O último factoide vagabundo de Gilmar e Globo

Livraria saraiva - Shopping Pátio Brasil - 13/03/2013 - crédito|Paulo Guimarães

“E a gente começa essa edição com uma notícia exclusiva”, diz o âncora da Globonews.

Por descuido meu, acordei assistindo mais uma notícia manipulada da rede golpe, desequilibrando minha serenidade matinal.

A “notícia exclusiva” é mais uma patranha de Gilmar Mendes, o juiz-golpista por excelência. Desde o final da campanha de Dilma, ele vem fuçando e refuçando os papeis da campanha da presidenta, à procura de qualquer problema que possa usar politicamente.

Aliás, é positivamente um absurdo que Gilmar Mendes seja o responsável pela investigação da campanha de Dilma. Esses “sorteios”, tanto do TSE quanto do STF, são uma piada.

Gilmar é tudo o que um juiz não deve ser: perseguidor, parcial, partidário, midiático.

Gilmar já teve que arquivar várias vezes a investigação contra Dilma por falta de qualquer prova, mas ele sempre arruma um jeito de reiniciar. A campanha de Dilma de 2014 já é a mais investigada na história do mundo.

A “exclusiva” de hoje é mais um factoide. Uma empresa de Uberlândia que trabalhou na campanha da presidenta mandou papelada para o TSE e os capangas de Gilmar Mendes descobriram que ela estava com alvará atrasado e tinha “apenas um notebook”.

Gilmar Mendes descobriu um novo filão de factoides.

Firmas que prestam serviços durante campanhas não precisam ter grandes estruturas fixas. Podem montá-las para realizar aquele serviço específico e desmontá-las em seguida.

Aliás, essa é a própria lógica do empresário moderno: não ter estruturas fixas, abusar de terceirização. Tanto é assim que há lobbies fortíssimos no congresso para praticamente universalizar a terceirização, de maneira que poderei ser o maior empresário do país sem ter um laptop, um funcionário, um escritório.

Esse tipo de acusação, portanto, é uma falácia.

Qual a acusação? De que a campanha de Dilma teria pago R$ 4 milhões a esta firma e ela não teria feito o serviço?

Ã?

Ora, a acusação não era o oposto, de que a campanha de Dilma e Temer teria feito uma campanha milionária com dinheiro do petrolão e que só se elegeu por causa disso?

Agora Gilmar acusa Dilma de não ter feito campanha?

Esse factoide vai na mesma linha de recente reportagem da Istoé, também vendida como “exclusiva”. Gilmar Mendes está abastecendo a mídia de factoides que ele mesmo inventa enquanto fuça a papelada da campanha de Dilma.

Uma campanha presidencial mobiliza milhares de empresas prestadoras de serviços. O que faz Gilmar? Fuça uma por uma. Uma delas está com alvará atrasado? Perfeito! Cria-se imediatamente um factoide, vazado oportunamente para a Istoé ou Globonews, dizendo que a empresa não prestou serviço de campanha, não poderia ter prestado, que há “indícios” de lavagem de dinheiro.

Essa nova “linha de acusação” é genial, porque permite virtualmente encontrar problemas em todos os contratos de campanha de Dilma, já que não existe empresa perfeita.

Tal empresa tem um computador com defeito? Culpa da campanha da Dilma! Lavagem de dinheiro!

Um dos diretores de outra empresa foi flagrado fumando maconha? Ora, é simples: campanha da Dilma está envolvida em tráfico internacional de drogas!  E assim vai.

Não importa se a coisa não tem lógica.

As acusações contra Dilma não precisam mais fazer sentido. Tudo que se pede são manchetes, chamadas sensacionalistas, que possam gerar uma “atmosfera” de acusação, linchamento, criminalização, para ajudar a consumar o impeachment, na votação final do senado a ocorrer nas próximas semanas.

Vale notar ainda que Gilmar Mendes vazou a informação à Globo de maneira automática. Recebeu os documentos e os repassou à Globo antes mesmo de enviar ao STF.

Esse golpe já se tornou tão previsível!

 

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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