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Exclusivo! A maracutaia cambial por trás do impeachment

Por Miguel do Rosário

28 de agosto de 2016 : 17h33

Recebemos email de um leitor do blog nos alertando para maracutaias cambiais por trás do impeachment.

Ele nos enviou um artigo para denunciar uma mega trapaça de algumas raposas do “mercado” contra o câmbio nacional, e que nos custou, segundo ele, bilhões de reais, milhões de empregos e um golpe de Estado.

Eles nos fornece, à guisa de prefácio para seu texto, algumas informações e links importantes para se entender o que vem em seguida.

Os leitores mais versados em economia, favor analisem a pertinência do texto, para que possamos aprofundar, se for o caso, essa denúncia.

O erro da Dilma foi acreditar que esse pessoal que se diz do mercado busca o melhor para o país.

Saída de Guido Mantega da Fazenda é por razões ‘pessoais’, explica

8 de set de 2014
Dólar cotado a R$ 2,240
Risco país = 200 pontos

Joaquim Levy = Ministro da Fazenda do Brasil Brasil
Período 1 de janeiro de 2015 = R$ 2,69 = risco = 266
até 18 de dezembro de 2015 = R$ 3,96 = risco = 398

Em janeiro de 2016, quase um mês depois de ter deixado o Ministério da Fazenda, Levy é nomeado diretor financeiro do Banco Mundial (BIRD), em Washington.

Levy foi para o Banco Mundial e Tombini para o FMI.

Mercado tem desconfiança de que, dentre outros, o grande beneficiário nas operações de swap foi o JBS. Primeiro porque era um dos maiores detentores confesso de derivativos, Meirelles foi presidente do conselho e depois por uma nota na Carta Capital dizendo que o JBS teria cedido aviões para que os deputados votassem a favor do impedimento em abril.

http://www.bloomberg.com.br/2015/09/29/a-ousada-politica-cambial-que-esta-rendendo-bilhoes-a-jbs/

Tem um outro fato extremamente relevante:

A manipulção do dólar x real foi divulgada anteriormente lá fora, mas o Banco Central do Brasil fez meio que não viu, pois até hoje ninguem foi multado ou punido. Então viram caminho livre aqui.

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,cotacao-do-real-sofreu-manipulacao-em-esquema-global,1691803

***

O artigo:

O golpe cambial que custou bilhões de reais e roubou milhões de emprego

Autor: Economista revoltado

Desde a reeleição da presidenta Dilma que aquela famosa frase de Lacerda nunca foi tão bem empenhada: “Não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”.

Os ataques sistêmicos da mídia, a imparcialidade da Lava Jato e as pautas bombas no congresso não eram suficientes, era necessário combater o coração do governo, a política econômica e seus benefícios sociais.

Qual o melhor instrumento para se desestabilizar e desarranjar toda uma economia? O câmbio.

Esta não é uma ilação e sim constatação de fatos e dados públicos que vão estarrecer os leitores privados de algumas informações que são notadamente públicas.

No ultimo domingo em entrevista ao programa de Roberto Cabrini a presidenta Dilma reconheceu que um dos seus principais erros foi acreditar em um programa de ajuste rápido proposto pelos economistas de mercado e por uma nova equipe econômica.

A saída do ministro Guido Mantega foi o passe livre para um ataque a moeda. Quando ele dizia: “quem apostar contra o real iria ter prejuízo” é porque sabia dos instrumentos disponíveis e de uma reserva cambial que impediria qualquer ataque. Com o ministro Nelson Barbosa focado nas negociações para liberar as pautas bombas o Banco Central se sentiu soberano para lidar com o câmbio, ai começa a liberação para o ataque já que o BC não tinha preparo ou não queria conter o atropelo que se seguiu.

A entrada do Ministro Joaquim Levy foi como a abertura da porteira para a boiada passar. O real que já vinha se desvalorizando no comando de Barbosa, foi acentuando a alta frente ao dólar na administração de Levy. Aquilo que alguns economistas sensatos pensavam, como a presidenta Dilma, se tratar de um ajuste principalmente das contas externas, não passou de um ataque coordenado visando desvalorizar acentuadamente a moeda e desorganizar todo arcabouço econômico. O terror estava instalado.

Os apostadores não compravam a moeda, mas iam se alavancando nos derivativos, que requeriam uma menor alocação de capital. Quando se compra a moeda o pagamento é integral pela cotação, nos swaps basta a margem para cobrir os ajustes. Pedalando a cotação, como foi feito, para cima os ajustes sempre seriam positivos, até o Banco Central atingir um prejuízo em operações de swaps de R$ 89,66 bilhões no ano de 2015.

O ataque foi feito da seguinte maneira: aproveitando-se da expectativa de um aumento de juros nos EUA e consequente fuga de dólares para a origem, seguindo as demais moedas emergentes os agentes compravam o swap cambial, elevavam a cotação da moeda no mercado futuro e assim, na arbitragem, esse puxava a cotação do mercado a vista, com o real se desvalorizando as expectativas de inflação subiriam automaticamente, o BC subiria os juros, a percepção de descontrole de contas com aumento dos déficits seria crescente e a lógica se auto alimentava até gerar uma crise total de desconfiança que a mídia, cumprindo seu papel no golpe, tratou de propagar.

Mesmo com mais de US$ 370 bilhões em reservas o Banco Central não vendia dólares, preferia ouvir os arautos do apocalipse que chegavam a sugerir que as reservas não seriam suficientes e que a desvalorização iria levar a moeda a R$ 5 e R$ 6. Estava instalada a “crise cambial” que levaria a inflação as alturas, geraria desconfiança na solvência da dívida e se instalaria o “caos econômico” como a bala de prata do golpe.

Com a disparada do dólar em 2015, o BC registrou prejuízo recorde de R$ 89,66 bilhões com as operações de “swaps cambiais”. Foi a maior perda anual da série histórica, que começa, para anos fechados, em 2003. Até então, o maior prejuízo, em todo um ano, havia sido registrado em 2014 (R$ 17,32 bilhões).

Os fatos contradiziam o movimento. Enquanto entre grandes emergentes, só Brasil e Índia não queimaram reservas em 2015 e os demais do grupo como África do Sul, Arábia Saudita, China, Indonésia, México, Rússia e Turquia usaram parte do colchão de dólares, queimando US$ 290,5 bi em apenas sete meses. O argumento era que o Brasil por ter um mercado de derivativos mais desenvolvido que de outros emergentes usava contratos de swap cambial ao invés de vender a moeda. No entanto o fluxo cambial mostrou que não existia saída de dólares e sim entradas, conforme nota do BC dizendo que o ingresso de divisas superou a saída em US$ 9,41 bilhões no ano de 2015.

A combatida venda da moeda com argumento de colocar em risco uma reserva de mais de US$ 370 bi não era por acaso e sim porque qualquer venda não encontraria compradores e faria os preços recuarem rapidamente.

O cenário externo desarmou a bomba programada para ter maior devastação com o FED adiando a subida dos juros nos EUA e os principais bancos centrais reduzindo drasticamente suas taxas para próximo e por vezes abaixo de zero, a pedalada na cotação ficou insustentável por tanto tempo, veio a valorização e o mais grave, o socorro aos apostadores.

Se aproveitando que as atenções do país estavam todas voltadas para a votação do processo de impeachment, quando a cotação se aproximou de R$ 3,50 e passou a gerar prejuízo grande aos apostadores, o Banco Central sorrateiramente realizou uma rodada gigante de venda de contratos de swaps reversos que atingiram o montante de 856.230 contratos. Como cada contrato são US$ 50 mil equivalem a US$ 42,811 bilhões.

A explicação de não comprar moeda e sim realizar swaps reversos é pelo fato de a moeda não resolver o problema do derivativo swap, por necessitar de mais caixa, dinheiro, para travar a aposta e principalmente pelos swaps não terem mercado secundário, e sem liquidez para zerar, só sobrando o mercado de dólar futuro que por ser de pra curto teriam que serem vendidos em quantidades maiores. Com certeza, levaria a cotação rapidamente para baixo dos R$3 e os prejuízos às alturas.

As únicas certezas em tudo isso é que essas operações não foram para hedge, já que hedge é trava que não gera lucro e nem prejuízo e também não foram para remessas.

Conclusão: não foi crise cambial e muito menos ataque ajuste, foi aposta coordenada mesmo e os apostadores quando deveriam, pelas leis de mercado, perder com apostas erradas, foram salvos mais uma vez com o dinheiro público e os responsáveis pela permissão ainda foram promovidos a cargos mais importantes pelos que se usurparam do poder.

Passado todo processo o país não perdeu reservas e a cotação voltou naturalmente para um patamar condizente com o movimento global nas demais moedas. Não foi por acaso que o Real foi a moeda que mais se valorizou no pós-ataque.

É preciso que a sociedade conheça quem foram as instituições que se posicionaram no swap tradicional e quem foram as beneficiadas pelo swap reverso? Foram as mesmas?

Os prejuízos para a economia foram de dezenas de bilhões de reais, geraram o clima de insegurança econômica e política, arrebentaram as contas públicas, quebraram empresas, desalojaram milhões de empregos, aumentaram a inflação empobrecendo as pessoas e ofuscando o sonho de milhões de brasileiros.

Eles não só usurparam do poder e instalaram um programa de governo que não lhes foi concedido nas urnas, mas também assaltaram os cofres públicos em valores maiores que o escândalo da Petrobrás e exterminaram o emprego de milhões de brasileiros.

Essa conta deve ser cobrada.

Quem é que vai pagar por isso?

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Heloi

18 de maio de 2017 às 13h25

Macacos me mordam!
Esse texto ficou atual por demais.
Foi mãe Dinah quem escreveu?
Será que está na delação dos Batistas?
Será que a Maracutaia serviu para comprar votos pró impeachment?
Se faz obrigatório o MP pedir que o BC informe quem participou dessas operações!
Coincidência o criticado ex presidente do BC, Tombini, ser indicado para um cargo de suma importância no FMI, pelo governo atual.
Tem caroço nesse angú!

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Eros Alonso

29 de agosto de 2016 às 15h22

Mas o problema é o barquinho de Lula, ou seria o triplex que não é dele. quem sabe tudo se resolva com o sítio de Atibaia….

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Neo

29 de agosto de 2016 às 08h26

Enquanto isso o povão burro se preocupa com um apartamento no Guarujá…

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Sara

29 de agosto de 2016 às 08h14

Então esta explicado porque esses dois se deram tão bem, nunca foram competentes para tanto. Os EUA remuneram e muito bem seus comparsas nos crimes, ou melhor nos golpes. Os lesa pátria.

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fausto

28 de agosto de 2016 às 21h55

É aquilo que disse Henry Ford nos EUA, no começo do século passado, sobre o sistema financeiro:
“Se as pessoas soubessem como isso funciona, haveria uma revolução amanha de manhã”.
Depois reclamam que em Cuba, Coréia do Norte e URSS foram/são cometidos “excessos”.

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baltazar pedrosa

28 de agosto de 2016 às 21h01

Eu espero que um dia esses golpistas paguem rm dobro o que eles estão fazendo o nosso pais,lembram o que aconteceu com cadaf na Libia,tem uma gajera aí que já estar carimbada,aeciim,serra,o poderoso do stf,o heroi de curitiba da rede golpe,cristovam boquinha livre e tantos outros,espero que o povo acorde dessa letargia e vá para ruas.

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Messias Franca de Macedo

28 de agosto de 2016 às 19h21

Entenda o Golpe dado pelo PSDB junto ao PMDB! Como não vencem nas urnas, puxam o tapete da população e aplicam o programa político que não é aceito pelo povo!

Via The Intercept Brasil
https://www.facebook.com/midiaNINJA/videos/vb.164188247072662/708565485968266/?type=2&theater

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Dilson Magno

28 de agosto de 2016 às 19h19

Dilma nós lutaremos para um Brasil Melhor, esquerda unida jamais será vencida, chega de ricos no poder, 99% da população não é rica, por que será que 99% dos políticos são ricos? Tem que mudar isso colocar 99% de pessoas da classe pobre nesse poder e dar adeus aos playboys.

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    Anderson Dutra

    29 de agosto de 2016 às 07h27

    Tocou no grave erro da democracia citado por quase todos os autores e inclusive explícito no documento anterior a constituição americana, guia pra sua criação, de que na democracia há o risco de que os pobres cheguem o poder e se apossem das riquezas. Neste caso, o papel da democracia é proteger as oligarquias.

    Responder

Dilson Magno

28 de agosto de 2016 às 19h14

De 2015 para cá estão inventando que o rombo nas contas do governo já passa dos R$ 170 Bilhões sabe por quê? Tem que pagar o golpe que custou uns R$ 500 Bilhões toma coxas manés… Logo vão falar que o rombo é de um Trilhão toma mais uma vez coxa Mané… É isso que dá colocar essa quadrilha de ladrões no poder… Lá se vão ás reservas de U$ 400 Bilhões, ou seja, os R$ 1.5 Trilhões vão evaporar mais cedo do que se pensava logo estaremos novamente no FMI. Pobre povo coxinha e eu também vau sofrer meu coração não vai agüentar… Esses golpistas em dois anos já causaram 12 milhões de desempregados com o golpe, só que não vai parar por ai devemos ter uma queda do PIB de 10% com esse golpe, ou seja, os golpistas vão causar algo próximo de 20 milhões de desempregados, e uma redução no PIB de U$ 200 Bilhões de dólares, ou seja, a valores de hoje algo próximo de R$ 700 Bilhões de reais e tem mais vão culpar a Dilma, e tentarão esconder que foram eles os causadores de todo esse roubo.

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