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O Diabo e a garrafa. Por Mauro Santayana

Por Redação

13 de janeiro de 2016 : 10h33

por Mauro Santayana, em seu blog

Em pleno processo de impeachment, e de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das ações envolvendo a chapa vitoriosa nas últimas eleições, a situação da República tem sido marcada pela espetacularização de um permanente “pega para capar” jurídico-policial, a ascensão da “antipolítica”, o aprofundamento da radicalização e a fascistização do país.

Políticos e empresários têm sido presos – muitos por ilações frágeis ou exagerado rigor cautelar –, enquanto outros homens públicos e bandidos e delatores premiados apanhados com milhões de dólares na Suíça circulam livremente ou estão em prisão domiciliar.

Milhares de brasileiros acreditam piamente que o Brasil é um país quebrado e destruído, quando temos as sextas maiores reservas internacionais do mundo e somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Que um perigoso “bolivarianismo” pretende implementar uma ditadura de esquerda na América Latina, quando, seguindo os ritos democráticos normais, e sob amplo acompanhamento de observadores internacionais, a oposição liberal acaba de ganhar, pelo voto, as eleições na Venezuela e na Argentina.

Que o Brasil é um país comunista quando pagamos juros altíssimos, e somos, historicamente, dominados, na economia e na política, por um dos mais poderosos sistemas financeiros do mundo, pelo agronegócio e o latifúndio, por bancos e empresas multinacionais.

Discutindo na mesa de pôquer da sala de jogos do Titanic, envolvidos por suas disputas, e por uma rápida sucessão de fatos e acontecimentos, que têm cada vez mais dificuldade em digerir e acompanhar, os homens públicos brasileiros ainda não entenderam que a criminalização da política, criada por eles mesmos, como parte de uma encarniçada e deletéria disputa pelo poder, há muito extrapolou o meio político tradicional, espalhando-se, como o diabo que escapa da garrafa, como uma peste pela sociedade brasileira, na forma de uma profunda ojeriza, preconceito e desqualificação do sistema político, e daqueles que disputam e detêm o voto popular.

Se não se convocar a razão e o bom senso, para reagir ao que está acontecendo, e se estabelecer um patamar mínimo de normalidade político-institucional, tudo o que restará será o confronto, o arbítrio e o caos.

Está muito enganado quem acha que o mero impedimento de Dilma Rousseff resolverá a questão.

No final da década de 20, os judeus conservadores comemoravam, da varanda de suas mansões, na Alemanha, o espancamento, nas ruas, de esquerdistas e socialistas, pelos guardas de grupos paramilitares nazistas como as SS e as SA, e se regozijavam, em seu íntimo, por eles os estarem livrando da ameaça bolchevista.

Depois também viram passivamente – achando que estariam resguardados por suas fortunas – passar sob suas janelas, as filas de operários e pequenos comerciantes judeus a caminho dos campos de concentração – até chegar a sua vez de ocupar, como sardinhas em uma lata, o seu lugar nas câmaras de gás.

Poucas vezes, na história, o efeito bumerangue costuma poupar aqueles que, como aprendizes de feiticeiro, se atrevem a cutucar o que está dentro da caixa de Pandora.

Depois de Dilma e do PT, seria a vez de Temer, e depois de Temer virão os outros – todos os partidos e lideranças que tenham alguma possibilidade de alcançar o poder, por via normal.

Parafraseando Milton Nascimento, na política brasileira “nada será como antes amanhã”.

O Brasil que se seguirá à batalha sem quartel e sem piedade, levada a cabo pela oposição nos últimos anos e meses tendo como fim a destruição e total aniquilamento do PT – cujas principais vítimas não serão esse partido, mas o Estado de Direito, o presidencialismo de coalizão, a governabilidade e a própria Democracia – não terá a cara do Brasil do PSDB de Serra, de Aécio, ou de FHC, mas, sim, a de Moro e a de Bolsonaro.

A do messianismo, da vaidade, da onipotência e do imponderável, e a do oportunismo e do fascismo – e aqui não nos referimos ao velho fascio italiano – em seu estado mais puro, ensandecido e visceral.

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4 comentários

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Dilton Marinho S. Filho

15 de janeiro de 2016 às 09h20

Você citou os judeus na década de vinte, porém eu vou mais aquém. Sou judeu, e pelos meus estudos, os judeus agem assim desde o Egito. Naquele tempo, os que gozavam de prestígio junto à nobreza, já ligavam o foda-se!
Depois vieram os de Portugal e Espanha pré navegações, os quais, repetiram as mesmas atitudes.
Aí vieram os da Alemanha, que, segundo relato de judeus poloneses, húngaros, austríacos, romenos, tcheco, etc, olhavam para todos os outros judeus de cima para baixo, se achavam superiores a todos os outros judeus, porque eram da elite financeira da Europa.
Agora tudo se repete. Judeus estadunidenses, israelenses, e por colonialismo, os brasileiros, se acham os bam bam bans.
Eu não sei se é realmente D’us, ou se é por acaso, mas, todas as vezes em que essa empáfia tomou conta do “Povo escolhido”, a tragédia se abateu sobre nós.
A merda, é que na hora do pega-prá-capar acabam se lascando milhares de pessoas, que não tem nada a ver com isso!

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Helio Eduardo Pinto Pinheiro

13 de janeiro de 2016 às 20h18

PERFEITO! SÃO OS VENDADOS-OBCECADOS-OPORTUNISTAS-MANIPULADOS A CAVAREM SUAS PRÓPRIAS COVAS!!!

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Maricila Brito Gomes

13 de janeiro de 2016 às 14h13

Graça Brito

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Fernando Araujo

13 de janeiro de 2016 às 14h08

E é porque o Diabo ainda não saiu da garrafa e quando ele mostrar a cara para o mundo!

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