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A Comissão Mista destinada a apresentar projeto de Lei de Responsabilidade das Estatais (CMLRE) realiza reunião para discussão e votação da minuta do projeto de lei de responsabilidade das estatais. E/D: presidente da CMLRE, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE); relator da CMLRE, deputado Arthur Oliveira Maia (SD-BA); senador José Serra (PSDB-SP). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A entrega do Serra é um golpe na indústria nacional

Por Redação

24 de fevereiro de 2016 : 11h45

por Tadeu Porto, colunista do Cafezinho

Se ocorrer o que todos esperam hoje, a retirada da Petrobrás como operadora única do pré-sal ou a diminuição da sua participação mínima de 30% nas reservas, vamos escrever uma triste página da nossa história.

Daquelas que lamentaremos anos e anos, por séculos a frente.

Claro, não me surpreendeu o entreguismo latente do senado ontem, dia 23 de fevereiro de 2016, ao prosseguir com o regime de urgência do senador José Serra, do PSDB. Escrevi uma coluna, há duas semanas aproximadamente, atacando essa tática vira-lata, aparentemente imortal, de querer deixar os estrangeiros cuidarem das nossas riquezas, como se não fossemos capaz de tal.

Isso é fruto de um jogo geopolítico complexo e perigoso: o mercado do petróleo. Assim como a crise de 60 serviu para aumentar ainda mais o oligopólio das grandes empresas (sete viraram quatro irmãs) essa fase de dificuldade acaba por servir a interesses das grandes poderosas.

E não é à toa que as conversas reveladas do Wikileaks, acerca do projeto de partilha do pré-sal, demonstraram o desespero das maiores petrolíferas do planeta.

A diretora da Exxon, Carla Lacerda, foi bem taxativa: “a Petrobrás terá todo controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e a contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores americanos”.

~poderia prejudicar os fornecedores AMERICANOS~

Mas oras, a Carla foi bem sincera. Imagina um planeta onde o Brasil exporta não só óleo ou gás, mas também oferece tecnologia, equipamentos e conhecimento? Seria péssimo para as grandes concorrentes.

Patrícia Pardal, da Chevron, foi além: prevendo a perda iminente, ficou #xatiada pois o governo, nacionalista, agiu de maneira certa (e profissional) ao atender aos interesses do país. Mas como no mundo do petróleo não se pode ficar só na revolta, há de se ir a luta (ou a guerra) Patrícia foi encontrar uma asa amiga para reverter a perda das irmãs.

Sim, uma asa. Tucanos não tem ombro.

Aliás, duas asas: se por um lado Pardal foi pedir uma atuação mais profissional, Lacerda (a vida imita a arte com esse sobrenome nesse contexto, não é?), por outra asa, vai ficar #agradecida com todos aqueles equipamentos e tecnologias americanas aqui.

E, surpreendentemente (#sqn), o projeto que demonstra o desejo do Serra – anseio antigo comprovado há seis anos – apareceu como mágica assim que o entreguista foi eleito senador. Pior, foi colocado em regime de urgência sem a menor necessidade de se apressar qualquer discussão sobre reservas, afinal, ninguém no mundo em sã consciência quer vender um estoque num preço baixo histórico.

Não só foi tratado a toque de caixa, como foi atropelada qualquer tipo de discussão lúcida sobre o assunto. A comissão formada para debater o projeto sequer foi pra frente por falta de quórum.

Para deixar claro: um projeto que vai mudar uma lei que demorou quatro anos para ser construída e não teve a chance de mostrar suas consequências – a conjutura do petróleo é de cautela, não de agressividade – pode passar como um foguete, sem ser discutido entre os senadores e senadoras, quicá com a sociedade civil.

Para deixar mais claro: a pressa e falta de transparência e lógica do PLS 131 atende, justamente, as empresas que fizeram lobby contra um pré-sal para o Brasil que o Wikileaks revelou (companhias que são concorrentes da Petrobrás, diga-se de passagem). Conseguiram emplacar um projeto de lei com a mesma figura política que foi consultada no tempo das preocupações sobre o estrago que a partilha faria com os fornecedores americanos!

Algo do tipo: as estrangeiras querem explorar (em todos os sentidos), têm a ferramenta para fazer o país entregar (Serra, Renan e Cia) e vão fazer o possível salvar a pele delas, mesmo passando por cima de  interesses nacionais (alguém aí viu no Wikileaks alguma preocupação com a nossa indústria?).

Isso não pode ser sério.

Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

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5 comentários

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Hiko

25 de fevereiro de 2016 às 13h27

Excelente!
Já que o empresariado não quer defender a Petrobras muito menos
o conteúdo nacional, melhor vender e salvar o desemprego dos países já desenvolvidos.
Brasileiro não precisa de educação de qualidade pois será sempre uma republica de bananas com seu povo retardado. Valeu PIG.
A ainda pelo menos a gente para de ficar brigando com tudo mundo e vive pelo menos em paz! ps: Sacarmos 1000%
Non Passaran!

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Pisquila

24 de fevereiro de 2016 às 23h10

A partir desta data esse governo dilma (em minúsculo mesmo) acabou pra
mim!! ACABOU!!!! COVARDE, NÃO BATEU VOTO NO PLENÁRIO E PREFERIU FAZER
ACORDO COM ZÉ VAMPIRO CHEVRON SERRA!! GOVERNO FDP!! NÃO DEFENDO MAIS ESSE GOVERNO FRACO E AGORA ENTREGUISTA TAMBÉM! PODE IR EMBORA dilma. SE FOR POR FALTA DE ADEUS, TCHAU!!!!!!!!!!!! Não defendo mais esse governo de sangue de barata. Deixa o fdp do Aécio assumir, fuder com esses pobres de direita como dizia o Tim Maia e que pensam que são ricos, acabar com TODAS as estatais, matar o servido público retirando todos os seus direitos, encher as repartições de OS’s, que eu vou me sentir vigando de um bando de coxinhas analfabetos políticos. Eles vão também levar na tarraqueta e quando vierem reclamar vou manda-los todos pra puta que pariu! Desculpe pelos palavrões Miguel, mas não estou aguentando mais esse governo de sangue de barata!!!!!!!

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Paulo Reis

24 de fevereiro de 2016 às 12h59

Será que esse é preço para o bolinha de papel ir para “pmdb” 2018?

Responder

Messias Franca de Macedo

24 de fevereiro de 2016 às 12h53

ATENÇÃO BRASIL DO BEM

Mais um escândalo dentro do [mega]escândalo!

Ao que parece, matéria do ‘Estadão’ foi adulterada posteriormente objetivando ‘vazar’ para os Quintos dos Infernos a declaração autocondenatória do FHC

A declaração:

FHC admite ter pago mesada no exterior a jornalista

(…)
Ex-presidente diz que contrato com a empresa Brasif foi usado para repassar valores a Mirian Dutra, segundo ele, com recursos próprios
(…)

18 Fevereiro 2016 | 21h 35

O ESTADO DE S. PAULO

Acessei novamente a mesma matéria na qual identifiquei que o trecho acima foi suprimido. Rastreando o texto, encontrei:

(…)
Ao jornal, o ex-presidente havia negado ter enviado dinheiro para Mirian Dutra por meio da empresa.
(…)

FONTE: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,fhc-admite-ter-pago-mesada-no-exterior-a-jornalista,10000017153

Responder

Jorge Vieira

24 de fevereiro de 2016 às 12h14

Tadeu Porto: só vamos escrever esta página triste da nossa história se os petroleiros ficarem quietos.
Os petroleiros tem que entrar em greve geral imediatamente, apoiado por todos os trabalhadores do Brasil.

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