Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

João Santana, caixa 2 e o objetivo único da mídia

Por Pedro Breier

22 de julho de 2016 : 13h24

(João Santana. Foto: Reprodução/TV Brasil)

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

Aproxima-se a votação final do impeachment no Senado e a Lava Jato volta a exercer o seu papel no golpe: subsidiar a mídia cartelizada com manchetes envolvendo o PT para manter a mobilização da opinião pública contra o partido e assim pressionar os senadores a não se atreverem a sair do script golpista.

Aqui cabe um parêntese: uma das muitas evidências de que esse impeachment é uma grande farsa é o fato de que ele não tem nada a ver com a Lava Jato. A operação é usada pra mobilizar a população e os parlamentares contra o PT porque é impossível mobilizar alguém para derrubar a presidenta eleita com a justificativa oficial do impeachment – operações contábeis que não causaram prejuízo aos cofres públicos e foram realizadas sem qualquer questionamento por FHC, Lula, vários governadores e inclusive por Michel Temer no seu mandato interino, claro que agora com o aval do “órgão técnico” TCU -.

Pois bem, a verdadeira tortura de Estado empreendida pela Lava Jato sobre os réus, através da prisão preventiva por tempo indeterminado (na verdade, determinado: até que fechem um acordo de delação premiada que corrobore a linha acusatória) acaba de gerar mais um fruto promissor para a agenda do golpe.

João Santana e sua esposa e sócia, Mônica Moura, afirmaram ontem, em depoimento diante de Sérgio Moro, que receberam US$ 4,5 milhões em uma conta do exterior, oriundos de caixa 2, como quitação de uma dívida da campanha de Dilma em 2010. O casal confessou que mentiu à PF em fevereiro, quando disse que esses valores eram referentes a campanhas realizadas em outros países.

Perguntado por Moro sobre os motivos desse pagamento ter sido feito via caixa 2, já que a mesma pessoa havia doado oficialmente para a campanha petista, Santana elencou os motivos pelos quais o expediente é utilizado largamente, no Brasil e no exterior: os preços das campanhas são altos; os doadores não querem estabelecer uma relação explícita com os partidos e candidatos; há limites legais para doação; para evitar o “leilão” entre doadores.

A relação entre a fartura financeira de uma campanha e a possibilidade de o candidato ser eleito é direta. Assim, não surpreende que o caixa 2 seja prática generalizada. Quem não pratica tem uma desvantagem competitiva enorme, afinal, como referiu Santana, muitos doadores só doam se não houver registro oficial.

O caixa 2 deve ser combatido porque torna a disputa entre os candidatos ainda mais desigual, ferindo o princípio da democracia, que é o da igualdade. Urgente, portanto, pensarmos os melhores mecanismos pra que o caixa 2 deixe de ser corriqueiro. Financiamento público para possibilitar o controle efetivo dos recursos e voto em lista para garantir a igualdade entre os candidatos são boas ideias a serem testadas.

Uma pena que discutir as maneiras de melhorar o sistema político passe bem longe dos objetivos da mídia oligopolizada, o que faz com que esse debate não chegue à absoluta maioria dos brasileiros. A meta da imprensa conservadora no momento é uma só: sacramentar o golpe no Senado. E para isso ela conta com o timing político impecável dos seus fieis parceiros incrustados na burocracia estatal.

 

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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10 comentários

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Rafael Antunes

02 de agosto de 2016 às 10h11

Esse nosso Judiciário, Congresso e as nossas leis só podem ser doidos da cabeça e doentes dos pés, não tem cabimento. Faça a seguinte comparação, um casal que sonegou imposto recebe uma multa de 31,5 milhões só pq trabalhou para o PT, já a VALE que matou famílias, destruiu um rio que corta dois estados e acabou com o meio de vida, cultura e economia de uma regiões recebeu uma multa máxima de 250 milhões e nem uma pessoa presa, levada coercitivamente, nem muito menos encarcerada para delação premiada. Será que o valor máximo de uma multa é só essa bagatela pq a VALE e grandes corporações de empresários financiam campanhas dos grandes partidos políticos? (Do total de 48,85 milhões doados pela VALE: 23,55 milhões PMDB; 8,25 milhões PT, 6,96 milhões PSBD e 3,5 milhões PSB e restante à demais partidos – fonte Carta Captal).
Agora vem uma dúvida, será que se a VALE tivesse financiado a campanha do PT eles perseguiriam ela, assim como tem feito com empresas, empresários e marqueteiro vinculados ao PT? Ou ainda, tirariam a concessão da administradora e a venderiam como estão fazendo com a estatal Petrobras?

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rafaacla

24 de julho de 2016 às 09h30

Ué pq vc apagou o post que dizia que a delação do menino prodígio do marketing era fofoca?

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andreson cassius silva

23 de julho de 2016 às 18h11

Não sou petista mas acusar o PT como sendo desonesto por se utilizar de caixa 2 enquanto praticamente todos os outros partidos se utilizam das mesmas práticas e no mínimo hipocrisia das piores. No Brasil esse caixa 2 virou desculpa para IMPEDIMENTO, para se colocar um partido no poder que faz isso desde sempre de forma muito mais descarada. O PT propôs o fim do financiamento privado de campanha mas os adversários queriam que o partido se abstivesse sozinho pra ficar mais difícil a disputa ficando com o ônus sozinho?

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José Marcelo

23 de julho de 2016 às 09h26

Pior é o PT persistir no erro, não aprendeu nada com o mensalão. Não adianta dizer que todos os partidos utilizam caixa dois, não vai aliviar a culpa do PT. É difícil não ser apolítico quando 98% dos nosso representantes são corruptos, pessoas sem moral que governam na base da conchavos, mesmo que isso traga algo de bom ao povo. No mundo ideal os progressistas não deviam governar desse jeito, como vivemos no Brasil, somos obrigados a viver com essas lambanças.

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Maria Do Carmo Quevedo

22 de julho de 2016 às 19h54

Aproxima-se a votação final do impeachment no Senado e a Lava Jato volta a exercer o seu papel no golpe: subsidiar a mídia cartelizada com manchetes envolvendo o PT para manter a mobilização da opinião pública contra o partido e assim pressionar os senadores a não se atreverem a sair do script golpista.

Aqui cabe um parêntese: uma das muitas evidências de que esse impeachment é uma grande farsa é o fato de que ele não tem nada a ver com a Lava Jato. A operação é usada pra mobilizar a população e os parlamentares contra o PT porque é impossível mobilizar alguém para derrubar a presidenta eleita com a justificativa oficial do impeachment – operações contábeis que não causaram prejuízo aos cofres públicos e foram realizadas sem qualquer questionamento por FHC, Lula, vários governadores e inclusive por Michel Temer no seu mandato interino, claro que agora com o aval do “órgão técnico” TCU

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Pinheiro -

22 de julho de 2016 às 17h45

CHUPA ESSA PETISTAS ! Não tem defesa pra uma acusação quanto esta do João Santana, a defesa agora é “Porque o outro faz errado eu também posso fazer?” kkk, que fase heim….

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    Castilho Fernandes

    22 de julho de 2016 às 19h28

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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João Ostral

22 de julho de 2016 às 18h27

No Brasil247, Em “delação premiada”, João Santana não delata Dilma nem ninguém:
http://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/245386/Em-“delação-premiada”-João-Santana-não-delata-Dilma-nem-ninguém.htm

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Enio Silva

22 de julho de 2016 às 16h04

Impressionante, o que a grande mídia esconde…

Wikileaks: EUA criou curso para treinar Moro e juristas

http://www.esquerdadiario.com.br/Lava-Jato-por-tras-de-Moro-e-da-grande-midia-se-escondem-alguns-dos-donos-do-mundo

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Messias Franca de Macedo

22 de julho de 2016 às 14h05

ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO NAÇÃO DO BEM

Na fantástica (sic) Republiqueta Morina,
a Lei da ‘Guantánamo do Paraná’ – para os(as) inimigos(as), por óbvio – é mais ou menos a seguinte:
“A sua prisão perpétua somente seria revista [ainda assim, apenas revista!] caso você conte tudo o que sabe! E se o que tu sabes não for o suficiente para aquilo que nos interessa, trate de narrar o que não sabe, contanto que seja o que nós almejamos nas ‘nossas laboriosas e profícuas [Risos] investigações’”!
Um exemplo da tradução fática:
[Ah dileto(a) leitor(a), atente também para a, digamos, sutileza do ‘momento delicado’ “enxertado” no título da matéria!]

Delação de mulher de João Santana na Lava Jato passa por momento delicado

A delação de Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana, passa por um momento difícil. De acordo com interlocutores do casal, ela simplesmente não teria mais o que entregar para os investigadores da Operação Lava Jato, que alimentavam grande expectativa sobre o que poderia vir de seu baú.
JÁ SEI DE TUDO
O casal gozava da intimidade de Dilma Rousseff e participou também das campanhas de Lula. Mas boa parte do que Mônica tem dito já seria de conhecimento dos investigadores e teria, para eles, pouco valor.
(…)

CACHOEIRA – perdão, ato falho -, FONTE [IMUNDA!]:http://www1.folha.uol.com.br/c…

… E ‘vamo’ deixando!…

Até cortarem a nossa garganta!
E, aí, roubarão a nossa voz!

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