Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

José Serra, o PSDB e o clientelismo dos outros

Por Theo Rodrigues

15 de junho de 2016 : 10h04

itamaraty

Ofício entregue no gabinete de Serra no Itamaraty.

Por Theo Rodrigues, Colunista do Cafezinho

 

Os partidos políticos possuem muitos papeis fundamentais para o funcionamento de uma democracia. Mas talvez possamos dizer que a mais importante de suas funções seja a de selecionar quadros da sociedade civil para a ocupação de cargos no Executivo e no Legislativo.

Não há de se criminalizar, portanto, a política e os partidos quando indicam seus quadros para ocuparem importantes postos no Estado brasileiro, caso dos ministros, por exemplo.

Antes políticos que sabemos bem quais interesses defendem do que técnicos que, por debaixo de uma casca supostamente neutra, implementem programas sem que saibamos a quais negócios representam.

Isso não significa, por óbvio, que todo o Estado deva ser preenchido por indicações políticas. Grande parte da estrutura burocrática precisa evidentemente estar lá por ter passado em um concurso público.

Assim, é claro para a legislação quais cargos devem ser indicações políticas e quais devem ser nomeados por concurso público.

Digo isso, pois um amigo do Itamaraty acabou de me mostrar um ofício que chegou na mesa do chanceler interventor José Serra no dia 9 de junho.

No ofício, a deputada Geovania de Sá (PSDB), que é do mesmo partido de Serra, pede que um aliado de seu estado seja nomeado para um cargo inicial da diplomacia em Brasília ou em Florianópolis.

“Informo tratar-se de pessoa idônea, responsável e com desejo imenso em trabalhar no Ministério das Relações Exteriores”, diz a deputada no ofício.

É evidente que um cargo inicial de diplomacia depende de um certo insulamento burocrático, ou seja, só pode ser preenchido através de um concurso público.

José Serra tem o costume de escrever artigos acusando os governos Lula e Dilma de serem “clientelistas”.

Pergunto para Serra: Quando uma deputada federal solicita que um aliado de seu estado seja indicado para um cargo cujo acesso só é possível via concurso público, podemos dizer que o partido dela é um partido clientelista?

Ou só é clientelismo quando são os outros?

 

Theo Rodrigues é sociólogo, cientista político e Coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

8 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Caíque Pereira

15 de junho de 2016 às 17h47

Serra é Hipócrita, corrupto e entreguista.

Responder

Luiz Mattos

15 de junho de 2016 às 12h29

Vejo um certo oportunismo nos políticos ao pregarem novas eleições,não sou imbecil e sei que essa proposta livra DILMA mas os maiores nomes que isso propõem serão candidatos por isso os chamo de oportunistas.Vamos além;dizem que com esse congresso DILMA não governa,concordo em partes,se fizerem uma política agressiva contra a direita ;GOVERNA SIM!
Vou mais um pouco além;Quem governaria com esse congresso além da direita?
PORQUE OS OPORTUNISTAS NÃO FALAM EM ELEIÇÕES GERAIS????????????????????????????????

Responder

    Daniel

    15 de junho de 2016 às 14h29

    Concordo, imagino que depois que Dilma voltar, ela possa ir para esse lado. O importante é ela voltar, e que ela volte assumindo o poder que ela foi investida, que ela “bote pra gerar”. Agora eu acho que ela precisa de gente forte do lado dela, de gente que assuma responsabilidades e vá pra cima.

    Responder

    Caíque Pereira

    15 de junho de 2016 às 17h47

    Mas o povo pode dizer não ao Plebiscito…o nordeste pode virar este jogo, mas Dilma não governará e esse é o real problema.

    Responder

      Luiz Mattos

      15 de junho de 2016 às 22h27

      Quem governa com esse congresso além da direita?
      Eleições em todos os níveis passa?

      Responder

Geysa Helena Dantas Guimarães

15 de junho de 2016 às 10h44

Ara, é o que mais o PSDB faz. Aloysio, chefe da Casa Civil de Serra, alojava os ex-prefeitos aqui da região ao lado dele ou em entidades públicas como a ERPLAN, em Rio Preto.

Responder

Daniel

15 de junho de 2016 às 10h35

Com tanta corrupcao em BSB, o Temer mandou o CGU pesquisar quem ocupavam cargos comissionados no executivo, e pasmem ele descobriu que a maioria era do PSDB e PMDB, este PT e’ super republicano, em uma terra de facistas e’ mesmo que suicidio. Voltando a corrupcao em BSB, com tantas falcatruas, nao sera possivel “alguns” filhinhos de classe media alta que ocupam cargos vitalicios no TCU, PG, CGU, PF, terem passado nos concursos publicos de BSB sem nenhuma falcatrua? Numa terra onde a corrupcao e’ norma, escapam os “concursados”, PF deveria investigar os concursos, e mais ainda o passado dos que conseguem este exito, saiba que ha tucanos demais concursados nestes orgaos, muito deles ligados as oligarquias de familias tucanas de GO, MG, SP e PR. Eu nao acredito.

Responder

    Ricardo de Faria Godinho

    15 de junho de 2016 às 11h39

    Claro que pode haver alguma falcatrua, mas lembro bem de alguns concursos que fiz na época dos tucanos no poder. Inventaram uma prova de “conhecimentos gerais”, e eram 40, 50 perguntas sobre “realizações” do governo FHC ou coisas como “privatizações são muito boas para o país porque:” e as opções eram afirmações dos ideólogos neoliberais. Se você discordasse, escolhesse a NRA, dançava. Imagine um coxinha (também conhecido como escondidinho) convicto fazendo uma prova dessas e outro que pensasse de outro modo. Na certa o coxinha iria acertar muito mais questões. Dez, quinze, vinte pontos fazem uma diferença gigantesca num concurso com milhares, as vezes dezenas de milhares de candidatos.

    Responder

Deixe um comentário para Daniel

Parlamentarismo x Semipresidencialismo: Qual a Diferença? Fernanda Montenegro e Gilberto Gil são Imortais na ABL: Diversidade Auxilio Brasil x Bolsa Família: O que mudou? As Refinarias da Petrobras À Venda pelo Governo Bolsonaro O Brasileiro se acha Rico ou Pobre?