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Uma Titã no covil das ratazanas – Dilma ontem no Senado

Por Bajonas Teixeira

30 de agosto de 2016 : 11h34

Charge: Latuff

Por Bajonas Teixeira de Brito Junior, colunista de política do Cafezinho

Indisfarçável, durante as 15 horas que Dilma esteve no plenário do Senado, o abatimento dos defensores do impeachment. As máscaras faciais do golpe exibiam medo. Quanto mais as horas passavam, e a disposição e clarividência da presidenta se tornavam ainda mais manifestas, mais se estampava nos rostos dos que foram ali para votar a sua derrubada a nítida imagem da desolação. Não era uma desolação trivial. Era mais aquele tipo de desconsolo que costumava brilhar na cara de quem é pego pelo rabo.

Fisionomias de quem não gostaria de ser visto nu, sem ter como e nem para onde fugir, dominavam nas hostes golpistas. E por quê? O que me pareceu foi que a avassaladora defesa feita por Dilma dentro do Senado, numa inversão flagrante dos papeis entre acossada e acossadores, convertia quase que a cada frase, a cova dos leões num covil de camundongos. E cada frase que desnudava o sentido real do processo aumentava o desconforto ao deixar, não um ou outro senador, mas a frente unida do golpe no Senado, exposta diante do país.

Onde estava o problema maior? A sensação é de que o que se estampava ali era a retirada, sem anestesia, da pele de dissimulação que os golpistas andavam vestindo e com a qual se sentiam inatingíveis. De outro, como efeito dessa presumida posição de força, que foi construída ao longo desses últimos meses com o cimento da mídia, o imaginário golpista reduziu Dilma às dimensões planas de uma carta fora do baralho. As expectativas foram brutalmente traídas quando, de repente, tiveram que concluir que, não só Dilma estava viva, mas muito mais ativa e cortante do que jamais puderam imaginar.

E a cada instante, com respostas claras e solene desprezo por inúmeras asneiras e pérolas que rolavam das bocas dos seus inquisidores, a dimensão de Dilma crescia. E isso na proporção exata em que, a cada intervenção golpista, caía a casa do Senado. Intimidados, emudecidos, pouco dispostos a emitir com a mínima convicção às descargas verbais despropositadas e ridículas que costumam  protagonizar, era nítida a reversão de expectativa que, cada vez mais, se tornava um denso clima de velório.

Claro que não se trata do velório do impeachment, ao qual continuam aferrados, mas o velório da sensação de vitória fácil e mar de brigadeiro que achavam que iria prevalecer até o fim do golpe.

No entanto, embora a aliança golpista seja soldada por interesses muito fortes, que nada tem a ver com argumentos e provas, o fato é que a demolição implacável que Dilma realizou dentro da instituição, pode surtir efeitos sobre indecisos. Se ali existir algum indeciso real,  e não apenas simulações de indecisão para vender mais caro o voto pró-Temer, não será impossível que uma meia dúzia de senadores tenha sido abalada na raiz de suas convicções caso, repito, pertençam a uma minoria movida por algum apego à verdade.

Mesmo que esse apego seja o apego à verdade política, já que a imagem de Dilma cresceu enormemente durante suas 15 horas dentro do Senado e, com o brilho do seu desempenho e a limpidez da sua coragem, requalificou-se como figura política de estatura rara. E, é claro, o fato de que sua apreciação pela opinião pública e pelos eleitores deve sofrer uma sensível virada a partir desse episódio. Tudo isso pode abalar convicções.

Não é impossível que, diante desse desempenho e de seus possíveis reflexos políticos, muitos senadores tenham sentido temor e dúvidas sobre o que o futuro político lhes reserva. Um horizonte que estava muito límpido foi conturbado de repente por nuvens pesadas e escuras. Se não podemos nos entregar a devaneios ingênuos sobre as chances de vitória, no entanto já vislumbra-se uma fresta aberta. Aqui é sempre bom lembrar o preceito de Gramsci: Otimismo da vontade e pessimismo da inteligência.

Quem até agora, por mais que os golpistas arrotassem vitória, não desanimou no combate ao golpe, mesmo que sem se deixar arrastar por esperanças fáceis, reconhece que a performance de Dilma no Senado abriu brechas numa compacta expectativa pessimista para as próximas horas. Mesmo que as possibilidades de reversão sejam remotas, que apostar numa reviravolta seja tão pouco razoável como o foi na votação da Câmara, alguma chance agora existe.

E, certamente, nesse momento, as apostas de Temer estão dobrando nos bastidores, os indecisos estão recebendo promessas as mais sedutoras, e tudo isso terá um peso também. Portanto, só nos resta esperar. Quem viver verá.  Assim como a extraordinária defesa de Dilma foi capaz de abalar as expectativas mais pessimistas, outras surpresas podem sobrevir, embora não seja razoável contar com elas.

Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, UFRJ, autor dos livros “Lógica do disparate”, “Método e delírio” e “Lógica dos fantasmas”. É professor do departamento de comunicação social da UFES

 

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12 comentários

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Luiz Baptista

30 de agosto de 2016 às 13h15

Dentro os escroques da oposição que tentaram em vão denegrir a imagem da presidente, cinco se destacaram: caiado e um tal de ataídes oliveira (vide carlinhos cachoeira) pelo despreparo, álvaro dias e cunha lima pela hipocrisia e finalmente josé anibal pela ignorância.
Triste país bananeiro que coloca essa gentalha no senado.

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Messias Franca de Macedo

30 de agosto de 2016 às 12h47

GLENN GREENWALD: PRESIDENTE ELEITA É TIRADA POR GANGUE DE CRIMINOSOS

Jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do site The Intercept, faz a crítica que a imprensa brasileira não faz sobre o processo de impeachment: “uma presidente eleita duas vezes está sendo tirada de seu cargo por uma gangue de criminosos, para pôr no lugar uma facção de direita não eleita e inelegível”

30 DE AGOSTO DE 2016

(…)

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/252469/Greenwald-Presidente-eleita-%C3%A9-tirada-por-gangue-de-criminosos.htm

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Jar Borah

30 de agosto de 2016 às 12h42

ficaram com tanto medo que ela vai vazar do mesmo jeito !

Ao invés do tigre, usar uma anta . Ela despeitou as instituições desde o começo . Não usou a inteligencia de um felino . Só a truculência habitual de uma anta que é.
O foro privilegiado acaba amanhã querida. Vai ficar como todos os mortais e enfrentar a justiça

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    enio pires

    30 de agosto de 2016 às 13h58

    O JUCA RENÃ CUNHA SARNEI FHC+FMI E OS 400 ladrões

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      Jar Borah

      30 de agosto de 2016 às 14h45

      então. esses vão ficar!!!! todos. Mas quem os colocou lá ? Foi analise de currículo ?

      Toda eleição a mesma coisa. caimos no canto da sereia do marqueteiro

      Responder

        Sara

        30 de agosto de 2016 às 16h28

        A única anta aqui é vc que comemorar a saída de uma pessoa honesta através de um golpe, que esta envergonhando o Brasil para que um bando de bandidos que vão socar no teu c** governe.
        E idiota diferente dos senadores que lá estão a Dilma não precisa de foro pois não cometeu nenhum crime é a pessoa mais limpa que existia no congresso.
        Vc é um jegue alienado, que daqui um tempo quando a agua começar a bater na bunda vai ficar escondidinho.
        “Todos” vão enfrentar a justiça kkkkkk Sendo que os honestos saem e os bandidos estão ficando kkkkkkkkkk

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          Jar Borah

          30 de agosto de 2016 às 22h43

          O bandido principal foi colocado por vc. O Temer. A água vai bater na sua bunda.

          Olha macaquinha amestrada de marqueteiro. Corre em Curitiba pois seus heróis tão lá presos viu?

          Amestrada do João Santana e da Mônica Mourae diga? Cadê a comoção social contra a saída da inocenta? Nem lá foram para defende-la …. Tadinha… Inocente e vocês tudo trancadinho em casa .

          Covardia amestrada kkkk tenho pena

        Adriano

        30 de agosto de 2016 às 16h40

        Desde que o Borah descobriu que aqui podia ser humilhado, abusado e padecer nas mãos de gente mais inteligente, tomou gosto e não consegue mais sair. Já disseram que foi abusado na infância por padres pedófilos. Todo mundo já percebeu que, por trás das risadinhas, ele é um grande Goza(dor).

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          Jar Borah

          30 de agosto de 2016 às 22h46

          Falou o grande comentarista de esquerda. Foi para Brasília defender a inocenta? Tadinha da anta, ninguém lá pra defender… Ficou trancadinho em casa macaco amestrado do João Santana? Corre em Curitiba libertar teus heróis políticos . Vai lá oferecer o corpinho pro Dirceu , inocente.

          Olha !!! O João Santana vaibte oferecer um bolsa amendoim viu? E um bolsa banana . Vem de brinde uma camiseta do PT com a cara da Dilma. Sai na rua com ela machão..

    Anders On

    30 de agosto de 2016 às 22h40

    Engraçado ver negro defendendo oligarca, é muita ingratidão e burrice, totalmente midiotizado pela globo.

    Responder

      Jar Borah

      31 de agosto de 2016 às 05h52

      ? Não entendi meu grande amigo manipulado de marketeiro.

      Como vai seus adestradores ? João Santana e a Mónica Moura?

      Responder

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