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População enxota o MBL de escola em Curitiba – O que significa OCUPAR A OCUPAÇÃO ?

Por Bajonas Teixeira

29 de outubro de 2016 : 13h13

(Foto: Leandro Taques – Passeata de estudantes no Centro de Curitiba, 09 de outubro)

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

O MBL, servindo como PM para o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), marcou manifestação para  desocupar ontem o Colégio Estadual Pedro Macedo em Curitiba. Indignados com a notícia, centenas de pais, professores e vizinhos da escola formaram um cordão e expulsaram o MBL a pontapés.

Num país que desde 2014 presencia falsos movimentos democráticos sendo usados para enganar a população  – MBL, Vem Pra Rua e Revoltados Online -, todos à serviço dos interesses das elites, é interessante refletir sobre o significado dessa reação popular. Ela é a primeira que ocorre desde a criação desses movimentos em 2014 e indica uma mudança muito expressiva de atitude de parte da população.  Vejamos o assunto de perto.

Diante da primeira iniciativa de ‘reforma da Educação’ do governo Temer, os estudantes reagiram para evitar a destruição da educação. Essa reforma segue as diretrizes da Escola sem Partido, cujo mais ilustre representante é o ex-ator pornô fascista Alexandre Frota. Ligada a essa reforma, a PEC 241 retirará da educação quase meio trilhão de reais em 20 anos, segundo estudo da Câmara dos Deputados.

Frente a isso, os estudantes tiveram que tomar a defesa da educação. Em poucos dias, mais de 1000 escolas estavam ocupadas. Centenas de universidades e escolas técnicas (Ifes), seguiram o movimento que começou no Paraná. O movimento secundarista, de forma inédita, indicou a estratégia para as universidades.

O MBL foi chamado (leia-se, R$) para desocupar as ocupações. É um crime, porque um bem público ocupado só pode ser desocupado pelo estado, com as instituições públicas pertinentes (Ministério Público, Conselho Tutelar, etc.). Jamais um grupo político poderia exercer essa função. Mas com a cumplicidade dos juízes, como todos já sabemos, tudo é possível no Brasil.

Aliás, essa estratégia de desocupação foi imaginada e posta em prática, primeiramente, em São Paulo por Alexandre de Moraes – atual ministro da Justiça de Temer – para desocupar escolas usando apenas a PM (sem o Ministério Público, sem juiz e sem Conselho Tutelar). Como o governo do Paraná não pode usar a PM, depois da tragédia da violência contra os professores em abril de 2015, usa do MBL.

O MBL é a PM de Beto Richa. Ou melhor, a milícia de Beto Richa, já que, como os estudantes denunciaram, o MBL está sendo financiado pelo governador para atacar as ocupações.

O MBL é um movimento falso até no nome, que roubou do MPL (Movimento Passe em Livre), que estava com muita força por ter iniciado os protestos de 2013. O clone MBL (Movimento Brasil Livre) foi criado em fins de 2014  para simular três coisas: um movimento de classe média, um movimento jovem e um movimento liberal-democrático. Em cada um desses itens ele é falso.

A única coisa verdadeira no MBL é o número de processos de um dos seus principais líderes. Ele e família respondem na justiça à bagatela de 125 processos, como noticiou o Diário do Centro do Mundo. Um atestado maior que esse da credibilidade do movimento é impossível. O MBL sofre de falsidade ideológica aguda. Fake de cabo a rabo, quase nada é real no MBL, como se vê.

Mas dentre as coisas que estamos assistindo no Brasil hoje, o que é real? Uma presidenta sofre impeachment sem crime, num golpe contra a Constituição, e o STF, a instituição destinada a ser sua guardiã, afirma que “não há golpe, porque o impeachment está na Constituição”.

Um grupo de procuradores faz as acusações mais absurdas contra um ex-presidente, sem qualquer base em fatos e indícios consistentes, e o procurador chefe diz “não tenho provas, mas tenho convicção”.

Um usurpador se cerca de gatunos e com um projeto de privatizar e saquear 24 bilhões de reais do país, junto com uma PEC 241 que irá destruir a Educação, a Saúde, a Previdência, as Aposentadorias, enfim, tudo, diz que vai  “colocar o Brasil nos trilhos”.

O ministro da Educação, logo após tomar posse, recebeu em seu gabinete Alexandre Frota e o líder dos Revoltados Online que entregaram a ele o projeto da Escola sem Partido.

A reforma da Educação apresentada por esse ministro, baseada nesses assessores, gerou uma revolta nacional. As escolas foram ocupadas, tendo o Paraná saído na frente no movimento de ocupação. E quem eles chamam para desocupar as escolas? Ninguém menos que o MBL. Uma matéria do UOL informou o seguinte:

“Uma manifestação convocada pelo MBL (Movimento Brasil Livre) para a frente do Colégio Estadual Pedro Macedo, no Portão, bairro da zona sul de Curitiba, foi esvaziada no início da noite desta sexta-feira (28) por centenas de manifestantes que se reuniram em frente à escola para ocupar a ocupação.”

Escorraçado pela população indignada, o MBL serviu para alguma coisa. Mostrou que seus métodos fascistas, suas falta de caráter e escrúpulos, seu papel de lacaio, já estão desmascarados e que não mais serão tolerados. A presença da população, pais de alunos, professores e vizinhos da escola, pode definir uma nova forma de ação de resistência ao golpe. Na matéria, essa ação foi chamada de “ocupar a ocupação”. Não fica claro se a expressão surge como liberdade poética do jornalista ou se, ao ser convocada, já foi designada como um ato para “ocupar a ocupação”.  De todo modo, a expressão parece bem adequada para dar nome à defesa das ocupações.

As ocupações parecem se multiplicar nesse momento, e se alastrar para muitos estados no Brasil. Não será de admirar que o MBL, seja convocado para novas ações truculentas. O apoio da população, por meio dos atos de “Ocupar a Ocupação” será decisivo para barrar esses fascistas à serviço dos donos do poder.

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23 comentários

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aristoteles silveira souza

29 de outubro de 2017 às 03h28

O golpe da DIREITA é isto..

Não contavam com a astúcia de uma GERAÇÃO que está acima do tempo, graças a LULA E A SUA CORAGEM EM EDUCAR NOSSOS PEQUENOS BRASILEIRINHOS LÁ EM 2003…MOVIMENTO DOS BOÇAIS NO BRASIL….

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Maria do RJ

05 de novembro de 2016 às 22h48

Gente, que coisa mais estapafúrdia, tudo isso que foi narrado aqui, é uma coisa tão absurda o que esse pessoal de extrema direita está fazendo com o nosso país. É sério mesmo? Estão acontecendo mesmo? É de estarrecer! De repente, não mais que de repente, o Brasil foi tomado por gente com idéias terríveis, malvadas, querendo se vingar do povo, com ódio do povo. Não aguentam ver o povo feliz, querem a derrocada de tudo, estão destruindo tudo que tocam e tocam a toque de caixa. Eles têm pressa, muita pressa. Já viram o pacote que o governador do Rio aprontou pra nós? Estão seguindo o exemplo do governo federal. Esse país vai começar a pegar fogo, ninguém em sã consciência vai aceitar isso tudo.

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Donaldo Mitsunori Dagnone

31 de outubro de 2016 às 21h04

Eu gosto do MBL!!!!!

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a.ali

30 de outubro de 2016 às 00h21

Há esperança, o Brasil está acordando!

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Cristiano

29 de outubro de 2016 às 22h24

Precisamos urgentemente fazer honrar nosso hino:
“Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, à própria morte.”
Precisamos urgentemente seguir o exemplo dessa moçada que está resistindo bravamente ao golpe e ocupar cada praça frente aos parlamentos brasileiros, seja a nível municipal, estadual ou federal.Já não podemos mais ficar inertes enquanto pisam em nossa cabeça.Avante brava gente brasileira.Estão roubando nosso futuro.

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Jst

29 de outubro de 2016 às 22h13

Quando começarem os linchamentos dos golpistas e oportunistas pela população em fúria talvez as coisas se acalmem.
Entretanto, se a população tomar gosto pela coisa penso que ninguém em brasília e curitiba estará seguro.

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    Sérgio Silveira

    30 de outubro de 2016 às 04h36

    O que será ótimo!

    Responder

EDVALDO

29 de outubro de 2016 às 21h01

Todo apoio aos movimentos que estão em todo pais defendendo a manutenção da escola pública. Valendo ressaltar que a luta está fortalecida pela participação de toda parcela da populção, que deseja a redução da desigualdade social.

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EDVALDO

29 de outubro de 2016 às 20h46

Parabéns pelos movimentos de defesa da manutenção das escolas publicas de todo nosso país.

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Ben Alvez

29 de outubro de 2016 às 19h48

A PEC da morte recebe o número PEC 55/2016 no Senado Federal.

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO nº 55 de 2016

É possível opinar enquanto a matéria tramita no Senado

Agora, 18:47 do dia 29 de outubro de 2016 este é o resultado da votação:

A favor: 12.416

Contra: 220.080

Vote aqui:

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=127337

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Aloisio Pereira

29 de outubro de 2016 às 18h05

Será que isso é verdade? Quer dizer, normal para golpistas. Só mais um golpe. Agora no Software livre. http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=site&infoid=43869&sid=10

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baltazar pedrosa

29 de outubro de 2016 às 14h56

Eu sempre me orgulho de ser professor de escola pública,e hoje ainda mais,só em saber que a reversão do golpe se dará, a partir do engajamento dos jovens, que são subtraídos da inclusão nas universidades,isso me deixa muito ,mais muito orgulhoso mesmo.Em um momento eu discuti com uma pessoa muito próxima a mim ,onde ela tentava mostrar a diferença de nível, entre a escola pública e particular,enquanto eu tentava mostra-lhe,que essa diferença era quase imperceptível,tentei convencê-la,que enquanto, a escola particular, preparava para exclusão,nós da rede pública, estávamos a serviço, dá inclusão social,política e econômica,mas para ela, o que interessava eram quantos ingressavam na universidades públicas sem se preocupar nas distorções do sistema capitalista,sem querer diminuir ou apequenar o serviço prestado pelas as instituições particulares,vejo que em termos de Brasil estamos realmente, a anos luz de distância.

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    ari

    29 de outubro de 2016 às 19h42

    Num escola caríssima de SP, um aluno disse para o professor de inglês: “Não gosto de sua pronúncia. E tem mais, o seu salário é menor do que o custo de um almoço entre meu pai e eu em N.York”. Parabéns, Baltazar!

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      Esdras Santos

      30 de outubro de 2016 às 00h05

      Que horror

      Responder

Robinson Pimentel

29 de outubro de 2016 às 14h31

Enquanto não se colocar limites às ações fascistas desse MBL, ele continuará avançando.

Responder

    antonio

    29 de outubro de 2016 às 15h10

    O QUE MAIS DÓI PARA A “”””””””””””ESQUERDA BRASILEIRA “”””””””””””””””” É SABER QUE A NOVA REPÚBLICA CAIU DE PODRE !

    Responder

      Robinson Pimentel

      29 de outubro de 2016 às 21h12

      Há muita coisa que dói. Tudo o que está acontecendo com o nosso país, com a nossa gente, é ver os rumos que as coisas estão tomando, nos levando à bancarrota. Muitos não estão se dando conta da gravidade dos acontecimentos. E o pior, esse remédio amargo que estamos tomando, não garante se vai haver cura!

      Responder

      Jst

      29 de outubro de 2016 às 22h17

      jumentonio,
      o que caiu não foi a esquerda, fomos todos nós.
      Os números estão aí para quem quiser ver.
      esquece este negócio de esquerda. a esquerda nunca governou no brasil.

      Responder

      Maurilio

      30 de outubro de 2016 às 15h16

      A não ser que você seja rico de nascença, político corrupto, ladrão ou qualquer outra merda do gênero, você é um pobre de direita! Espécime rara em outros países, mas, infelizmente, em franco crescimento no Brasil. E o que dói para a esquerda vai doer em você também e em todos os analfabetos políticos que bateram panelas, vestiram camisetas da corrupta CBF, gritaram “Somos Todos Cunha”, seguiram o pato da Fiesp e outras idiotices mais. Segura, peão!

      Responder

    Donaldo Mitsunori Dagnone

    31 de outubro de 2016 às 21h05

    Facista são as invasões de “alunos”comandados pelo PSOL!

    Responder

      Robinson Pimentel

      01 de novembro de 2016 às 07h48

      Mas você é bem vagabundo mesmo, hem!?

      Responder

        Donaldo Mitsunori Dagnone

        02 de novembro de 2016 às 10h39

        Por quê a “Esquerda”, ao invés de usar argumentos, sempre parte para a agressão pessoal???

        Responder

          Robinson Pimentel

          02 de novembro de 2016 às 18h33

          Simplesmente porque a “direita”, intitulada pseudointelectual, costuma repetir as mesmas mentiras, argumentos falseados e frases surradas já respondidas. E continua “bater nas mesmas teclas”, mesmo com todas as suas mentiras já desmascaradas. E isso já vem irritando… então, a gente manda a puta-que -pariu, mesmo…


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