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Juristocracia reage à denúncia de Lula à ONU e o torna réu em Brasília[:en]Partido dos Juízes reage à denúncia de Lula [:es]Partido dos Juízes reage à denúncia de Lula

Por Miguel do Rosário

29 de julho de 2016 : 17h13

Expresso Político – Coluna Diária do Editor

Por Miguel do Rosário, editor-chefe do Cafezinho.

É tudo muito previsível.

Ao mesmo tempo perturbador.

Tudo que lemos nos livros de história, sobre corporações de juízes, na França do Antigo Regime, na Alemanha e Itália em processo de fascistização, na China pré-revolucionária, agindo em bloco, como um partido político, invariavelmente reacionário, contra qualquer mudança progressista na sociedade, vemos se materializar no Brasil de hoje.

Os juízes brasileiros são a face mais evidente, mais perigosa, brutal e agressiva, da atual reação conservadora aos avanços observados nos últimos anos.

Os juízes, qual os que perseguiram os inconfidentes, os quilombos, as lideranças populares da nossa história, de maneira geral, querem cortar cabeças, em particular uma: a de Lula.

No caso do Brasil, há um agravante: uma publicidade midiática opressiva, avassaladora.

O juiz que não aderir ao clima de linchamento, é linchado também. Que o diga o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do STJ, que ousou contestar alguns arbítrios da Lava Jato. Foi o suficiente para se tornar alvo da sanha midiática e da própria Lava Jato, que direcionou suas baterias delatoras contra o ministro.

É uma conjuntura cruel, em que os ministros mais corruptos e mais autoritários são protegidos, blindados, acariciados pela mídia e pelo sistema, enquanto os magistrados mais isentos, mais éticos e preocupados em não aderir ao espírito linchatório que impregna a atmosfera política da ocasião, são atacados, vilipendiados, desmoralizados.

O indiciamento de Lula, por parte de um juiz de Brasília, representa ainda, possivelmente, uma reação do partido do judiciário – ou melhor, do partido dos justiceiros – à denúncia de Lula às Organizações das Nações Unidas (ONU) contra o estado de exceção que vive o Brasil.

Alguns estudiosos, aliás, preferem chamar o partido dos justiceiros de partido da juristocracia, que parece ser um dos piores males da nossa era, pois é uma espécie de reação do autoritarismo ao progresso da democracia no mundo.

Essa juristocracia foi, junto com a mídia nacional (que integra o sistema juristocrático, visto que ela, a mídia, também se transformou num tribunal), protagonista do golpe, e o golpe precisa desmoralizar a figura política que representa tudo aquilo que o golpe veio para destruir.

É preciso aniquilar um ideário centrado no amor ao povo e no respeito a seu voto.

Segundo o ideário golpista, o povo não pode ganhar bons salários, não pode ter tempo para o lazer, não pode ter educação ou saúde públicas, não pode estudar no exterior, não pode ter leis que lhe dêem segurança no trabalho, tem de se aposentar de preferência um minuto antes de morrer.

Para o ideário golpista prevalecer, contudo, é preciso pintar aqueles que defendem o oposto, que defendem as ideias de liberdade política e social para o povo, como ladrões, corruptos, párias.

Além da reação à ONU, o que vemos é também uma intensificação do clima golpista às vésperas da votação do impeachment. Afinal, o golpe foi dado principalmente por dois atores: as castas burocráticas e a mídia. Ambos estão agora trabalhando para assegurar que o golpe se consume sem maiores obstáculos. Para isso é preciso manter Lula acuado, oprimido, debilitado judicialmente.

As acusações à Lula, que são as mesmas para outros sete réus, são surreais. O juiz tirou do fundo do baú as acusações mais subjetivas e vagas de todo o direito penal brasileiro: embaraço à investigação de organização criminosa, que prevê pena de três a oito anos; patrocínio infiel (quando advogado não defende corretamente interesses do cliente – os outros foram considerados coautores), que prevê pena de seis meses a três anos; e exploração de prestígio, que prevê pena de um a cinco anos.

Embaraço à investigação, patrocínio infiel e exploração de prestígio…

Tudo isso numa atmosfera midiática de absurdo linchamento político, com divulgação diária, massacrante, de denúncias (sempre vazias, tipo pedalinhos, “orientação” de cozinha), vazamentos seletivos ilegais, contra o ex-presidente.

É muito pior do que Kafka…

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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13 comentários

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Carlos

31 de julho de 2016 às 03h23

Quando o principal nome da esquerda é alguém de moral extremamente duvidosa já não há o que fazer.

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Wilma

30 de julho de 2016 às 09h25

O PT acreditou que essa plutocracia iria deixar o partido no poder por 16 anos que poderiam se estender a 24? Nem com Dilma botando Joaquim Levy na Fazenda e aprovando lei antiterrorisno. Os algozes do PT foram escolhidos pelo PT, veja o STF e o Janot. Como o PT foi ingênuo! Vejam o papel do PTB e do Joaquim Barbosa no episódio do mensalão e o papel do PMDB e do Temer neste golpe. O PT tem que se repensar e escolher se quer abandonar sua história de vez para alinhar-se à direita a fim de sobreviver ou se irá se alinhar à esquerda e fazer um enfrentamento classista contra as forças do fascismo.

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Geraldo Galvão

30 de julho de 2016 às 00h22

O pior de tudo é que ninguém reage às ações dos golpistas. Eles passam de aeroporto a aeroporto sem serem incomodados. Os atingidos pelas primeiras medidas de corte de direitos adquiridos assistem tudo sem reagir. Chega de manifestação pacifica, é hora de reagir!

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raquel rabbit

29 de julho de 2016 às 21h33

#foratemer Fora golpistas. O Brasil não merece isso. O Lula elevou o nome do Brasil no cenário mundial, é uma figura histórica. Fazer isso com o Lula é uma agressão ao Brasil e nossa história. Golpistas horrendos entreguistas e hipócritas. Judiciário é uma vergonha nacional. Temos três poderes de merda, e uma mídia ignorante e provinciana que não enxerga um palmo diante do nariz.

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CIANOTON_PACE

29 de julho de 2016 às 18h51

#AbaixoOGolpe! #QueHorasElaVolta? #Lula2018! É óbvio que é uma orquestra afinada esse judiciário brasileiro. A nota da associação dos magistrados mostra bem o pensamento truculento dessa gente: no terceiro parágrafo conseguem cometer 2 erros crassos para qualquer jurista (no primeiro, dizem uma mentira, a de que o judiciário recebe controle interno e externo contra excessos dos magistrados. Mentira, vide Gilmar Mendes e o inoperante cnj. No segundo erro, alegam que a ida de Lula à ONU é, pasmem, inconstitucional!!!!!?). Ora, ora, ora, como diria Paulo Nogueira, citando Wellington: “quem acredita nisso, acredita em qualquer coisa”. O judiciário brasileiro, há muito tempo, é uma vergonha; chego a pensar que é pior do que o legislativo. Assim como penso, também, que, infelizmente, não haverá caminho democrático para o Brasil senão pela força. Esperar que essa corja que infesta nossas instituições será capaz de nos levar rumo à democracia é o mesmo que acreditar em qualquer coisa.

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Sandra Francesca de Almeida

29 de julho de 2016 às 18h16

O sistema judiciário brasileiro, com seus juízes esnobes, conservadores e plutocráticios, é a cara do Brasil do golpe, salvando-se algumas honrosas exceções. E a reação contra a ida de Lula à ONU é uma clara demonstração de como funciona o “esprit de corps” dos meritíssimos: bateu, levou! Reação primária, muito primária para quem se acredita semi-deuses.

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    Octavio Filho

    30 de julho de 2016 às 22h28

    Quem se cala, consente!! Então, não há exceções!

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Pedro Pedro

29 de julho de 2016 às 17h58

Ora, no caso, o problema maior é do MPF que levou adiante investigação policial que não traz nada de objetivo, probatório eou evidência sobre o discurso-delator do Delcídio: apenas a palavra dele que, sabem as antas, não vale um arroto. Daí, a “bomba” estourou no colo (sempre lembro de maio/1981) do juizite-substituto (em estágio probatório?) que fez o que todos (mídia, lava-jato,desmoronado, cretinos e idiotas) queriam que fizesse: AMARELOU e optou por receber a denúncia (não seria eu – ele – a salvar o Lula, deve estar dizendo para os seus pais, irmãos, mulher e filhos). Tão amedrontado quanto o stf, o cnj, a corregedoria do cnj et caterva.

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Luiz Henrique Coelho Garcia

29 de julho de 2016 às 17h51

Talvez precisemos, como sociedade, descer ao inferno. Esse pode ser nosso ponto de ruptura. Que prendam Lula. Vamos ver o caos.

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Claudio Freire

29 de julho de 2016 às 18h42

Aproveito para reproduzir aqui, com o devido crédito, um comentário absolutamente preciso que li no blog do Nassif, sobre a reação do corporativismo judiciário ao fato de Lula ter entrado com reclamação na ONU.
Quem fez o comentário foi o André Araújo:

“Se nossas questões devem ser resolvidas no Brasil, porque juízes brasileiros fazem palestras em instituições publicas nos Estados Unidos falando mal do Congresso e do Executivo brasileiros?
Na mesma linha, porque procuradores brasileiros vão e voltam de Washington para visitas ao Departamento de Justiça?
Se não vale lavar roupa suja fora do Pais, tem que valer para todos.”

Beleza de comentário.

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Pedro Pereira

29 de julho de 2016 às 17h42

muito pior

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Carlos Dias

29 de julho de 2016 às 17h16

MIguél, a palavra certa é JUSTICIÁRIO. rsrs

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