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Brasília - Senador Cristovam Buarque anuncia, no plenário do Senado, sua desfiliação do PDT e sua entrada no PPS (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

“Escola sem política”: os perigos da nova e polêmica ideia de Cristovam Buarque

Por Miguel do Rosário

19 de maio de 2016 : 15h23

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Cristovam defende isenção política em sala de aula. Mas isso é possível?

Por André Vitor, no Blasting News

O senador Cristovam Buarque, que já vinha tomando posicionamentos polêmicos considerando seu passado político, apresentou, esta semana, proposta para a realização de uma audiência pública sobre o movimento “Escola sem Política”. Nas palavras do próprio senador:

“- É um movimento que cresceu em todo o país, e tem até um lado positivo, que é evitar a doutrinação. Mas me preocupa demais proibir a liberdade de expressão, isso é perigoso e pode se alastrar para outras temáticas.”

Não preocupa apenas ao senador: preocupa a mim também, afinal: quais seriam esses limites? Como desenhar uma linha e separar: de uma lado doutrinação ideológica, do outro apresentação do pensamento?

O senador, professor da UNB, com certeza sabe que todo discurso é histórico e, portanto, carrega em si mesmo valores culturais, políticos, e tantos outros que simbolizam nossa bagagem cultural e que somam-se a novas experiências adquiridas a cada dia de nossa existência.

Deste modo, como separar o que pertence a um conteúdo programático do que é pensamento partidário? E, mais: quem fará esse controle, ou terá como base qual discurso, considerando que a isenção é impossível?

Torna-se, então, ingênuo (ou má-fé) pensar na possibilidade de uma imparcialidade plena. Peguemos um exemplo: o professor Marcos Cardoso Filho deu aulas na Escola Técnica Federal de Santa Catarina, entre 1973 e 1975, e foi preso pelo governo militar na Operação Barriga Verde, em função de seu envolvimento com o PCB.

Quer dizer: um professor foi preso e torturado em razão de sua forte inclinação à política ou ao conteúdo ministrado em aula? Cumpre lembrar que ele lecionava no curso de Eletrotécnica e, portanto, nem pertencia à Área de Humanas. O professor foi condenado a três anos de prisão após uma audiência militar feita DENTRO da escola.

A ditadura foi algo tão risível e repugnante que uma retratação pública já foi feita demonstrando claramente os equívocos desse passado tão sombrio que deveríamos nos esforçar (cada vez mais) para não repetir.

Assim, o senador Cristovam me causa espanto e preocupação ao defender, mais uma vez, uma ideia extremamente perigosa para um regime democrático: o controle das ideias, que pode ser usado de diversas maneiras em função da conveniência.

Analogamente, uma coisa não impede a outra, mas fico ainda mais perplexo numa época em que deveríamos estar discutindo a melhoria da estrutura de ensino e, ironicamente, as liberdades de que goza a mídia, muito mais grave, pois forma o pensamento de todo um país.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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45 comentários

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Gerusa Contti

01 de junho de 2016 às 11h28

Caro senador… Vai a merda, vai!

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Luis

23 de maio de 2016 às 16h58

Caro senador, se o número de íons hidrogênio (H+) for igual ao número de íons hidroxilas (OH-) em uma solução ou em água pura, aí teremos uma solução neutra. Se num corpo qualquer o número de cargas positivas (prótons) for igual ao número de cargas negativas (elétrons) teremos um corpo neutro. Deu para entender? Quer que desenhe? Responda-me caro senador, se um aluno perguntar algo que não tenha a ver com o que leciona você deve ou não emitir opinião. Na boa, NÃO JOGUE SUA HISTÓRIA NO LIXO.

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baltazar.pedrosa@hotmail.com

21 de maio de 2016 às 23h48

Ao Senador Cristovam, gostaria muito de chamá-lo de Ilustre, de vossa excelência, mas desde muito tempo, eu sei quem é o cidadão Cristovam : um homem mesquinho e muito pequeno em suas atitudes, sempre buscou estar próximo das luminárias, por não possuir luz própria, buscou fazer um discurso breve sem consistência sobre educação, mas que lhe renderia bons frutos, enganou alguns por algum tempo. Vejam uma pequena retrospectiva do Senador: como reitor da UNB possuiu uma avaliação ruim chegando as raias da mediocridade, então o Partido dos Trabalhadores o tirou do anonimato e deu lhe visibilidade, elegendo-o governador do DF, não levou muito tempo para as pessoas perceberem que tinham votado no candidato errado, mal avaliado, perdeu as eleições e tentou creditar a sua derrota aos professores do DF. Tão logo, Lula ganhou as eleições e colocou novamente o cara errado no lugar certo, não demorou muito tempo para perceber que ele não possuía envergadura para tamanha responsabilidade, foi demitido por telefone por pura incompetência.

Percebo que o Senador Cristovam possui algumas patologias incuráveis, uma é a de não saber o seu tamanho, possui uma fixação de querer ser Presidente, quero lhe informar que Você não tem estatura para tal, gostaria de lhe dar um conselho que percebo que nisso Você tem desenvoltura, continue nesse nomadismo partidário e com sua convicção de golpista.

Um abraço de um ex-eleitor.Ah,proposito fiquei sabendo que você agora o senador está no partido certo,todos os seu corregolionários agora possuem seu perfil invejosos e golpistas.

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Glauber Coutinho

21 de maio de 2016 às 08h56

Determinar limites ao professor não é razoável, mas a lei eleitoral atual permite a presença de candidatos em ambiente escolar e panfletagem na porta da escola. Essa lei sim devia mudar. Porque uma outra situação considero muito mais perigosa, a ação de gestores escolares, quando estes são inclusive cabos eleitorais e portanto em posição privilegiada para manipular os recursos das escolas. Parece que quem debate esse tema está fora de foco do problema real. Aliás, as municipais de 2016 não serão uma farra de compra de votos???

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ART GUERREIRO

20 de maio de 2016 às 11h49

PIOR DO QUE O TIRIRICA VOTAR A FAVOR DO IMPEACHMANT, FOI O CRISTOVAO BUARQUE
O PRIMEIRO PORQUE É TOTALMENTE IGNORANTE O SEGUNDO PORQUE É TOTALMENTE ENGANADOR

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Roberto Monte

20 de maio de 2016 às 11h04

Canalha

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Replicante Andante

20 de maio de 2016 às 09h20

VERGONHA, um povo despolitizado e que não entende nada sobre nada é mais fácil de fazer um golpe e dizer que não é golpe! CRISTOVAM BUARQUE GOLPISTA!

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Esmeraldo Cabreira

20 de maio de 2016 às 09h15

Cristovam Buarque é um EX-CÉREBRO! Seus ideais humanísticos ficaram em algum ponto fora da curva da sua vida parlamentar, e jazem lá atrás em um lugar ermo dos seu passado! Seus “arranjos” intelectualóides demonstram o CAOS que é tentar sobreviver em um mundo fascista, ao qual aderiu! Bye, bye COLEGA DOUTOR! Se um dia teus neurônios conseguirem realizar associações COGNITIVAS RACIONAIS, diga para ele que o POVÃO brasileiro mandou lembranças!
Esmeraldo Cabreira Mestre e Doutor UFRGS.

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Roberto Goren

20 de maio de 2016 às 01h20

E volta a tentar agradar a direita. Esse senhor fica jogando dos dois lados, mas essa eh a verdadeira face dele

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Euripedes Batista

19 de maio de 2016 às 21h09

Num mundo globalizado, onde as relações entre os grupos econômicos são cada dia mais selvagens, não estudar política é formar uma raça de idiotas que não entendem o mundo em que vivem.

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Luís CPPrudente

19 de maio de 2016 às 20h50

Esse Cristovam Buarque deve estar fora da sanidade. Daqui a pouco ele vai querer se filiar no DEM, pois ele já se tornou um demagogo.

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    Thiago Melo Teixeira

    19 de maio de 2016 às 22h12

    Esse cara é ridículo, demagogo, cínico, covarde e totalmente sem caráter.

    Responder

James Stewart

19 de maio de 2016 às 19h50

Deve ser auto-crítica.

Nos tempos de estudante, Bu-buarque fazia política e veja no que deu!

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James Stewart

19 de maio de 2016 às 20h46

Pode sim.

Cristóvam é isento!

http://goo.gl/9cfGVR

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maria silva

19 de maio de 2016 às 19h30

Ah, gente, ainda não sacaram qual é a do Cristovam? Eu, que moro em Brasília, foi tão fácil descobrir… Cristovam quer voltar a ser governador do DF, onde no último pleito se elegeu senador com o voto das esquerdas. Hoje, das esquerdas, tem o mais veemente repúdio. A Classe Média do DF é, em sua maioria, extremamente coxinha. Há também os evngélicos. Em termos proporcionais, somos a quarta unidade da federação em número de evangélicos. É isso, Cristóvam quer os votos de coxinhas e evangélicos prá voltar a ser governador, por isso essa guinada à Direita. Ou seja, tudo pelo voto.

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    Mario

    19 de maio de 2016 às 21h31

    Maria, eu o classificava apenas como traidor. Agora, como canalha mesmo. Não se elege nunca mais, aguarde.

    Responder

      maria silva

      20 de maio de 2016 às 23h17

      Acho que ele tem chance, o eleitorado daqui é bem conservador.

      Responder

    guilhermenagano .

    20 de maio de 2016 às 06h16

    O mesmo DF q o PT destruiu…e pode ficar sem governar por gerações!

    Responder

      Mario

      20 de maio de 2016 às 15h14

      Não é verdade. Rollemberg está muito pior. E a saúde nos tempos do gatuno Roriz era uma vergonha. Trabalhei por 36 anos em PS e sei o que estou dizendo.

      Responder

        guilhermenagano .

        20 de maio de 2016 às 22h06

        kkkkkkkkkk Pior Governador do DF da história, inclusive não foi nem p/ o segundo turno (nunca antes na história do DF…) e vc dizendo q o infeliz do Rollemberg é pior q o Agnelo? kkkkkkk

        Responder

          maria silva

          20 de maio de 2016 às 23h12

          Bom mesmo foi o Arruda, Flagrado e filmado no ato, recebendo propina, e não fosse pela justiça, STF, teria sido eleito no 1 turno. Eleitores do DF adoram um corrupto, desde que não seja do PT.

Iran Bayma

19 de maio de 2016 às 19h29

As escolas já estão há muito tempo despolitizadas. Avançar mara mais “sem politica” seria como “escola para idiotas”. Cristovam é um reformador de gabinete, que perdeu sua identidade. Um exemplo de degeneração militante. Uma decepção.

Responder

Nilson Moura messias

19 de maio de 2016 às 18h57

Cristovam Buarque, um senador canalha!

Responder

Fabiano Franca

19 de maio de 2016 às 18h49

We are need education…..(pink floyd) A cena da máquina de moer carne é emblemática. Cristovam…vc é um defunto político….

Responder

Leopoldo Pereira

19 de maio de 2016 às 18h36

Para os alunos serem abestados igual a você, Cristóbobão? Para não ter alguém que use a cabeça, não é, babaca golpista?

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maquina

19 de maio de 2016 às 18h24

ainda tem golpista por aqui? kkkkkkkkkkk
vá defender teu gov usurpador longe daqui
vaza golpista!!!

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Curious Jorge

19 de maio de 2016 às 18h14

Não sei porque ainda vejo banners do Gov. federal nesse “site”.
Alô, alô SECOM! Vamos fechar logo a torneira!

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Alvaro M Cunha

19 de maio de 2016 às 17h48

Alguém tem que levar o Sr. Cristovam para um psiquiatra, um neuro, um psicoterapeuta; nessa linha. O homem não me parece bem de suas faculdades mentais.

Responder

    James Stewart

    19 de maio de 2016 às 19h48

    Acho que o doutor Alzheimer explica…

    Responder

Carioca

19 de maio de 2016 às 17h09

É censura e despolitização o que esse udenista quer. Nunca mais verá meu voto.

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Macau

19 de maio de 2016 às 17h01

Escola sem política vira uma máquina cuspidora de boçais bitolados que não têm carga mental para nem perceber o quanto os ratazanas no poder roem a condição da pátria.

Isso na teoria. Na prática, continua tendo política sim, mas na base da entonação vocal, das nuances veladas e dos bilhetinhos a serem queimados depois de lidos. Foi assim na ditadura de 64, seria o mesmo agora.

Responder

    Fabiano Franca

    19 de maio de 2016 às 18h49

    We are need education…..(pink floyd) A cena da máquina de moer carne é emblemática. Cristovam…vc é um defunto político.

    Responder

      Miguel Araujo de Matos

      19 de maio de 2016 às 20h59

      “We don’t need no education….”

      Responder

Luiz Henrique Coelho Garcia

19 de maio de 2016 às 16h51

Seu conterrâneo Paulo Freire deve estar dando cambalhotas no túmulo.

Responder

Luiz Henrique Coelho Garcia

19 de maio de 2016 às 16h49

Escola sem política é gravidez sem feto. Cristovam Buarque acaba de inventar a pseudociese educacional. Um gênio.

Responder

    Madex

    19 de maio de 2016 às 17h13

    Um “jênio”

    Responder

Paulo Almeida

19 de maio de 2016 às 16h38

Hannah Arendt já dizia que o ser humano é o bios politikos e que a política é o “viver entre os homens”. A ausência da política é a violência. Os que pregam o fim da política na educação pregam o que afinal? A violência no lugar da palavra? As passadas estão ficando mais largas rumo ao totalitarismo. O que mais assusta é que veio gratuitamente. Não houve sequer motivação internacional pra esse levante nazi-fascista no Brasil. Não houveram as motivações bipolares da Guerra Fria, senão a própria disposição de nossa elite em massacrar o povo deste país. Falta muito pouco para cairmos na escuridão totalitária, muito pouco.

Responder

    Ives

    19 de maio de 2016 às 17h27

    Paulo,

    Sabias palavras… Esse Sr. quer privar nossos estudantes de conhecer mestres como Hannah. O legado deixado po ela a cada dia se torna tão atual.

    Responder

Marcvs Antonivs

19 de maio de 2016 às 16h32

Incrível como da cabeça dele só sai merda.

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Valcir Barsanulfo

19 de maio de 2016 às 16h22

O Cristovão ti ti ti, perdeu o SENSO do ridículo. Virou um neo liberal obstinado em dizer e fazer besteiras.

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Marina

19 de maio de 2016 às 16h19

Educação é doutrinação? O senador é a farsa em pessoa. A ‘escola sem política’ que defende é a escola dos tempos da ditadura piorada. Permeada de idéias nazi-fascistas o projeto combina com o governo golpista atual. Ele quer agradar o Cunha para receber seu ministério. Um cínico!

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Pedro Pedro

19 de maio de 2016 às 16h11

Não sei o que seria pior nesse senadorzinho de meia tigela que, diga-se, foi eleito com outra proposta e, com seu ressentimento, imprime outra direção (como está na moda entre os golpistas): não sei se ele é só imbecil (afinal, educação formal não dá caráter nem conhecimento a ninguém) ou também um baita sem vergonha.

Responder

zazul

19 de maio de 2016 às 16h01

Existe vida sem política?

Responder

    Macau

    19 de maio de 2016 às 17h03

    Nem em teoria.

    Responder

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