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Em tempos de Sérgio Moro, por que Protógenes Queiroz está sendo perseguido?

Por Miguel do Rosário

17 de maio de 2016 : 10h41

Foto: Antônio Cruz / Arquivo/ Agência Brasil

Protógenes foragido por fazer o que todos fazem

No Diário Causa Operária

O ex-deputado e ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz está sendo considerado foragido e foi colocado na lista da Interpol a pedido da justiça brasileira. Sua defesa afirma que ele está na Suíça onde pediu asilo político, desde 2015.

Em resumo, Protógenes Queiroz foi condenado por “vazar informações sigilosas para concorrentes do banqueiro Daniel Dantas e para a imprensa”.

Na condenação do juiz da 7ª Vara Criminal de São Paulo, Ali Mazloum, a conduta do então delegado da PF, “representa, precipuamente, a apuração de um método, próprio de polícia secreta, empreendido sob a égide da Constituição Federal, mas à margem das mais comezinhas regras do Estado Democrático de Direito”.

O juiz disse ainda que “é espantoso que pessoas sejam submetidas a ‘averiguações’ típicas de regimes totalitários em plena normalidade republicana. Como por exemplo, fragmentos de ‘arapongagem’ contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, José Dirceu, além dos senadores Heráclito Fortes, ACM Neto, o ex-ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso e José Serra”.

Em tempos de Lava Jato, quando pessoas estão sendo presas e condenadas com base em delação premiada, sem provas, e por pressão da imprensa capitalista alimentada por vazamentos que chegam a expor gravações, muitas vezes conseguidas ilegalmente pela justiça, a condenação de Protógenes é um verdadeiro escândalo.

A pergunta que fica é: O que diferencia a prática dele das atuais, seja do juiz Sérgio Moro, do Ministério Público, ou da própria PF?

No auge de sua carreira como delegado, assim como se vê hoje em dia, era chamado de “caçador de banqueiro”, “caçador de políticos corruptos” e era constantemente saudado e elogiado pela imprensa capitalista, considerado herói por muitos. Tanto que ao candidatar-se a deputado obteve mais de 94 mi votos.

O processo contra ele foi tramitado em julgado em segunda instância e resultou na demissão da Polícia Federal, em 2014; por “prevalecer-se, abusivamente, da condição de funcionário policial”, revelar “segredo do qual se apropriou em razão do cargo” e “praticar ato lesivo da honra ou do patrimônio da pessoa, natural ou jurídica, com abuso ou desvio de poder”.

Como delegado da PF, Protógenes participou de uma série de operações policiais que tiveram destaque na imprensa. Sua condenação foi por causa da Operação Satiagraha, concluída em 2010, a qual ele esteve a frente desde o seu início em 2004.

Ao analisar recurso o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve parte da decisão que o considerou responsável. Por outro lado a operação foi considerada nula pelo STF.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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14 comentários

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Anônimo

09 de abril de 2017 às 01h14

Fora temer….

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mary lene da silva

08 de abril de 2017 às 01h36

sérgio moro é um seguidor de prótogenes, dois homens de OUROOOOOOOOOOOOO.

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Robson Cardoso

05 de março de 2017 às 19h03

Volta grande Protogenes Queiros. Dê o troco!

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Carlos Fabricio Fernandes

18 de maio de 2016 às 08h13

Lulla já é ministro?

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Juninho Zeff

17 de maio de 2016 às 22h20

Pra mim é jogada. Porque o governo não pede sua extradição? Eis a questão!

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Jst

17 de maio de 2016 às 20h40

O Protógenes está sendo perseguido porque se atreveu a investigar e prender tucanos. Lembremos que quem o demitiu foi o Ministro(sic) José Eduardo Cardozo, que já foi advogado do Daniel Dantas.
Dantas, aliás, que já está saindo do esquecimento para o protagonismo no governo de cleptocratas que ora se inicia no Brasil.

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Antonio Paulo Costa Carvalho

17 de maio de 2016 às 15h03

Judiciário decide com base na ideologia.

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Antonio Passos

17 de maio de 2016 às 14h34

Já temos exilados políticos de novo. O Brasil é um hospício gigantesco a céu aberto.

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    Jst

    17 de maio de 2016 às 20h42

    Temos também o José Dirceu, Genoíno e em breve o Lula e a Dilma.
    Quiçá, num futuro não muito distante, é possível que queiram prender até os eleitores do PT.

    Responder

Ben Alvez

17 de maio de 2016 às 12h20

“Por outro lado a operação foi considerada nula pelo STF.”

É claro que foi.

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Ben Alvez

17 de maio de 2016 às 12h19

“prevalecer-se, abusivamente, da condição de juiz”,

revelar “segredo do qual se apropriou em razão do cargo” e

“praticar ato lesivo da honra ou do patrimônio da pessoa, natural ou jurídica, com abuso ou desvio de poder”..

Ora, mas é isso que o juizeco do Paraná tem,feito e tem recebido elogios por crime de lesa-pátria, traição.

E o chefe da Inquisição do Paraná sai dessa como herói?

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    Gabriel

    17 de junho de 2018 às 18h43

    Sergio moro e equipe lava jato e um marco do pais que se chama Brasil

    Responder

Ben Alvez

17 de maio de 2016 às 12h12

Esse tal de Mazloum é meio enrolado.

MPF ajuíza mais uma denúncia contra o juiz Ali Mazloum.

Juiz federal, foi acusado de integrar a quadrilha, mas nenhum documento o ligava aos demais envolvidos, a não ser telefonemas feitos para o irmão, Casem.

STJ condena Janice Ascari por criticar juiz Ali Mazloum. – No comentário, Janice acusava Mazloum de tentar beneficiar um dos investigados na operação, o banqueiro Daniel Dantas. Sobre o assunto, a procuradora escreveu que “o juiz, exorbitando de suas funções, abre uma linha paralela de investigação pró-Dantas, sob o argumento de ‘interesses comerciais’”.

CNJ freia processo contra juiz Mazloum – Magistrado que mandou abrir os arquivos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mazloum é alvo de investigação sobre suposta violação de regra de competência – em 2002…

“Conexão Libanesa – Investigações indicam que os juízes Mazloum mandavam dólares em malas para o Oriente”. Na publicação, a Isto É tratou da Operação Anaconda, investigação de juízes e delegados federais acusados de corrupção, venda de sentenças, esquemas de fraudes e formação de quadrilha. A reportagem mencionou os irmãos Ali Mazloum e Cassem Mazloum.

Abin e MPF contestam a decisão do juiz Mazloum – A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) rebateu em nota, divulgada na segunda-feira (25), a decisão do juiz da 7ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Ali Mazloum, que decidiu pedir abertura de inquérito contra o ex-diretor da Abin, Paulo Lacerda, alegando que a participação da agência na Operação Satiagraha foi ilegal e portanto, a operação foi ilegal.

A Procuradora da República Anamara Osório Silva de Sordi ofereceu hoje (31/10) ao juiz federal Ali Mazloum, titular da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, uma exceção de suspeição no caso que envolve o empresário Ari Natalino da Silva e o delegado federal Alexandre Crenite, em virtude da denúncia que veio a público contra o magistrado ontem.

PAULO HENRIQUE AMORIM DETONA O JUIZ ALI MAZLOUM…UM DOS PERSONAGENS DA OBRA DE FREDERICO VASCONCELOS: “JUÍZES NO BANCO DOS RÉUS”

Corregedoria abre investigação sobre conduta do juiz Ali Mazloum

Justiça recebe nova denúncia contra o juiz federal Ali Mazloum

E queriam que o sujeito fosse ministro da justiça do golpista Temer: “submetemos o nome do Juiz Federal Ali Mazloum, da 7ª vara criminal de São Paulo, para ocupar o cargo de Ministro da Justiça, “

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gilberto

17 de maio de 2016 às 11h48

Se prevalecesse a coerência e esse precedente fosse utilizado como fundamento para casos análogos não ia sobrar pedra sobre pedra. Porém, há casos que não vem ao caso.

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