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Quantos bilhões vale a obra de Moro para o capital? O Brasil na bacia das almas…

Por Redação

18 de janeiro de 2016 : 14h02

por Fernando Brito, no Tijolaço

A Folha diz hoje que os fundos de investimento – leia-se grandes grupos estrangeiros e nacionais, sobretudo bancos têm 25 bilhões de dólares – ou R$ 100 bilhões de reais – para comprar empresas em países emergentes, aproveitando a crise.

E que o Brasil é um deles onde os “principais alvos são empresas de energia, concessões na área de estradas, aeroportos e saneamento pertencentes a grupos envolvidos na Operação Lava Jato”.

É obvio que, graças ao Dr. Sérgio Moro tratar dos crimes cometidos não como eventos a serem punidos e ressarcidos, mas como uma cruzada de demolição destes conglomerados empresariais, as bocarras se abriram para engolir as empresas em um dos poucos setores onde o capital nacional ainda fazia frente ao estrangeiro.

“O Brasil tem boas empresas, o mercado interno é grande, e está barato”, diz Flávio Valadão, diretor da área de fusões e aquisições do Santander.

“Hoje é possível comprar uma empresa de R$ 1 bilhão com US$ 250 milhões. Não dava para fazer isso no primeiro semestre do ano passado”, diz  à Folha Marco Gonçalves, dirigente do honestíssimo banco BTG Pactual, ele próprio em processo de “depenação” depois da descoberta das falcatruas de seu controlador (ou não, porque desde o Amador Aguiar eu ponho pouquíssima fé nesta história de bancário que vira banqueiro), André Esteves.

Nestes negócios privados, como todos sabem, ninguém leva dinheiro. Negociam-se bilhões com um ascetismo daquelas imagens que assistem, plácidas, o que se passa nos bordéis. São todos santos, puros, honestos como um frade capuchinho.

Com serenidade e responsabilidade, os  milhões  de reais surrupiados pelos “ladrões de carreira” da Petrobras estariam sendo recuperados talvez até com mais eficiência. Mas, em lugar disso, estamos vendo se esvaírem – no santo e puro “altar” do “Deus Mercado” bilhões de reais de patrimônio empresarial  brasileiro.

Em lugar de gravar o patrimônio pessoal dos empreiteiros, destrói-se o das empresas, que têm (ou tinham) poder para investir, empregar e realizar.

Os  acordos de leniência, que os procuradores da Lava Jato se esforçam – amplificados pela mídia – em barrar, seriam isso: a empresa paga pelo que fez, em dinheiro; os empresários pagarão – ou não, segundo seu julgamento – com sua liberdade e seus bens.

“Este parece ser um momento único na história, pela quantidade de bons ativos de empresas brasileiras que podem ser colocados à venda”

A frase, do diretor gerente do banco  Morgan Stanley, Alessandro Zema, seria traduzida pela minha avó como “meu filho, estão vendendo tudo na bacia das almas”.

A simplória D. Innocência Barbosa, com seu quinto ano  primário de Conservatória, uma das vilas mortas do café no Vale do Paraíba, resumia o que o letrado professor de Economia da Unicamp da Unicamp, Fernando Nogueira  da Costa define com erudição: “Na bacia das almas” é expressão que se usa para designar a situação de alguém que está passando grande dificuldade e tem de vender algo o mais rapidamente possível, consequentemente, por um preço bem abaixo do que se obteria em circunstâncias normais. A expressão provém dos preparativos para o sacramento da Extrema Unção, quando a bacia em que se colocavam os óleos, unguentos e paramentos do sacerdote ficavam ao lado do moribundo.

O Dr. Sérgio Moro acha, talvez, que isso “não vem ao caso”.

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7 comentários

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Eloi Pinheiro Sales

19 de janeiro de 2016 às 07h19

Em vez de matar os carrapatos ele prefere matar as vacas.pense numa ( inteligência )

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Fernando Loureiro

19 de janeiro de 2016 às 03h21

Eu nunca fiquei horrorizado com os sucessivos casos de corrupção desvendados no País. Nó máximo pasmo com a revelação do Senhor Pedro Barusco que não soube identificar a origem de grande parte dos depósitos feitos em sua conta na Suíça.
Tenho claro que a corrupção é filha legitima do capitalismo, irmã do consumismo e prima do neoliberalismo.
As mentes convenientemente moralistas, comprometidas em desestabilizar um Governo eleito democraticamente pela maioria da população, se aproveitaram a rodo.
Agora o bom senso volta à cena. O golpe foi desinflado e o Brasil começa a dar-se conta que a politica do “quanto pior, melhor” vai levar-nos a todos para o fundo do abismo.

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Enio

18 de janeiro de 2016 às 19h24

Essa elite criminosa tem MEDO do povo brasileiro.

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Mauricio Bellini

18 de janeiro de 2016 às 18h34

De lixeiro de zoológico a milionário! Viva a democracia de esquerda…viva o socialismo…viva o comunismo oportunista e de conveniência!!!

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Tonya de Carvalho

18 de janeiro de 2016 às 17h53

Acordo de leniência JÁ !! Salvem nossas empresas, os emprego dos brasileiros !

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Petralha Zuero

18 de janeiro de 2016 às 17h16

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