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Tirar candidatos dos debates mata democracia

Por Redação

21 de agosto de 2016 : 12h43

Comentário do blog: já temos poucos debates, que em geral ficam em segundo plano na programação das oligarquias midiáticas. Vetar a participação de candidaturas fundamentais como Luiza Erundina, em São Paulo, e Marcelo Freixo, no Rio, é reduzir a democracia, mais um passo para retrocedermos a uma república de bananas.

***

Debates desfalcados

por Bernardo Mello Franco, na Folha

As campanhas municipais mal começaram e já vivem a primeira polêmica. Em São Paulo e no Rio, candidatos bem colocados nas pesquisasprotestaram nesta quarta (17) porque serão barrados nos debates de TV. O veto atingirá Luiza Erundina e Marcelo Freixo, ambos do PSOL. Na capital paulista, também prejudicará Ricardo Young, da Rede.

A proibição é fruto da minirreforma eleitoral aprovada no ano passado, sob a regência do deputado Eduardo Cunha. Pela nova lei, as emissoras só devem convidar candidatos de partidos com mais de nove deputados federais. Isso exclui PV, PSOL e Rede, que nada têm a ver com as chamadas legendas de aluguel.

A regra produzirá uma distorção evidente nos debates. Em São Paulo, Erundina está em terceiro lugar no Datafolha, com 10% das intenções de voto, e não poderá participar. O deputado Major Olímpio tem apenas 2%, mas seu lugar está assegurado, como já observou meu colega Hélio Schwartsman. O major pertence ao Solidariedade, sigla do notório Paulinho da Força.

No Rio, onde Datafolha e Ibope ainda não divulgaram pesquisas, Freixo é tido como um dos candidatos mais competitivos à prefeitura. Em 2012, ele terminou a disputa em segundo lugar, com 28% dos votos.

Defensores da nova lei sustentam que ela permite a participação de candidatos de siglas menores quando houver aval de dois terços dos demais concorrentes. No primeiro teste, essa janela se mostrou inócua. Em São Paulo, Marta Suplicy (PMDB), João Doria (PSDB) e Major Olímpio vetaram Erundina. No Rio, Pedro Paulo (PMDB), Indio da Costa (PSD) e Flávio Bolsonaro (PSC) impediram o convite a Freixo.

Se não for derrubada pelo Supremo, a regra resultará em disputas ainda mais desiguais. O eleitor também sairá perdendo. É nos debates, e não na propaganda obrigatória, que podemos ver como os políticos reagem quando são confrontados e sofrem o mínimo de pressão.

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7 comentários

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Gabriel Moreno

23 de agosto de 2016 às 01h12

Carlos Eduardo e demais membros de “O Cafezinho”, defendo a tese de que nós já vivemos numa ditadura. A perseguição ao Lula, na prática cassando os seus direitos políticos (pois o objetivo de uma eventual condenação dele é apenas este: evitar que ganhe a presidência em 2018) é também uma prova disso. Lamentável a censura ao Freixo e à Erundina, emburrecendo o debate e deixando de levar importantes ideias e pontos de vista à população. E a coisa só vai se intensificar daqui para a frente.

Nossa democracia, tão promissora, indo para a lata do lixo por causa de brincadeira (sim, falo dos que opinam sobre política com ódio e ignorância, que serviram de massa de manobra para o golpe). Não duvido que sequer tenhamos eleições livres já daqui dois anos. Os militares deram o golpe em 1964, dizendo que ficariam só cinco anos, e só saíram 21 anos depois. Esse pessoal não vai sair do poder tão cedo e vai cobrar toda a conta do povo, via os mais diversos retrocessos. Espero estar errado.

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    Dilson Magno

    23 de agosto de 2016 às 13h00

    Se já vivemos uma ditadura, pergunto foi para isso que os coxinhas reclamavam fora Dilma, eu pensava que era para acabar a corrupção no Brasil, inclusive os juízes que toda semana aparecia um para acabar com a corrupção, pergunto sumiram por que? Agora não tem mais corrupção? Todos foram punidos?

    Responder

Cecilia

22 de agosto de 2016 às 13h56

Talvez o PSOL esteja provando do seu próprio veneno. Fez oposição radical e canalha com a direita achando que, ao destruir o PT, colheria seus frutos.Quanta vezes Randolfe Rodrigues, então no PSOL, deu braços para Aécio, Roberto Freire e cia, e foi fazer denúncias contra Lula/Dilma? Deu no que deu. Perdeu toda a esquerda.

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André Caldas

22 de agosto de 2016 às 11h04

O supremo vai esperar um bom tempo… Gilmar Dantas deve sentar em cima… deve ter algum caso mais importante de paçoca no cinema…

Quem sabe, daqui a uns 5 anos o STF se manifeste…

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Eros Alonso

21 de agosto de 2016 às 18h13

As quadrilhas tomaram conta dos partidos.E fizeram leis que os perpetuam no Poder. Um absurdo, Erundina, uma das principais candidatas não participar. Justiça podre.Congresso podre. Empresariado podre.

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Jose Roberto de Lima

21 de agosto de 2016 às 15h53

Tá na hora de começar a enfrentar essa corja. espero que o Haddad deve participar desse debate e denunciar mais essa afronta a democracia. Vamos conferir.

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Dilson Magno

21 de agosto de 2016 às 13h38

Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. Ela abrange as condições sociais, econômicas e culturais que permitem o exercício livre e igual da autodeterminação política.

Brasil mostra a tua grandeza…

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