03.04 Coletiva do Ministro da Saúde

Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Leonardo Picciani (Esporte), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Marcelo Calero (Cultura) participam de reunião sobre a Olimpíada do Rio. Foto Marcelo Camarg/Agência Brasil

Calero não é santo e briga com Geddel é ataque ao PMDB de Temer

Por Tadeu Porto

20 de novembro de 2016 : 15h08

Foto: Marcelo Camaro/Agência Brasil

Por Tadeu Porto*, Colunista do Cafezinho

Marcelo Calero, que de bobo não tem nada, largou o governo golpista e atirou no núcleo duro do presidente Michel Temer, o ministro articulador Geddel Vieira. Muitas pessoas vem considerando a pressão que Calero sofreu, todavia a versão mais factível, no entendimento desse humilde colunista, é que o ex-ministro da cultura só saiu por algum tipo de racha no PMDB.

Vamos a alguns fatos que ajudam na construção dessa idéia:

1) Calero é ligado ao PMDB do Rio de Janeiro, a parte do partido que mais sofre com a Lava Jato (com as prisões de Cunha e Cabral);

2) O PMDB carioca foi o último fio de resistência da presidenta Dilma no planalto, na figura do deputado Leonardo Picciani, e, por isso, acirrou as disputas internas no partido a ponto da liderança na câmara ser trocada duas vezes em pouquíssimo tempo (coisas desse tipo não acontecem sem alto desgaste);

3) Cabral é, talvez, a figura mais influente do PMDB carioca e um doas maiores do quadro nacional. Cotado pra disputar a presidência em 2018 é um político intrinsecamente de centro e transita por praticamente todo espectro partidário nacional (considerando, claro, os partidos de grande porte). Pessoas como Cabral não sofrem um ataque como uma prisão – que ameaça inclusive sua família – sem uma contra ofensiva pesada contra a política em geral;

4) O Rio é o estado que vive a maior crise nacional, política e econômica. Não se sabe se o governo federal vai querer comprar o desgaste de fazer investir num governo afundado em escândalos fiscais como as isenções que agora vão sofrer uma CPI. Se Temer não ajudar, acirra mais os ânimos internos entre o PMDB nacional x carioca;

5) Por fim, é impossível considerar que Marcelo (ex-secretário de Eduardo Paes) não sabe como se faz política dentro do PMDB. Provavelmente, a primeira vez que Geddel pediu o “favor” ele levou de boa e “barrigou” ou por medo de ser pego ou pra ter uma arma contra o ministro baiano (aposto na segunda opção).

Assim, essa atitude de Caleiro nada mais é que um barata voou na trupe do PMDB pós prisão de Sérgio Cabral e os ratos agora vão se estapear pra ver quem sai do Titanic golpista primeiro.

E eu já peguei minha pipoca pra assistir esse “drama”. :)

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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9 comentários

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Daniel

21 de novembro de 2016 às 10h55

Warning **** O site do Tijolaço esta’ OFF, sera a volta do AI-5?

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Marcos Omag

20 de novembro de 2016 às 21h34

Acredito que o ministro decorativo saiu por ordens do Sérgio Cabral, e usou a munição que tinha pois todos sabem que Geddel não é santo. O Michel Temer está desesperado, e creio que pode até deixar de socorrer o Pezão no RJ e tentar um acordo com a extrema-direita política (Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin) e judicial (os procuradores-talebans) para explodir o PMDB carioca em cantinho qualquer e ficar até além de 2018. É claro que o Geraldinho Opus Dei não vai gostar nada disso, mas um acordo pode colocá-lo no Planalto em 2019 em regime de força pois até lá, as conseqüências nefastas da PEC do Fim do Mundo estarão mostrando ao brasileiros que o Grande Haití será aqui.

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Marcvs Antonivs

20 de novembro de 2016 às 20h56

Eis que o Senhor fez uma confusão terrível na Torre de Geddel e ninguém mais se entendeu no governo de Satã

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Torres

20 de novembro de 2016 às 20h22

Não existe virgem na zona.
Políticos sabem como se faz política.
O jogo é sujo.

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Messias Franca de Macedo

20 de novembro de 2016 às 19h21

ATENÇÃO PARCELA DO BEM DA NAÇÃO BRASILEIRA

E se a “rebeldia” manifestada pelo ex-‘miniSTRO’ da ‘CUrtura’ dos nazigolpistas for, na verdade, mais uma peça colocada na ‘ponte para o futuro’ para a eleição de um presidente biônico ungido do DEMoTucanato, ‘FHC Príncipe da Privataria’ à frente das “intenções de voto” dos parlamentares picaretas federais?
Mesmo porque cara de (DEMo)Tucano o almofadinha Marcelo Calero tem!
Penas, bico, papo…

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marcelo jose

20 de novembro de 2016 às 17h49

A avaliação me parece coerente, acredito que somente as meias verdades são ditas em episódios que envolvem políticos, são muitos interesses em jogo e num momento de “salve-se quem puder”, tudo é possível. Não há santos na política, fazer política virou a arte de quem melhor mente, não importa a corrente ideológica, importa sim o poder, estar nele ou próximo dele, pra que isso ocorra pratica-se um festival de “vale-tudo”.

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Jose X.

20 de novembro de 2016 às 17h43

a explicação é confusa mas acho que tem um fundo de verdade

as acusações contra Geddel estão longe de serem resultados dos pruridos de mocinha honesta do Calero, isso nunca me convenceu, desde o primeiro segundo, mas acho que se tiverem algum resultado terão valido a pena

agora, eu acho que Geddel só sai do “governo” Temer se a Globo exigir isso, e ameaçar o Geddel com o Moro, caso contrário ele vai ficar lá, e ainda por cima tripudiando em cima de todo mundo

e mesmo pra sair acho que Geddel não vai deixar barato, vai querer algum tipo de compensação

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Hermano

20 de novembro de 2016 às 15h21

Tadeu, a sua avaliação vai bem mas acho que desanda um pouco ao falar da sua “pipoca”, porque assume uma posição passiva e fora dos fatos. Está enganada a esquerda que pensa poder assistir os acontecimentos de camarote. Acho um erro pensar que pode olhar de fora. Fazer uma avaliação neutra. Nesse momento, toda a esquerda deve centrar fogo sobre a óbvia corrupção, bombardear Geddel e Temer e criar pressão para o episódio não passar em brancas nuvens. Se você dissesse “Geddel é um ladrão safado e descarado” estaria mais próximo da verdade dos fatos e da verdade política. Se você dissesse “A corrupção vai quebrar a coluna do governo Temer”, estaria pensando de modo mais politizado, porque temos que bater numa coligação do mal como a de Temer, não podemos assistir fazendo análises equidistantes e desengajadas. Olha, também acho que você não viu ainda que Cabral morreu. Acabou para sempre. Fora tudo isso, saiba que sou um apreciador dos seus artigos e os leio sempre. Mas é preciso amadurecer cada vez mais. Abraços!

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    Tadeu Porto

    24 de novembro de 2016 às 16h59

    Hermano,

    Muito obrigado pelas suas palavras. Fico feliz com as colocações! :)

    Eu coloquei a questão da pipoca não pela passividade, mas sim pela diversão de ver dois porcos lutando no chiqueiro. Acho que devemos, na verdade, é jogar limpo e atacar ambos, afinal, Calero é do grupo do PMDB-RJ e não é flor que se cheire. Atacar só Geddel (e Temer) abre oportunidade para outro grupo oportunista vir e assim por diante… O ideal é fazermos a disputa ideológica sempre, mostrando que quem luta efetivamente contra a desiguladade social como todo somos nós da esquerda.

    No mais, mais uma vez obrigado pelas considerações!

    Forte abraços!

    Responder

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