Comentários sobre: O equilíbrio metafísico do preconceito em potencial https://www.ocafezinho.com/2016/02/11/o-equilibrio-metafisico-do-preconceito-em-potencial/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 09 Apr 2016 20:56:46 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 Por: Beto Azevedo https://www.ocafezinho.com/2016/02/11/o-equilibrio-metafisico-do-preconceito-em-potencial/#comment-166216 https://www.ocafezinho.com/?p=37115#comment-166216 Tiririca e Alexandre Pires também não enxergaram como preconceitousas suas músicas, que foram banidas pela justiça e pelo bom senso. Apesar disso, essas “obras” não deixaram de ser expressões extremamente infelizes de falta de responsabilidade, desconhecimento, ou até mesmo, quem sabe, extremo descaso, com o impacto negativo que pode acarretar na vida da população que sofre preconceito, principalmente as crianças, a relativização de práticas e preconceitos com um triste lastro na história e que, ainda, se propagam atualmente.
A Infeliz torcedora do Grêmio, flagrada ofendendo o goleiro Aranha, não o comparava com um divertido personagem da Disney, nem com um imponente César, protagonista dos filmes Planeta dos macacos, ou ao divertido Macaco Louco, do desenho As Meninas Superpoderosas. Ela se valeu da comparação exdruxula e secular negro=macaco, enraizada no fundo da garganta do típico racismo brasileiro, aquela coisa que fica guardada no coldre da estúpidez, pronta para ser acionada assim que seu/sua portadora se sentir no direito de injúriar alguém.
Sobre o casal, nada tenho a comentar, pois não os conheço, mas vendo a imagem e acompanhando a repercussão que vem ocorrendo, me lembrei dos tristes epsódios musicais citados acima. È que não precisa ser branco para vacilar nessa questão tão delicada e tão pouca debatida no Brasil. Só é preciso se perder na doce ilusão do mito de que o preconceito está nos olhos de quem vê, ainda que ele se encontre na nossa história, em diversos estudos acadêmicos, na realidade do mercado de trabalho, nos olhares e comentários desdenhosos, a surdina ou aos buxixos, no olhar espantado com um penteado afro ou um turbante.
Confesso que ao ver essa imagem me ocorreu um misto de espanto e tristeza, um sentimento como o que me ocorreu ao ver o joelho do Ronaldinho estourando e a fratura na canela do Anderson Silva. No cenário, a empolgante festa de rua que contagiou BH e região, uma coisa bacana e, pelo o que eu sabia até então (me refiro aqui a outro caso*), sem grandes tumultos ou confusões, de repente havia uma falta, um lance infeliz e desnecessário e, por que não dizer fatal. Ainda que não fosse caso para um cartão vermelho. Os “atenuantes” relacionados a família logo vieram a tona e, ao meu ver enriqueceram a discussão. Sim, pois acredito que vivemos um momento rico na evolução da consciência negra no país. Da adoção dos cachos e do crespo até a conciência de que ruim não é o tipo de cabelo, mas sim o preconceito, creio que estamos dando passos importantes para a mudança desse paradigma racial brasileiro. E precisamos falar mais sobre isso.
Felizmente vemos famílias dispostas a ter filhos, independente da cor da criança, e infelizmente, ainda vemos pessoas e personalidades que não se enxergam como negras ou como não brancas. Gostaria que a razão estivesse com as pessoas que acham que o preconceito está nos olhos de quem vê, pois tenho a ilusão que dessa forma seria mais fácil combate-lo, mas não, ele é real e precisamos saber lidar com ele e com tudo o que ele representa. Penso que essa foto presta um grande serviço a um país que precisa se enxergar melhor e discutir tudo aquilo que não é dito por medo, ignorância ou conformismo.
*infelizmente nem tudo foram flores na festa. Há relatos alguns problemas que ocorreram com blocos de menor expressão e da periferia como o Angola Janga e o bloco da bicicletinha.

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Por: Hell Back https://www.ocafezinho.com/2016/02/11/o-equilibrio-metafisico-do-preconceito-em-potencial/#comment-166191 https://www.ocafezinho.com/?p=37115#comment-166191 Não acredito que o casal citado no texto não sabia que isso não é politicamente correto.
Não, o casal não foi ingênuo coisa nenhuma. Os dois sabiam muito bem o que isso provocaria.

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