Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

O primeiro de muitos “nós avisamos”: o ministério branco, velho e rico

Por Tadeu Porto

12 de maio de 2016 : 16h54

Por Tadeu Porto, colunista do blog O Cafezinho*

O governo Temer tem tudo para ser um desastre completo e, por isso, fica difícil de conseguir achar algo positivo na ascensão do traidor à cadeira do executivo federal.

Contudo somos otimistas de carteirinha – afinal tem que ter muita fé para enfrentar tamanha bizarrice como esse golpe de Estado – e conseguimos encontrar algo de bom: o prazer de chegar para o coxinha alienado, que bradou por mudança e moralidade, e já no primeiro dia de governo usurpador dizer “eu te avisei” (com ternura, a maioria é ignorante e não sabe a tragédia que alimentaram).

Que Temer vai governar com os políticos mais retrógrados do país era mais óbvio que final feliz em filme da Disney. Desde a última aparição do PMDB na TV, dia 25 de fevereiro, estava escancarada a forma da tropa de choque utilizada para usurpar o poder e governar o país.

Escrevi sobre isso no dia 30 de março:


1) Na propaganda de 10 minutos do PMDB, aparecem 50 políticos: 47 homens e 3 mulheres. Em termos de porcentagem, pra quem gosta, 6% da representação televisiva do partido é feminina;

2) Apenas dois, de todos os cinquenta políticos (!), são negros: nada mais, nada menos que 4%. É claro, difícil cravar esse número com tamanha precisão visto que nossa etnia é autodeclarada, mas não há dúvidas que qualquer manifestação do partido, seja propaganda, fórum, encontro ou assembleia é um convite para assistir um tsunami branco;

3) Considerando como juventude pessoas nascidas da década de 80 para cá, o PMDB consegue a façanha de apresentar um “quadro de renovação” de seis meninos e uma menina, ou seja, 12% de seus candidatos trazem contigo o espírito revolucionário juvenil. Bem, talvez nem tanto, pois…

4) Ainda sobre a onda jovial, vejam só que bacana: dos sete jovens, cinco certamente são de famílias tradicionais de políticos da região (Picciani e Murad são exemplos), ou seja, a juventude pmdbista é, no mínimo, 71% aristocrata  (até que enfim uma porcentagem alta);

5) A média de idade dos políticos é de 56 anos (baita renovação!) ;

6) Dos dez minutos de propaganda, 15 segundos são destinados axs negrxs, 43 segundos para as mulheres e 7 minutos e 35 segundos (nove vezes mais que os anteriores somados) aos homens. Eduardo Cunha, sozinho, tem 19 segundos ( o.0 ).

O que esperar de um partido que aparece em rede nacional com 50 políticos e menos de 10% desses são mulheres e negros somados?

Nada de bom, claro.

O que teremos é a volta do Brasil “ame-o ou deixe-o”, onde a luta pela liberdade e pelos direitos iguais eram atos de guerrilha, o AI-5 era necessário para continuidade da “revolução” e a diversidade era massacrada pela opressão.

A lógica do PMDB é tão transparente quanto a mensagem que o ministério ilegítimo passa: mulher deve ser, no máximo, bela, recatada e do lar e negros devem ser os tios do café e olhe lá. Diversidade em cargos importantes, tomadas de decisões coletivas, influência histórica: nem pensar! Vai que essa turma decide fazer algo diferente e tirar o poder da plutocracia que viveu operando nas sombras?

Então Miriam, por favor, não venha fingir surpresa com a cobra que saiu o ovo fascista que a rede globo, com a sua ajuda, chocou. Os atores ultrapassados do PMDB, PSDB & cia são justamente a resistência de uma política aristocrata que não quer ceder aos anseios populares (e nessa aristocracia estão incluídas as cinco famílias que controlam a mídia nacional).

E daqui, finalizo o meu texto, já emendando o segundo “nós avisamos”: a era da repressão ditatorial virá com tudo, ou seja, não brincávamos sobre o atentado à democracia. Com a criação do ministério de segurança institucional, entregue ao general Sérgio Etchegoyen, e o ministério da justiça com o “linha dura” Alexandre de Morais, a opressão vai rolar solta contra aqueles que não seguem a ordem pelo progresso.

Vai ser um tempo sombrio. Todavia, não entraremos nele por falta de aviso.

*Tadeu Porto [twitter: @tadeuporto] é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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6 comentários

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DARCY SALES

12 de maio de 2016 às 22h41

Pronto, apareceu uma “branca”, “loira”, “recatada” e do “lar”. Mulheres, tremei!

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Patricia Knack Borges

12 de maio de 2016 às 21h55

E daí que são brancos, ricos e velhos? Pouco importa cor, idade,raça e sexo. O azedume politicamente correto da esquerda é muito chato. Que prevaleça a governabilidade. E espero ver os petistas se mordendo de raiva no fim do governo Temer, por ter dado certo, por ter sido muito mais produtivo e competente do que o da bruxa dilma.

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    Tales

    12 de maio de 2016 às 23h06

    hahaha que prevaleça a governabilidade?!?! então deixasse o mandato eleito pelo povo ir até o fim! agora entra um governo ilegítimo composto por bandidos e homens brancos ricos e velhos, ou seja, não representa pelo menos 90% da população, e agente tem que respeitar a governabilidade dele? queria entender como o ódio ao pt cosegue dexar as pessoas esquizofrênicas

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    Dirce Carneiro

    13 de maio de 2016 às 03h09

    Vocês gostam de um faz de conta – para fingir que tem apoio, Temer formou ministério com os que se sujeitaram a participar do governo golpista, maioria da sua base parlamentar, da pior qualidade. Nada contra brancos, velhos e ricos, se não fossem os representantes do que há de mais atrasado na nossa sociedade. Essa “governabilidade” representa a preguiça de lutar para construir e fortalecer a nossa ainda tenra Democracia, o imediatismo diante de qualquer crise (fabricada politicamente). A governabilidade é expressão dos acomodados politicamente, os historicamente preguiçosos da Democracia, que na primeira dificuldade, ao invés de lançarem-se para buscar solução dentro do Estado de Direito, delegam a outro, seja este outro quem for e de preferência aos militares, que desta vez se recolherem ao quartel. Então que fosse o golpe. Agora, saboreiam o fruto do imediatismo, típico de sociedade sem lastro democrático.

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    Marcilio

    13 de maio de 2016 às 12h02

    Meu Amor é assalariada?

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Luís CPPrudente

12 de maio de 2016 às 20h48

São os notórios pilantras, canalhas, bandidos nos ministérios do golpista, traidor e canalha Michel Temer.

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