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Brasília - O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados, com 285 votos. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O PT e a ilusão do ‘menos pior’ da canalhada golpista

Por Redação

14 de julho de 2016 : 14h40

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

por Jeferson Miola

A política no Brasil só não alcançou o fundo do poço porque a canalhada golpista sempre pode lançar mão de algum truque ainda mais baixo.

Vale recordar que aos olhos do mundo, a sessão de votação do impeachment na Câmara dos Deputados foi considerada “uma assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha”.

É vergonhoso anotar que, em pleno século 21, a Câmara dos Deputados da sétima economia planetária escolheu entre Rodrigo Maia e Rogério Rosso o sucessor do gângster psicopata Eduardo Cunha.

Os dois políticos representam a ressurreição do Brasil arcaico, oligárquico, reacionário; expressam os retrocessos, a ruptura democrática, a corrupção, a tortura, o estatuto da família, a homofobia, a criminalização do aborto.

Os dois são políticos feitos à imagem e semelhança de Cunha e Temer. No último período, eles conquistaram a projeção que lhes posicionou competitivamente para disputar a presidência do legislativo com o papel que desempenharam na farsa do impeachment da Presidente Dilma.

O PT, ao invés de fortalecer o campo democrático-popular representado nas candidaturas de Erundina [PSOL] e Orlando Silva [PCdoB], preferiu a falsa premissa do “menos pior”, decidindo apoiar Maia para detonar o chamado “centrão”, personificado na figura de Rogério Rosso.

O “centrão” foi o esquema partidário de poder e de chantagem parlamentar montado por Cunha para ajudar Temer a derrubar a Presidente Dilma. O “centrão” é uma verdadeira excrescência, é uma ofensa à democracia.

A responsabilidade de acabar com o “centrão”, porém, é dos conspiradores Temer, Padilha, Moreira Franco e seus sócios golpistas [PMDB, PSDB, DEM, PPS, PTB], que deram vida ao “centrão” e sempre blindaram o jagunço-mor deste ajuntamento, o multi-réu Eduardo Cunha.

É necessário lembrar que Temer e Padilha usaram a confiança neles depositada pela Presidente Dilma na articulação política para desestabilizar o governo desde dentro, e para tramar o golpe com Cunha e seu “centrão”.

O PT deve, por isso, explicações sobre seu posicionamento, que gerou perplexidade e enorme indignação na base partidária e social. Se for dominado pelo “cretinismo parlamentar” e ficar alheio à realidade de radicalização democrática das ruas, o PT será condenado à intranscendência história.

Este não é um tempo de cordialidade parlamentar. O bom-mocismo, a “boa convivência”, o “tapinha nos ombros” e outros gestos cínicos do convívio parlamentar são conveniências para a narrativa golpista do “funcionamento normal das instituições”.

Na canalhada golpista, não existe o “menos pior”. Todos eles são igualmente nefastos para a democracia. Onde eles estiverem, os democratas e a esquerda devem estar no lado oposto, denunciando-os e escrachando-os permanentemente. Agir assim é estar em sintonia com o sentimento radicalizado das ruas, que não transige na defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito.

A resistência democrática não dá trégua aos golpistas. Não é razoável, portanto, que eles tenham trégua no Parlamento – ali é, inclusive, o lugar onde concretizam os objetivos fundamentais do golpe, aprovando leis e medidas anti-populares e anti-nacionais.

Os golpistas não podem ter sossego um minuto sequer, e jamais devem ser apoiados – o caminho histórico da esquerda, dos progressistas e dos democratas está a anos-luz de distância da trilha percorrida pelos golpistas.

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2 comentários

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antonio josé

14 de julho de 2016 às 21h03

Infelizmente nossos parlamentares, com raras exceções, são o lixo, da pior espécie. Mas quem os escolhe e os coloca lá é o povo, que em última análise é o culpado por tudo o que está ocorrendo no Brasil.

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João Luiz Brandão Costa

14 de julho de 2016 às 18h39

É por causa dessa mentalidade monolítica [a la Rui Falcão] que as coisas chegaram onde estão. Existe, sim, o “menos pior”, é o que os gringos chamam de “second best”. Agora, o impossível [que Napoleão dizia que n’est pas français], infelizmente. está aí. Real. Preferirias o Rossi? Esse é só um pequeno caso. Eu falo é de todo um processo, que foi exacerbado, infelizmente, no último governo.

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