Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

Folha imita Globo e tenta falsear denúncias ao golpe da imprensa internacional

Por Miguel do Rosário

29 de abril de 2016 : 13h04

(Crédito Foto: Mídia Ninja).

Depois do Globo, agora é a vez da Folha tentar falsear a realidade. Estão desesperados. O golpe midiático faz jus a seu próprio nome: tem de manter os zumbis em estado de alienação até o fim.

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É muito louco. Nem Philip Dick, o famoso escritor de ficção científica, imaginaria uma trama tão sinistra.

A matéria menciona várias reportagens que denunciam o golpe no Brasil, e dá um título que inverte o sentido dos próprios textos apontados: “Imprensa internacional não chama impeachment de golpe”.

Apenas como exemplo, leia os dois últimos parágrafos da matéria: eles dizem exatamente o contrário do título.

O correspondente do jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” foi o que chegou mais próximo de classificar o impeachment de “golpe”. Em artigo de opinião intitulado “Quase um golpe: o processo contra a presidente é errado”, Boris Herrmann afirma que a palavra golpe não é “necessária nem adequada”, mas que o processo tem “contornos golpistas”. “A tentativa de se livrar de uma presidente eleita” não é “processo democrático”.

Outro correspondente no Brasil de veículo alemão, Jens Glüsing da revista “Der Spiegel”, diz: “Partidários de Lula alertam para um ‘golpe não tradicional’ contra a democracia. Não dá para dizer que essa preocupação seja totalmente descabida”, declara.

Ou seja, o jornal alemão diz que o impeachment tem “contornos golpistas”, “não é um processo democrático”, a outra revista publica um artigo (a matéria na Folha esconde isso) com o título “Crise de Estado no Brasil: o golpe frio”, e a Folha publica uma matéria dizendo exatamente o contrário, que a imprensa internacional não chama o impeachment de golpe…

Além de ser um desrespeito à inteligência do leitor, é um atestado de que não apenas estamos diante de um golpe, mas de um golpe eminentemente midiático, que tenta desesperadamente enganar a opinião pública brasileira para que seja consumado.

Todo o texto é surreal.

Um case clássico de inversão de sentido.

Repare nesse outro trecho, que fala do Miami Herald:

O “Miami Herald” também critica a possível destituição.”…Impeachment é uma punição exagerada para quebra de regras na administração do orçamento”, diz o diário. “Persigam os corruptos e deixem os eleitores decidirem o destino de políticos incompetentes.”

Dá vontade de rir. Se a matéria diz que o impeachment não pode ser punição para irregularidades menores de gestão de orçamento, e se insiste que o destino de políticos deve ser julgado pelas urnas, então está dado o recado, né?

O recado do Miami Herald é o seguinte: é golpe!

Com o golpe, a ditadura midiática entrou numa fase de negação primária da realidade.

É uma crise epistemológica radical. O leitor vê um cão, acaricia o cão, ouve-o latir, e aí pega os jornais brasileiros e se depara com a manchete: Eis um gato!

O mais ridículo é que, abaixo da manchete, está a foto de um cão!

Aí o leitor, irritado, vai à imprensa estrangeira. As reportagens da imprensa internacional estampam a foto de um cachorro, os textos falam que é um cachorro, e ainda acusam a imprensa brasileira de tentar enganar seus leitores dizendo que se trata de um gato.

O leitor então, sentindo-se vingado, publica em seu blog, em sua página no facebook, manda para os amigos via whatsapp, as matérias da imprensa estrangeira, acrescentando alguns comentários triunfantes: não falei que era um cachorro? Todos os jornais do mundo confirmam o que eu vi com meus próprios olhos! É um cachorro, ponto final!

E o que faz a imprensa brasileira? Escreve uma matéria dizendo que “a imprensa internacional não diz que é um cachorro”, e recorta pedaços de texto em que mostra que tal matéria falou que o bicho late, é provavelmente um buldogue, ou um hotweiiler, mas não usa a palavra “cachorro”…

No fundo, tudo isso é uma grande palhaçada. Um joguinho terminológico infantil e perigoso, porque mesmo que a imprensa no mundo inteiro dissesse que não é golpe, mesmo que nos esfregassem na cara enormes editoriais do New York Times, Le Monde, Guardian, Spiegel, Miami Herald, editorais e reportagens que afirmassem que o impeachment é perfeitamente democrático, aconselhável até, que não é golpe, que as centenas de milhares de brasileiros que saíram às ruas denunciando o golpe estão loucos, mesmo assim, a gente precisaria acreditar em nossos próprios olhos: é um golpe, é um golpe, é um golpe. Porque impeachment precisa apontar crime de responsabilidade, e não há crime de responsabilidade. Ponto. É preciso que se prove “dolo” por parte da presidente, que ela tenha tido a intenção de cometer um crime. O que não aconteceu, nem sequer há qualquer coisa parecida no relatório do impeachment. Então é um golpe!

A imprensa nega que uma parte importante da opinião pública brasileira considera o impeachment um golpe. A própria Folha, há algumas semanas, entrevistou vários intelectuais, e 70% disseram que se trata de um golpe. Oito mil escritores, inclusive vários estrangeiros, assinaram manifesto denunciando o golpe. Outros tanto milhares de juristas brasileiros idem.

O prêmio Nobel da Paz acaba de visitar a presidenta Dilma e ir ao Senado e denunciar: “é um golpe”.

Chico Buarque, Wanderley Guilherme dos Santos, Wagner Moura, Gregorio Duvivier, Jean Wyllys, todos denunciam o golpe. Nas capitais, nas semanas que antecederam a votação na Câmara dos Deputados, centenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas com cartazes e cantorias contra o golpe.

No próprio dia da votação, Brasília estava ocupada por manifestantes de todo país (muito mais gente, aliás, que os golpistas), todos portando algum tipo de cartaz ou faixa contra o golpe, denunciando o golpe, cantando refrões contra o golpe – nada disso existe ou tem importância para a imprensa brasileira?

No Rio, os movimentos pró-democracia botaram muito mais gente na rua, com mais frequência, mais organização, mais densidade e qualidade, do que os golpistas, e a imprensa brasileira insiste em falsear a realidade!

É um golpe e quiçá um dos golpes mais sórdidos já vistos no mundo, justamente por essa insuportável tentativa de manipular consciências, de deturpar a realidade!

Não à toa, o fotógrafo brasileiro que acabou de ganhar o Pulitzer, Mauricio Lima, protestou contra o golpe no Brasil e denunciou que a liberdade de expressão está sendo violada em nosso país, mostrando um cartaz contra a Globo.

Maurício Lima é um louco? Ele existe? Segundo a Globo e a Folha, Mauricio Lima, ganhador do Pulitzer, não existe, sua opinião não tem importância.

Talvez um desses jornais faça uma matéria amanhã com o título: “Maurício Lima não denunciou o golpe no Brasil”. No texto, assinado por um pistoleiro qualquer, virá escrito que Maurício usou a palavra coup, e não golpe…

Existe várias maneiras de se violar a liberdade de expressão: uma delas é censurando; a outra é usando o monopólio da mídia para fazer prevalecer uma mentira; é usar o monopólio para enganar o povo e violar o processo democrático.

Essa é a denúncia de Maurício Lima. Essa é a nossa denúncia, por isso chamamos o golpe de “jurídico-midiático”.

A mídia brasileira está fazendo um trabalho sórdido, de enganar a opinião pública nacional, tentando mostrar o impeachment como um processo democrático, o que não é.

O impeachment foi um processo urdido por setores golpistas da imprensa e do Judiciário, mancomunados com Eduardo Cunha, cujo nome dispensa qualificações.

Este impeachment, como foi conduzido, é um golpe.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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12 comentários

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italo

30 de abril de 2016 às 19h29

Fazem mais, a globo esconde passeatas, protestos e manifestações espontâneas contra o Golpe de Estado em curso no Brasil, levando o telespectador a pensar que não há resistência ao Golpe, que o projeto da globo, Temer e PSDB é unanimidade entre o povo, temperado com a votação na Câmara que embala um ‘já ganhou’ diariamente. É GOLPE, se passar piora para maioria de braços cruzados, amanhã será irreversível.

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luis mota

30 de abril de 2016 às 03h22

Após o GOLPE DA GLOBO/PSDB o Michel Temer será soterrado por uma avalanche de problemas: crise econômica, falta de legitimidade, protestos, desconfiança internacional, etc. Entretanto, mesmo diante do iminente fracasso imagino que esses GOLPISTAS utilizarão meios não democráticos para se manter no poder. Isso pode acontecer com a criação de leis de censura, corte de internet, acionamento das forças armadas para garantir a “ordem”. Isso já aconteceu em 1964 e nada impede que se repita. Existe um velho ditado que resume bem os golpistas (GLOBO/TEMER/CUNHA/PSDB): “coração de bandido bate na sola do pé.”

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luis mota

30 de abril de 2016 às 02h59

Tenho enviado e-mails para empresas anunciantes da Globo informando que não comprarei seus produtos devido ao boicote. Para mim quem anuncia na Globo é cumplice desse GOLPE!

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Henrique Silva

29 de abril de 2016 às 21h27

Golpe! Temer se elegeu vice com votos de uma chapa que continha PMDB, PT, PCdoB, etc. Se não fosse Golpe, para compor seu governo, chamaria todas estas legendas para seu Ministério. 54 milhões de pessoas digitaram13, votaram num projeto de esquerda. Essas pessoas não queriam o PSDB, nem o DEM no governo. Temer ignora a aliança e o projeto que o elegeu e chama para seu governo ilegítimo os partidos que perderam a eleição. ISSO É GOLPE em quem votou em 2014. Quem ganhou a eleição foi o PT (em conjunto com o PMDB). Dilma governa com o PMDB. Até dia 17 o PMDB tinha 7 Ministérios. Quem votou 13 quer o PT no governo até 2018. Pode até Dilma sair, mas o PT não pode sair do governo. Nem o PMDB, já que Temer é seu vice, legitimamente eleito. Errado é excluir o PT e os demais partidos que formaram a coligação para colocar no lugar os partidos derrotados. Isso é GOLPE.

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    luis mota

    30 de abril de 2016 às 02h54

    Digo mais: os 54 milhões de eleitores jamais aceitariam um plano neoliberal com privatizações e reduções direitos trabalhistas. #GLOBO/TEMER/CUNHA/PSDB=GOLPE!!!!!!!!

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Gustavo Horta

29 de abril de 2016 às 16h54

JÁ RASGARAM A CONSTITUIÇÃO!!
NÃO EXISTE MAIS. RASGADA E PISOTEADA!

O golpe já aconteceu! E assim o farão! GOLPE DADO, PODER TOMADO, TUDO NA NORMALIDADE!

Está comprovado que esta quadrilha – políticos corruptos, mídia canalha e corrompida, judiciário covarde e executivo, em boa medida resultado desta promiscuidade para a tal governabilidade – fará o que quiser com nosso pobre país. Apropriou-se do poder, já o fez!
Nem sei se falta mesmo só a coragem, se seria apenas covardia do STF!

Pobre povo brasileiro que sequer sabe reagir.
Pobres de nós.

Nossa ação somente poderá ser assim sutil e permanente. “Nós conhecemos a língua que eles entenderão: Prejuízos, muitos”

> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/03/29/nos-conhecemos-a-lingua-que-eles-entenderao-prejuizos-muitos/

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Luca Selle

29 de abril de 2016 às 15h24

POR QUE SÓ BOLSONARO?
https://www.facebook.com/PastorMarcoFeliciano/videos/823616667778354/

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Luca Selle

29 de abril de 2016 às 14h24

Dilma antecipa-se a Temer e revalida antes do prazo o Programa Mais Médicos

Trabalhadores escravos cubanos serão mandados de volta para Cuba.

Confirmando o que o editor postou na quarta-feira, soube-se nesta manhã de sexta-feira que a presidente Dilma Roussef aproveitará seus últimos dias no governo para prorrogar por três anos o Programa Mais Médicos.

Será hoje.

Os médicos estrangeiros, sobretudo cubanos, poderão clinicar sem revalidar seus diplomas.

O convênio atual só terminaria em julho, mas Dilma quer proteger o governo de Cuba.

As entidades médicas já pediram ao vice Michel Temer que revogue o ato de Dilma e mande os cubanos de volta para Havana, criando o Programa Mais Médicos do Brasil.

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    Luiz Carlos

    29 de abril de 2016 às 16h48

    Parece não importar nem um pouco ao comentarista que milhões e milhões de brasileiros fiquem sem atendimento primário, básico. Realmente a imprensa fez um belo trabalho e brasileiros ficaram sem nenhuma capacidade de avaliar as questões com isenção
    Aliás este é o perfil dos manifestantes da Paulista.

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    Esmeraldo Cabreira

    30 de abril de 2016 às 09h44

    Você é um IGNORANTE FASCISTA! Médicos cubanos são EXCELÊNCIA EM CLÍNICA MÉDICA, E MUITO BEM CONSIDERADOS INTERNACIONALMENTE! SURTOS DE VÍRUS EBOLA E OUTROS NA AFRICA SÃO ENFRENTADOS POR EQUIPES CUBANAS FAZEM MUITOS ANOS!
    Esmeraldo Cabreira. Especialista em Saúde Pública, Mestre e Doutor UFRGS.

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    italo

    30 de abril de 2016 às 19h51

    Programa mais médicos tem médicos brasileiros, por conta de que somente brasileiros não preencheriam vagss em pontos distantes, em aldeias, comunidades isoladas e até mesmo em grandes centros urbanos, foi aberto a médicos do mundo todo. Mais uma confusão que a mídia produziu para dividir a sociedade, com direito a trols atuando em comentários, Reinaldos e Maynards em campanhas de ódio permanentemente. Todo programa de assistência médica nas Américas, médicos Cubanos se apresentam em grande número, Cuba tem uma das melhores medicinas preventivas do mundo. Coxinha faz campanha de ódio, não admite informação que contraria a globo e a veja, se precisar humilhar médicos que se apresentam para trabalhar conforme a proposta do Programa, se apresentam, sempre obedientes.

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gilberto

29 de abril de 2016 às 13h51

A Folha não é boa companhia. Digo isso com a experiência de cerca de trinta lendo referido jornal. A Peppa Pig se comporta como um urso, pois é muito dissimulada e sempre pronta a trair com publicações conforme retrado no post. Encerrei minha assinatura com a Folha há um ano e meio e hoje me sinto muito melhor, por isso recomendo.

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