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Com a nova política de preços da Petrobras podemos ter uma certeza: vamos perder sempre

Por Redação

19 de outubro de 2016 : 16h19

por Cláudio da Costa Oliveira, economista aposentado da Petrobras

Já falei sobre este tema em artigos anteriores e agora os fatos se concretizam.

Como havia sido prometido por Pedro Parente, a Petrobras anunciou em fato relevante nesta sexta-feira 14/09, a política de preços que será adotada pela empresa.

Tendo recebido “carta branca” do atual governo para o estabelecimento dos preços de combustíveis no Brasil, Pedro Parente vai objetivar a maximização do lucro e consequente maximização de distribuição de dividendos, como exige Wall Street.

A Petrobras abandona assim sua função, de empresa estatal, com apoio das políticas econômicas e o desenvolvimento do país, e passa simplesmente a buscar o lucro rápido.

Esta política de preços caminha alinhada com outras providências já tomadas como:

  1. Redução dos investimentos da Petrobras, com entrega total da exploração do pré-sal para petroleiras estrangeiras;
  2. Eliminação da exigência do conteúdo nacional nos equipamentos comprados;
  3. Redução do endividamento para atingir, o mais rapidamente possível a alavancagem 2,5 pedida por Wall Street.

Em seu conjunto estas providências buscam diminuir o poder da Petrobras e sua importância na economia do país, objetivando justificar uma futura privatização.

No fato relevante publicado a empresa informa:

“Esta política a ser praticada pela Companhia terá com princípios:

  • O preço de paridade internacional (PPI) que já inclui custos com frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias.
  • Uma margem para remuneração dos riscos inerentes à operação tais como: volatilidade da taxa de cambio e dos preços, sobreestadias em portos e lucro, além de tributos.
  • Nível de participação no mercado.
  • Preços nunca abaixo da paridade internacional. “

O objetivo claro dos “princípios” que estão sendo estabelecidos é em primeiro lugar eliminar a concorrência no mercado interno (item 3- Nível de participação no mercado).

Eliminada a concorrência, os preços serão estabelecidos sempre acima da paridade internacional, no limite, para não permitir a volta da concorrência (item 4- Preços nunca abaixo da paridade internacional). Ou seja, mesmo que o preço volte ao patamar de US$ 140 o barril, satisfazendo em excesso todas as necessidades da empresa, em termos de geração de lucro e caixa, nada será transferido para o consumidor brasileiro, tudo será dirigido para a distribuição de dividendos aos nossos sócios de Wall Street. QUE EMPRESA ESTATAL É ESTA?

Entre 2011 e 2014, com a elevação dos preços dos combustíveis, a Petrobras passou a subsidiar o consumo no mercado brasileiro, agindo da forma como deve agir uma empresa estatal.

Os preços cobrados no Brasil ficaram abaixo do que era cobrado no mercado internacional. Apesar do subsídio, a Companhia registrou elevados lucros em todo o período, distribuindo dividendos e dando participação a seus funcionários.

Em 2011 o lucro foi de R$ 33,3 bilhões. Em 2012 foi de R$ 21,2 bilhões. Em 2013 foi de R$ 23,6 bilhões Em 2014 a Petrobras apresentou um prejuízo de R$26,6 bilhões, depois de efetuar ajustes contábeis (impairment), altamente contestados, no valor R$ 50 bilhões, o que significa que de fato a empresa teve um lucro de R$ 23,4 bilhões.

Esta política de subsídio da Petrobras irritou Wall Street que não admitia que parte dos lucros da empresa fossem transferidos para o consumidor brasileiro, reduzindo seus dividendos. Foi montada uma forte campanha contra a Petrobras, puxada por parte da mídia, que todos pudemos acompanhar. O resultado foi a queda dos preços das ações da Petrobras nas bolsas.

De fato, a partir de 2015, com a queda nos preços internacionais do barril de petróleo, os preços dos derivados no mercado interno passaram a superar os preços internacionais. Isto fez com que crescesse a importação por parte de concorrentes da Petrobras. Em 2016 ocorreu paralelamente uma acentuada queda no câmbio e concorrentes na distribuição como a Ipiranga e a Raizen (Shell)  aumentaram suas importações. Até grandes consumidores, como a Vale, passaram a importar diretamente o diesel.

O efeito foi que entre janeiro e setembro de 2016 a Petrobras perdeu 14% do mercado interno de diesel, e 4% no de gasolina. Isto não é pouco, pois a venda de diesel representa 30% da receita bruta da Petrobras que é de aproximadamente R$ 400 bilhões/ano. Ou seja, uma perda de receita de R$ 16,8 bilhões/ano (400×0.30×0,14). No caso da gasolina, que representa 20% da receita bruta, a perda estaria em torno de R$ 3,2 bilhões/ano (400×0,20×0,04).

A decisão de reduzir o preço do diesel em 2,7 % e da gasolina em 3,2% nas refinarias, tem como objetivo avaliar o efeito disto na concorrência. Mesmo com esta redução, os preços no mercado interno permanecerão superiores ao do mercado internacional.

Com o preço internacional do barril em alta, vai ficar cada vez mais fácil para a Petrobras aniquilar com a concorrência.

É muito fácil administrar uma empresa que tem um mercado cativo, sobre o qual ela possa impor os preços que melhor lhe convierem.

Mas como uma estatal  da importância que tem a Petrobras para a economia do país, pode pretender atuar como uma empresa de mercado, massacrando a concorrência e sem nenhum benefício para o consumidor (brasileiros e legítimos proprietários)?

E vejam que todas as decisões estão nas mãos de uma única pessoa, “o rei da cocada preta” Pedro Parente.

Onde está o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, autarquia do Ministério da Justiça, que tem como atribuição: “ Orientar, fiscalizar,  prevenir e apurar abusos de poder econômico, exercendo papel tutelador da prevenção  e da repressão a tais abusos, baseada na liberdade de iniciativa e livre concorrência” ?

O CADE sempre atua fortemente nos processos de fusões e aquisições de empresas, buscando reduzir a concentração de comando do mercado e objetivando a defesa do consumidor. Esperamos que intervenha neste processo em implantação na Petrobras.

Com estes “princípios” adotados pela Petrobras o valor das suas ações vão subir no mercado, no curto prazo. Em breve a Companhia voltará a receber o famoso “grau de investimento”.

E como ficam os brasileiros? Bem os brasileiros vão sempre pagar os combustíveis mais caros do mundo para gerar dividendos em Wall Street.

Os brasileiros vão ver passar a oportunidade de desenvolvimento que o pré-sal poderia trazer, entregando toda a riqueza para as petroleiras estrangeiras, sendo que nada é feito em contrário. É FANTÁSTICO.

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4 comentários

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Pinheiro -

19 de outubro de 2016 às 17h50

Me fala um serviço do estado que funcione? Saude, educação, segurança, previdência…? Estado tem que intervir o menos possivel. Chega de gente folgada, todo mundo tem inteligência para trabalhar e buscar, vejam o exemplo de varias pessoas muito pobres que se deram bem na vidas, não se acomodaram com pouco.

Responder

    migueldorosario

    19 de outubro de 2016 às 18h25

    Ué, na educação, na segurança, na previdência, e na saúde, os melhores serviços são públicos. E as privatizações ocorrem muitas vezes se vendendo nosso patrimônio e infra-estrutura para estatais estrangeiras.

    Responder

      Pinheiro -

      20 de outubro de 2016 às 09h28

      miguel você esta falando do Brasil mesmo? Educação/Previdência/Saúde são os melhores serviços públicos? Rapaz em qual cidade/país ou planeta você esta morando?

      Responder

    Bangueli

    19 de outubro de 2016 às 23h42

    Um serviço do estado que funciona muitíssimo bem é o pagamento de juros da dívida pública. Diminui-se o orçamento para educação, saúde, políticas governamentais diversas, mas nunca para esse. O problema é um pé de chinelo(não tô falando que é você) descobrir quais são os melhores fundos e modalidades de aplicação para destinar seu dinheirinho, ouvi dizer que em alguns desses fundos a aplicação mínima é por volta de dezenas de milhões.

    Responder

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