Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Brasília - O presidente do TSE, Gilmar Mendes, fala no fim da apuração das urnas da eleição municipais de 2016 (Valter Campanato/Agência Brasil)

Uma análise da entrevista de Gilmar Mendes à Folha

Por Pedro Breier

24 de outubro de 2016 : 11h29

(Gilmar Mendes. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

Gilmar Mendes, além de ser ministro do STF, é também uma espécie de porta voz informal da direita brasileira – papel obviamente incompatível com o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, mas ninguém se importa mais em nem mesmo manter as aparências de que ‘as instituições estão funcionando’ -.

Semana passada ele disse que o Tribunal Superior do Trabalho ‘é na maioria formado por pessoal que poderia integrar até um tribunal da Antiga União Soviética’ e que o Bolsa Família é compra de votos institucionalizada, declaração digna de comentarista de portal (o cientista político Cesar Zucco ensina para o ministro que ‘se Bolsa Família é compra de votos, qualquer outra política também seria’).

A Folha publica hoje uma entrevista com Gilmar.

Nela o ministro do STF critica os juízes e procuradores que estão atacando o projeto de lei que pune abuso de autoridades:

Parece que eles imaginam que devem ter licença para cometer abusos! (…) Juízes e promotores não são diferentes de todas as outras autoridades e devem responder pelos seus atos. E a verdade é que nós temos um histórico de abusos que vai de A a Z, do guarda de trânsito ao promotor, de prisões abusivas, de vazamento de informações sigilosas, para falar apenas das coisas correntes.

As menção a prisões abusivas e a vazamentos de informações sigilosas é evidentemente direcionada à Lava Jato e ilustra bem a disputa de poder que está ocorrendo no Brasil pós golpe.

A mídia corporativa, com sua cobertura estridente da operação, e o STF, chancelando os seus abusos e ilegalidades, empoderaram a Lava Jato enormemente para que esta pudesse gerar as condições necessárias à derrubada do governo eleito.

Agora que o golpe já foi consumado, não interessa à direita orgânica (mídia familiar, PSDB, PMDB, Gilmar Mendes) um juiz de primeira instância e um Ministério Público com a força que adquiriram Sérgio Moro e os procuradores que atuam na Lava Jato.

Imaginem os mesmos métodos e critérios usados pela Lava Jato com petistas aplicados a tucanos como Aécio, por exemplo: haja power point para tanta denúncia.

Os procuradores e Sérgio Moro (e demais juízes de primeira instância), por sua vez, não querem perder os músculos que ganharam nos últimos anos e atuam para isso, fazendo campanha pelas ‘10 medidas contra a corrupção’, que são na verdade muitas medidas pró acusação, e contra o projeto de lei que visa coibir abuso de autoridades.

O trecho humorístico da entrevista de Gilmar é quando ele responde a uma pergunta sobre as críticas ao seu encontro com Michel Temer, já que o presidente golpista vai ser julgado por Mendes em uma ação contra a chapa Dilma/Temer no TSE:

Sobre questões ligadas ao processo não se conversa. Nós dois sabemos os limites éticos. Agora, é impossível um presidente do TSE não conversar com o presidente da República. Há questões, por exemplo, orçamentárias que precisam ser discutidas.

Fora o fato de que, sendo a conversa privada, não há como ninguém avaliar se os dois realmente sabem os limites éticos ou não, o próprio Gilmar Mendes desmentiu a balela de que foi apenas um encontro institucional entre o presidente da República e o presidente do TSE ao afirmar, no dia do encontro, que tratou-se de ‘uma conversa de velhos amigos’.

A Folha logicamente não confrontou Gilmar com essa afirmação dele mesmo e ficou tudo por isso mesmo.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

5 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Isabela

24 de outubro de 2016 às 15h18

Lógico q pra essa raça os limites éticos são bem diferentes…Gilmar Boca de Caçapa Mendes está com inveja do Juiz de Preto, isso sim!!

Responder

Ocomentarista Tcomment

24 de outubro de 2016 às 14h42

É impressionante o sincronismo tendencioso desse STF: só agora querem barrar os abusos do justiceiro, mas quando ele divulgou conversas da presidenta ninguém falava nada!! Cara de pau!

Responder

Messias Franca de Macedo

24 de outubro de 2016 às 13h32

A entrevista de Luís Nassif na TV Educativa da Bahia
24/10/2016
https://www.youtube.com/watch?list=PLoJ6JR4vCS6UEv1nYJmzGO6SDFrFKp1Ur&v=XmMaLNRtYtY

Responder

Tiago Bevilaqua

24 de outubro de 2016 às 13h30

Uma referência indispensável: uma entrevista EXCELENTE de Pedro Serrano. Longa, mas quem ler asseguro que obterá grandes benefícios. Devo dizer que depois de lê-la fiquei muito tempo como se tivesse comido uma excelente refeição (a analogia pode não ser das melhores, mas é que adoro comer bem), de vez em quando voltava a degustá-la. Senti que ganhei o dia por tê-la lido. E pretendo reler.
Duas citações: “O combate que quem defende os direitos humanos
deve fazer não é contra a figura do Moro, mas sim contra uma onda autoritária que tem o estado de exceção como paradigma e que tem tomado conta a jurisprudência mundial.” “Não se acaba com a corrupção através de lei penal. Corrupção é macrocriminalidade e isso não pode ser combatido só com Direito Penal. Macrocriminalidade é um processo complexo que se combate com política pública e com mudança cultural.” http://www.sul21.com.br/jornal/o-que-parece-estar-ocorrendo-na-america-latina-e-a-substituicao-da-farda-pela-toga/

Responder

Messias Franca de Macedo

24 de outubro de 2016 às 13h13

… “O supremo” gilMAU é um calculista:
deve estar sentindo o bafo da lama beirando o CU(nha) dos DEMoTucanos!
E da quadrilha do amigão ‘MimiSHELL TEMERário/TEMERo$$$o CUnha dos Neves (S)erra’!
Não se deve levar o gilMAU a sério!
Tirante pelas vias tortas!
gilMAU (DEMoTucano-PMDBosta/MT)!

***

… O habeas corpus em favor do [GÂNGSTER] eduardo CUnha do Temer já deve estar assinado!
Falta – apenas e tão somente – comunicar oficialmente ao congênere correligionário rábula psicopata “juiz” “Savonarola ‘mor(T)o’” dos Trópicos!

Responder

Deixe um comentário