Análise da reunião ministerial de Bolsonaro

Política da “dor e do sofrimento” – Aposentados por invalidez são as novas vítimas

Por Bajonas Teixeira

13 de outubro de 2016 : 11h12

 Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

O governo de Temer é um governo que, por vingança de classe, quer produzir o máximo de dor e sofrimento para suas vítimas. Emprega o mesmo método policial e vingativo planejado, em 2012, para o ‘tratamento’ de viciados em crack pelo governo de Geraldo Alckmin, em São Paulo.

Naquela época o secretário de Justiça de Alckmin, ao justificar a política de violência e repressão imposta na Cracolândia, defendeu que a situação dos viciados seria resolvida com “dor e sofrimento”. Segundo ele, o objetivo das medidas tomadas não era convencer os usuários a buscarem tratamento, mas tornar a vida deles insuportável – “Não é pela razão, é pelo sofrimento”, afirmou.

A PEC 241 começou atingindo as crianças com deficiência. Alegando “contrariedade ao interesse público”, o presidente Michel Temer vetou o artigo que elevava os recursos destinados às “prefeituras que cuidam, nas creches municipais, de crianças com deficiência, amparadas pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC)”.

Hoje, o jornal O Globo noticia que os aposentados com invalidez começam a sentir na pele o sofrimento planejado por Michel Temer:

“Alguns bancos de médio porte, com forte atuação no segmento de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas, começaram a suspender esse tipo de financiamento a clientes com menos de 60 anos que estão aposentados por invalidez. Isso porque 1,1 milhão desses benefícios, concedidos há mais de dois anos, estão sendo revisados, e quem for considerado apto a voltar ao mercado de trabalho ou não comparecer à perícia perderá a aposentadoria, segundo informou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Como a prestação do consignado é descontada diretamente na folha de pagamento do INSS, os bancos temem que muitos desses clientes possam ficar inadimplentes.”

Para quem tinha ainda alguma ilusão, esses fatos servem para demonstrar que o governo Temer não poderá, para se legitimar com as elites do grande capital e com a classe média zumbi que consome a droga (em forma de entretenimento e informação) traficada pela Globo, deixar de impor a maior quantidade possível de “dor e sofrimento” para os pobres no país.

O que os bancos temem, na verdade, é que sendo 99% dos médicos peritos favoráveis ao golpe de Temer, venham a rever em massa, sem consideração pelo sofrimento efetivo, as aposentadorias dos pobres inválidos. Os grupos que apoiam Temer querem sentir o contentamento de ver montado o inferno na Terra para aqueles que, supostamente durante o governo Lula, eram os grandes beneficiários dos recursos sociais. A visão do sofrimento é o que garante, para as elites e a classe média, que a era Lula está sendo varrida. Por isso, o governo Temer capricha tanto em sua política malévola.

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9 comentários

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Tercio

14 de outubro de 2016 às 10h02

Eu acho isso ótimo . Se o povo não entender quem está ao seu lado e quem não está , é porque merece passar por isso . Até conscientizar-se da realidade .

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Welbi Maia

13 de outubro de 2016 às 17h00

O colunista foi muito infeliz em fazer comparação das ações do governo Temer com as ações do governo Alckmin na região da cracolândia em São Paulo. O colunista parece desconhecer que o governo de SP age na região em duas frentes: a primeira no combate ao tráfico de drogas e o atendimento aos dependentes químicos por meio do Programa Recomeço. No artigo mistura-se as duas ações dando uma conotação errada e distorcida dos fatos.

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maria nadiê rodrigues

13 de outubro de 2016 às 15h54

A cada dia um susto, um medo, uma insegurança, um desgosto, um sentimento de dor sem perspectivas de remédio, ou, enfim, um olhar para uma ponte onde soubemos como entramos e nenhuma ideia da sua outra extremidade. Se o futuro a Deus pertence, a ponte de Temer levará todos ao juízo final.

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Pinheiro -

13 de outubro de 2016 às 15h52

Tem muito sangue-suga que o PT deixou passar em branco com MEDO de perde rvotos, só . Quem paga a conta somos nós mesmos. Quem merece continuará tendo. Como diz o ditado “Quem não deve não teme”, eu não devo.

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    João Ostral

    13 de outubro de 2016 às 16h10

    É o típico pensamento fascistoide, acha que não deve nada para ninguém. Pelo contrário, os outros, geralmente os que se encontram em estado de vulnerabilidade social, é que devem.

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    Maurilio

    13 de outubro de 2016 às 17h32

    Quem pensa assim geralmente deve muito mais que aqueles a quem critica… É bom lembrar que aposentados por invalidez também pagam a sua conta – ou você nunca usou um serviço público?

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C.Poivre

13 de outubro de 2016 às 15h16

Sobre o mesmo tema sugiro a leitura da matéria de Marcelo Auler:

http://marceloauler.com.br/pec-241-um-genocidio-planejado-e-pactuado/

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Elena Osawa

13 de outubro de 2016 às 12h11

Cadê o post para ler?

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    migueldorosario

    13 de outubro de 2016 às 12h34

    Deu um bug no blog. O programador está resolvendo em alguns minutos.

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