguori Padrao

18 de dezembro de 2015 às 21h20

Sempre alerta

Responder

Ines Liguori Padrao

18 de dezembro de 2015 às 21h20

Sempre alerta

Responder

Wilde Gomes

18 de dezembro de 2015 às 21h15

Imagem linda!

Responder

Wilde Gomes

18 de dezembro de 2015 às 21h15

Imagem linda!

Responder

Joel Araujo

18 de dezembro de 2015 às 21h13

Nao podemos baixar a guarda!

Responder

Joel Araujo

18 de dezembro de 2015 às 21h13

Nao podemos baixar a guarda!

Responder

Deixe um comentário