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‘Só os alienados não percebem que estamos caminhando celeremente para uma ditadura civil’

Por Redação

12 de setembro de 2016 : 09h44

Marcha de policiais militares durante ato ‘Fora Temer’, em São Paulo (Foto: Mídia NINJA)

Marcha acelerada para a convulsão social

por J. Carlos de Assis

Só os alienados não percebem que estamos caminhando celeremente para uma ditadura civil. Não é difícil ver os seus sinais: grandes manifestações de rua justificadas pela previsível reação de milhões de pessoas ao golpe que atrofiou a Constituição e derrubou uma presidenta legítima; alastramento dessas manifestações; prisões arbitrárias de manifestantes; bloqueio de todos os canais institucionais para o exercício da democracia, levando à revolta e ao desespero de grande parte da opinião pública; manipulação do Judiciário em favor do golpismo e da proteção de políticos da situação envolvidos com a Lava Jato.

Tudo isso está acontecendo agora, sob os nossos olhos. Mas há o que podemos prever para algum momento em futuro não muito distante: não é impossível que em alguma dessas grandes manifestações populares no país a repressão mate um ou dois participantes, ou talvez mais; não será surpresa que a ira sagrada pelos mortos levante manifestações ainda maiores; a pretexto de garantir a ordem pública a repressão passa a prender não 20 ou 30, mas centenas; daí para a frente é apenas um passo para a decretação do Estado de Defesa e eliminação das liberdades individuais por tempo indeterminado.

O processo transcorrerá com grande fluência porque, pelo menos na Câmara, o governo usurpador conta com larga maioria. Tem maioria também no Senado, mas neste caso por margem menor. A salvação da República, pelo menos num período intermediário até as eleições de 2018, poderá estar nos poucos senadores da situação que, por razões de consciência e espírito público, decidam bloquear as iniciativas governamentais mais extravagantes aprovadas na Câmara. Eventualmente, no caso de ampla convulsão social, é possível que os golpistas se livrem de Temer. Isso altera pouco o roteiro.

Se se livrarem de Temer neste ano, terá de haver, para manter as aparências de institucionalidade (e isso é essencial para assegurar a fidelidade dos militares), eleições diretas para presidente e vice. Pareceria ser uma coisa normal porque a rua já pede diretas-já. É um paradoxo. Os progressistas estão preparados para uma eleição direta para presidente e vice? Não apostem muito em Lula: as forças gigantescas que se aliaram para derrubar Dilma por cima da Constituição jamais permitirão a elegibilidade de Lula em termos normais. Talvez não o prendam por medo das consequências internas e internacionais. Mas certamente o condenarão exclusivamente para torná-lo inelegível nos termos da lei da ficha limpa. Tudo sob a aparência da legalidade.

Se Temer for empurrado até o ano que vem, e então derrubado pelos golpistas, será o caso de eleição indireta para um mandato complementar até 2018. Aí será o caso de escolher um candidato em eleições indiretas confiável aos golpistas, talvez do tipo de Fernando Henrique Cardoso, que aparecerá aos olhos dele mesmo e dos golpistas como o grande pacificador nacional. Claro, isso em nenhuma circunstância apaziguaria o país. O que iria requerer mais repressão, talvez mais mortes, e certamente mais ditadura civil, com muita gente, em consequência, decidindo ir para a clandestinidade, e daí até a guerra civil.

Esse comentário está longe de ser catastrofista. É puro realismo. Só escapamos desse roteiro se formos capazes de condicionar a forte emoção sob a qual todos estamos com um mínimo de racionalidade política. É preciso criar uma conexão entre as manifestações de rua e a maioria do Senado Federal, independentemente de partidos políticos, para evitar que este governo escale nos projetos de emenda constitucional mais aberrantes em termos de violação de direitos consagrados de cidadania. Se isso acontecer, certamente não teremos forças para propor medidas progressistas, mas podemos resistir a medidas regressivas. E teremos tempo para preparar adequadamente 2018 sob a bandeira da Aliança pelo Brasil e de outras forças progressistas!

J. Carlos de Assis – Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, coordenador da Aliança pelo Brasil.

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8 comentários

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Eduardo Albuquerque

12 de setembro de 2016 às 12h04

O republicanismo derrubou Dilma. Está mantendo Temer. As saídas de blogueiros, jornalistas – nao raro mais “sábios” que as organizaçoes sociais – sao sempre para que as pessoas, ja violentadas nas ruas, se adequem a uma ordem constitucional , sim a que foi rasgada ha menos de um mês. Enfim, a rebeldia, ficará aprisionada em cartazes, faixas. Os partidos de esquerda ou à esquerda, juntos ou separados nao ameaçam Temer e cia. Manifestaçao todo dia pra ingles ver.

Responder

Torres

12 de setembro de 2016 às 10h50

puro realismo, hein…
a repressão está demais mesmo.
parece a China!!!
Koreia do Norte é aqui!!!
prenderam, pasmem, 3 manifestantes!!!
que absurdo!!!
isso é uma ditadura.
só não vê quem não quer!

Responder

    Antonio

    12 de setembro de 2016 às 16h12

    torres de idiotice!

    Responder

      Torres

      12 de setembro de 2016 às 17h20

      ah, Antonio…
      não argumenta, não se expressa…
      é somente um comentário sem nenhum sentido.
      parabéns.

      Responder

        João Luiz Brandão Costa

        12 de setembro de 2016 às 18h18

        Como sem nenhum sentido? Se tu te dás ao trabalho de ler esse blog, ler os posts, postar e responder. o que é não ter sentido? Então, sem estresse cara, vá não ter sentido na p.q.p. E vê se não nos fode mais a paciência…..

        Responder

          Torres

          12 de setembro de 2016 às 18h22

          ah, Antonio, de novo.
          comente, mas faça um comentário pertinente com o assunto.
          sem estresse, cara.
          mas desse jeito que vc faz, fica parecendo um retardado.

        Rafael

        24 de abril de 2017 às 02h55

        Pura verdade. Eu mesmo estou sentindo muito isso na cidade onde moro, Ponta Grossa, uma cidade extremamente conservadora. Aqui não tem manifestação, é uma cidade morta de extrema direita, e foi uma cidade que não sofreu com a ditadura militar, não houve tumultos ou protestos, pois já escutei conversas de muitas senhoras dizendo que foi um período muito bom de se viver e inesquecível: quase todos os habitantes apoiaram a covardia!!! É uma cidade rural, muito industrial e muito burguesa, por isso mesmo.
        Estou percebendo uma frieza e autoritarismo por parte dos burgueses em relação aos simples e humildes, inclusive comigo mesmo, que sou diferente de todo mundo, e que tenho ideal de igualdade para todos. Odeio política, não sou de direita nem de esquerda, nem capitalista e nem comunista; eu sou a favor de uma humanidade justa, da igualdade e da fraternidade para com todos…

        Responder

        Rafael

        24 de abril de 2017 às 03h07

        O seu Torres, se tu acha que não tem sentido, ou tu és alienado, ou um burguesinho autoritário, de comportamentos e costumes desviados da Humanidade, característica de toda sociedade burguesa como uma espécie de sociedade “autista”, que só vivem no mundo deles…

        Responder

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