Paris Café: O PT tem um projeto de governo? Qual é?

Maringoni rebate colunista da Folha: ‘o Psol não é antipetista, está à esquerda do PT’

Por Redação

23 de setembro de 2016 : 12h19

O Psol não é antipetista, está à esquerda do PT

por Gilberto Maringoni

A Folha publicou nesta quarta (21) o artigo “PSOL deveria mirar o exemplo europeu ao tentar fragilizar o PT”, de Mathias de Alencastro.

O mote é aparentemente nobre: como unificar as candidaturas progressistas e evitar uma vitória da direita na eleição paulistana?

Segundo o articulista, “a duas semanas do primeiro turno, está claro que para o PSOL as eleições municipais são uma oportunidade histórica de tomar o lugar do PT como líder da esquerda”.

Claro para quem, cara pálida?

O objetivo do PSOL é engrossar o movimento social que cresce de norte a sul contra o golpe de direita, perpetrado por PMDB, PSDB e DEM, impulsionado pela mídia e sob os auspícios do grande capital.

O objetivo do PSOL é combater a onda reacionária que se materializa no tripé congelamento dos gastos públicos, retirada dos direitos dos trabalhadores e avanço das privatizações.

É impedir o rompimento dos pactos democráticos de 1988 (Constituição Cidadã) e de 1943 (CLT).

Apesar de os governos petistas terem propiciado avanços sociais em tempos de demanda externa aquecida, quando os ventos mudaram, logo capitularam ao ajuste fiscal radical, que marcou o segundo mandato de Dilma Rousseff.

O PSOL não almeja ser um partido antipetista, mas um partido à esquerda do PT.

Até porque o PT não se resume à sua direção e há incontáveis petistas de valor. É algo vital em uma sociedade que enfrenta a mais grave recessão desde 1933.

Por força de sua pequena e aguerrida bancada e de sua militância, o PSOL saiu com grande autoridade política do processo de golpe, denunciando e iniciando o processo que resultou na cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Por isso, o partido foi brindado com a chamada Lei da Mordaça —13.165/2015—, que o condena à invisibilidade de dez segundos nas inserções de TV e rádio. Obra de Eduardo Cunha, sancionada por Dilma.

Este espaço não me permite examinar as rasas apreciações de Alencastro sobre partidos de outros países.

Vou me ater ao Syriza. Em um cenário complexo, a agremiação de Alexis Tsipras sofreu pesado ataque da troika —Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI— e conheceu forte isolamento internacional.

O país de 11 milhões de habitantes e com um PIB quase 1/14 o da Alemanha foi derrotado por uma correlação de forças adversa.

Mathias de Alencastro não vê isso, assim como passa por cima de situações intrincadas aqui no Brasil.

Apenas quero lembrá-lo que unidade se faz a partir de um programa comum e não por negociações de tempo de TV ou acertos pouco claros.

O resto é briga de torcida.

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21 comentários

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Paulo Zeka

10 de outubro de 2016 às 13h50

PSOL nem de esquerda nem de direita; oportunistas isso sim!

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Daniel

23 de setembro de 2016 às 22h56

O PSOL e mais um ensaio tipo Marina, eles sao progressistas que sonham, ate ai seria o ideal, governar sem aliancas, neste modelo de sistema politico que esta moribundo. Nao existe esta de mais a esquerda que o PT. Mais a esquerda que o PT tem que ser puro comunismo, nem o PCdoB mais o pratica. Estes caras sao uns lunaticos que mais atrapalham a uniao da esquerda e mais atrasam o Brasil, pois permitem que com a divisao da esquerda e direita deite e rola. E’ na verdade burrice e suicidio ideologico. No fundo, uma turma que procura uma agenda propria, vao morrer nanicos. Ou a esquerda se une ou nossa SOBERANIA vai pro lixo. Chega de egoismo e de serem pedanticos.

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ari

23 de setembro de 2016 às 18h52

Infelizmente o PSOL aos poucos caminha para uma posição de centro. No ano passado, eu ouvia numa rádio de Juazeiro/Ba, um advogado da cúpula do PSOL local. Seu discurso em nada diferia daquele do PSDB, inclusive criticando os governos do PT por gastarem demais em políticas sociais.

Partido da pequena burguesia, cuja grande virtude é a ética, o que foi muito bem explorado pela UDN e pelo Jânio, está destinado a ser o que é, uma pequena aglomeração, colocando-se sim como fator de divisão da esquerda. Basta ouvir o Chico Alencar, sempre criticando o PT.

Gosto sempre de lembrar que, nos anos 30, quando Mao enfrentava o Kuomitang pela tomada do poder, a China foi invadida pelo Japão. Mao então alia-se a seu inimigo para expulsar o invasor.

Como dizia meu falecido sogro, “Deus me livre dos amigos que dos inimigos me livro eu”

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Eduardo Albuquerque

23 de setembro de 2016 às 16h49

Sao Paulo é a unica cidade do pais onde o PSOL consegue fazer oposição ao PT como se a Dilma e Lula ainda fossem Presidentes. Mesmo se autoafirmando como à esquerda do PT, de fato, não escapam do republicanismo que aparentemente, por fins eleitorais , crticam. Quem nao se pergunta, jogando conversa fora, o que de fato o PSOL trouxe ate agora para governar uma cidade como Sampa e Rio? Enfim, saindo do PT, Erundina e Marta, tentam se recriar eleitoralmente para mandatos parlamentares futuros. A raiva que as move por nao terem espaço no PT vai ludibriando , ora o esquerdismo ora os coxinhas.

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    Daniel

    23 de setembro de 2016 às 23h00

    Correto e no final, este suicidio ideologico leva a direita de volta ao poder. E os tucanos agradecem.

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Rogério Maestri

23 de setembro de 2016 às 13h29

A interpretação do PSOL é clara, é o que se chama um partido socialista pequeno burguês. Ou seja, um partido que tem sua base quase que exclusivamente em meios universitários e está desvinculado de qualquer movimento operário.
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Isto não quer dizer que o PSOL é um partido traidor, ou um partido que quer voluntariamente destruir uma unidade de esquerda.
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Como um partido pequeno burguês ele tem uma plataforma de luta típica destes partidos, que por exemplo dão mais ênfase a corrupção que existe no capitalismo do que o capitalismo representa.
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Vejam até hoje o PSOL vem com uma plataforma do tipo “nós não somos corruptos” como se algum partido, mesmo os de direita quisessem ser corruptos.
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Qualquer partido em si mesmo não é corrupto, porém alguns adotam plataformas políticas que mais dão abertura a sistemas corruptos de poder, mas isto não é programático e não é base de nenhum partido.
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Este tipo de lema: – Nós não somos corruptos – É um problema sério para partidos como o PSOL, pois quando eles assumem qualquer prefeitura em qualquer parte do país, por mais honestos que são os líderes e os militantes de base, naturalmente surgirão oportunistas que utilizarão o governo para ganhar dinheiro.
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O problema principal da existência de partidos como o PSOL é que os mesmos impedem que as discussões sejam feitas de forma correta. Por exemplo, se há corrupção é porque há condições objetivas para que elas ocorram, não porque um líder partidário fundou um partido baseado num esquema mafioso.
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Quanto Haddad ter dito que o golpe não era golpe foi uma das manobras que a imprensa paulista montou para divulgar uma resposta incompleta, Haddad disse exatamente o seguinte:
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“Quando você fala em golpe, é uma palavra um pouco dura que lembra a ditadura militar, que foi apoiada inclusive pelos meios de comunicação. Então o uso da palavra golpe lembra armas, lembra tanques na rua, lembra encarceramento injusto de pessoas que foram submetidas à tortura. Mas eu considero que o processo não está seguindo o rito previsto na Constituição”
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Ou seja, ele quis de forma equivocada diferenciar o golpe dos dias atuais do golpe militar de 1964. Foi uma tremenda furada em termos de análise política, porém em nenhum momento ele classificou o golpe como um processo democrático.

Responder

    Daniel

    23 de setembro de 2016 às 23h01

    E o mesmo que FHC, sociologo com apartamento em Paris. Sociologo que detesta o cheiro da massa, a nao ser a massa cheirosa. Sociologo que adora pobres nas telas de Di Cavalcanti. Estas duas, em vez de ficarem no PT e tentarem melhorar o partido, jogaram a toalha por puro egoismo, queriam ser estrelas dentro do partido, nao conseguiram e agora falam que o PT saiu delas e nao elas do PT. Que discurso de perdedores e egoistas chateados e magoados. Por que nao ficaram lutando no que acreditavam, pois ha linha dentro do PT que concordavam com elas. Para mim, so facilitam o trabalho da direita, e estes partidos nanicos como o PSOL e’ tao responsavel pelo golpe como a propria direita, por ter criado um agenda utopica. Aqui no cafezinho mesmo, bateram forte na Dilma nos primeiros meses de seu segundo mandato, ajudando a direita a se fortalecer. Bando de hipocritas. Nao conseguem mesmo colocar o povo em primeiro lugar. Um bando de teoricos lunaticos. Enquanto sonham, a direita entrega nossas riquezas. Mais a esquerda que o PT na pratica teriam que estar nas ruas com armas nas maos. Virtualmente nao vao parar o assalto dos entreguistas, isto sim seria o papel mais a esquerda que o PT. Frouxos. Vao perder e eleicao em Sampa, e entrega-la de bandeja para os zumbis da midia.

    Responder

      Osmar Gonçalves Pereira

      24 de setembro de 2016 às 21h06

      Sociólogo com bolsa de pesquisa da Fundação Ford.

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        Rogério Maestri

        18 de outubro de 2016 às 12h30

        Sem falar que os US$ 145 mil entregues pela Fundação Ford a FHC através do Cebrap que ele inventou em 1969, pertenciam à agência de espionagem norte-americana (CIA), coisa que foi revelada no livro da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editado no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro)

        Responder

Luiz Baptista

23 de setembro de 2016 às 12h55

Essa análise da folha, tendenciosa é óbvio, porém o nobre prefeito Fernando Haddad tem seguido uma linha ideólogica, ao nosso ver, correta administrativamente e titubeante na comunicação.
Chegou a dizer que o golpe não era golpe e isso é muito ruim para o engajamento da esquerda em sua campanha.
A dep. Luiza Erundina, como sempre, tem mostrado convicções sólidas sobre tudo que está acontecendo no país.
Não digo que Haddad seja um quinta coluna, como se supõe ser o José Eduardo Cardozo, porém o momento exige uma postura de combate em tempo integral, que faltou nas oportunidades que teve nossa ex-presidenta.
Independentemente de patrulhamento ideológico o PT e PSOL irão se unir, mais cedo, ou mais tarde e disso resultará uma nova frente ampla de luta, na qual as coalizões com a direita jamais se repitam.

Responder

    Daniel

    23 de setembro de 2016 às 23h18

    No momento o dois cometem suicidio eleitoral. Os dois vao ficar de fora por pura burrice ideologica. E Sampa vai eleger um zumbi medieval. Espero estar errado, por esperanca, mas acho improvavel.

    Responder

Jose X.

23 de setembro de 2016 às 12h51

o PSOL é oportunista, nunca deixou de ser, desde que foi criado, como mostra aquela famosa foto da Heloísa Helena comemorando ao lado dos barões do PFL uma derrota do governo Lula no congresso

mais recentemente o PSOL embarcou com tudo nas “jornadas de junho” de 2013, e já sabemos no que isso deu…

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    Terceira Onda ?

    23 de setembro de 2016 às 14h02

    Exatamente por essas jornadas, que o PSOL não deve ser perdoado nunca ! ¬¬”

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      Osmar Gonçalves Pereira

      24 de setembro de 2016 às 21h02

      Não, por favor, não chame aquilo de “jornadas”.

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    Daniel

    23 de setembro de 2016 às 23h21

    Cada um tem uma historia particular de egoismo dentro do PT, destas que sairam, Heloisia Helena, Marina, Erundina, Marta. Dois exemplos que e’ notorio, Marta ficou chateada por que Dilma chamou Gleisi para Ministra Chefe da Casa Civil, e Marina por que Lula preferiu Dilma como candidata em 2010. Isto mostra os carater destas duas.

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Virgens Kamikazes

23 de setembro de 2016 às 12h45

O problema é que o que diz o PSOL não condiz com o que faz o PSOL. O discurso é lindo e maravilhoso. Mas, na prática, fazem exatamente o oposto do que dizem.

Mas vamos ao que acontece na prática. Como foi que a turma da Heloísa Helena ganhou as primeiras prefeituras para o PSOL lá no norte? Fazendo aliança com o PSDB sob o argumento de ter que derrotar o PT. Pois é, conseguiram de fato derrotar o PT, mas agora quem manda lá é o PSDB. Meus parabéns.

Agora vamos às eleições de 2014. O discurso de Luciana Genro nos debates também foi ótimo: controlar os grandes bancos, auditoria da dívida etc. Se política fosse um concurso para ver quem term razão, e não luta pelo poder, ela certamente teria ganho. Mas as coisas ficaram estranhas após o 1º turno, que revelou claramente que o povo brasileiro havia dado uma guinada à direita (aliás, outro fracasso retumbante de PSOL, PSTU, PCO etc., pois os fascistas deram uma aula a esses partidos ditos de vanguarda/revolucionários de como tomar as rédeas de uma revolta popular, em junho de 2013). Luciana Genro então disse que os que votaram no PSOL deveriam votar nulo/branco (!!). Para a nossa sorte, os deputados do PSOL foram muito mais sensatos e falaram para votarem na Dilma. Depois, Luciana disse que não havia golpe, e que o Brasil precisava de um novo junho de 2013 (!!).

Por fim, temos agora as eleições de 2016. O discurso do PSOL novamente é ok, mas vejamos os fatos: Erundina contra Haddad (o prefeito mais de esquerda que o PT já colocou em SP). Quem disser que isso não vai custar o 2º ao Haddad está de brincadeira. Quem disser que isso vai galvanizar a esquerda paulistana está de brincadeira maior ainda. Para ser justo, é fato que o PT está implodindo a candidatura do Freixo no Rio de Janeiro ao apoiar a Jandira Feghali (PCdoB). Se o PSOL realmente estivesse a fim de unificar a esquerda contra o golpe, deveria entrar em contato com o PT e assumir o compromisso de abrir mão de Erundina em troca do PT/PCdoB abrir mão de Jandira. Isso com certeza nem passou pela cabeça da direção do PSOL.

Todo partido de esquerda tem o direito e a legitimidade de querer superar o PT. Só peço, por favor, que de fato façam o que dizem querer fazer, e não agir como um bando de hipócritas.

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    Daniel

    23 de setembro de 2016 às 23h23

    A mesma nova politica praticada por Marina Silva. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    Daniel

    23 de setembro de 2016 às 23h28

    PSOL devia mudar de nome para PSII, i.e. Partido Sem Identidade Ideologica.

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Carlos Dias

23 de setembro de 2016 às 12h36

PSOL almeja ser o que o PT é… Apenas oportunistas que não tiveram caráter e coragem de permanecer no PT enquanto éramos sabotados e caluniados pela mídia direitista. A História costuma ser cruel com traidores, vira-casacas, covardes, oportunistas e congêneros.

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    Rogério Maestri

    23 de setembro de 2016 às 13h38

    Não esqueça que Trotsky para desqualificar Stalin, disse que o Nazismo era igual ao regime soviético, e por isto não deu a mínima ênfase no combate ao Nazismo.
    .
    Como o PSOL é um partido que não se diz comunista, mas sim socialista vinculado a não sei bem a que princípios políticos, pode-se esperar do PSOL qualquer coisa, pois no nome do partido Partido Socialismo e Liberdade ele coloca a Liberdade logo após ao Socialismo como se num partido Socialista poderia não haver programaticamente a Liberdade.
    .
    Ou seja, ao meu juízo a REDUNDÂNCIA que resulta o nome do partido indica que os mesmos acham que o socialismo pode vir a ser autoritário, simplesmente um verdadeiro desaforo a todos os pais do socialismo que alguns chamam de socialismo utópico, estes senhores eram pessoas que só viam uma sociedade possível, uma sociedade socialista e por consequência com liberdade.

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    Daniel

    23 de setembro de 2016 às 23h24

    Ditto. Esta e’ a cara do PSOL, covardes, vira-casacas. E como se eu mudasse de time de futebol que nao ganha campeonato ha mais de 20 anos.

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