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Michel Temer e a ditadura das ideias

Por Miguel do Rosário

22 de novembro de 2016 : 13h42

Arpeggio – coluna política diária

Por Miguel do Rosário

(Foto: Beto Barata/PR)

A democracia é um regime cheio de problemas, e que está muito longe de resolver todos os vícios que acometem os homens que vivem em sociedade.

Mas é o melhor regime político inventado, até o momento, e tem, ao menos, uma grande vantagem: é aquele que melhor sabe conviver com as diferenças e, portanto, o mais simpático às liberdades individuais e coletivas.

Quando um presidente da república diz que “não há como continuar em um Brasil dividido em ideias e conceitos”, estamos diante de um visão autoritária, típica de governantes impopulares que não conseguem conviver com crítica e oposição.

E foi exatamente isso que Michel Temer disse hoje, em frase mostrada com destaque em suas próprias redes sociais:

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Que estupidez!

A diversidade de ideias, o confronto entre opiniões diferentes, é o que dá vida à democracia, além de ser a única maneira de produzir ideias novas. Eu tenho uma ideia, você tem outra, e do confronto entre elas, nascerá uma ideia diferente. Isso é vida! Como é possível um estadista pretender que uma democracia com 206 milhões de pessoas tenha unidade “em ideias e conceitos”.  Não basta o monopólio da mídia, cujo principal problema é justamente bloquear, nos grandes meios de comunicação, o saudável e democrático confronto de ideias diversas?

Em seus discursos, Michel Temer sempre se refere negativamente às redes sociais. Chegou a dizer que pretende “combatê-las”. Sim, porque a grande mídia, esta é sua aliada. Para ela, rios de verba pública. Para ela, entrevistas que, ele mesmo admite,, não passam de “propaganda”.

Ninguém é dono da razão, presidente! Não existem fórmulas mágicas para a política, para a economia, para a cultura. A única fórmula democrática é ouvir todos, e entender que, numa democracia, a opinião da maioria deve sempre ser ouvida, porque é ela quem sofre na pele a consequência das políticas públicas. Não é Michelzinho que, com menos de 10 anos, já tem milhões de reais em imóveis, que irá pagar pelos eventuais erros das políticas federais. Mas serão 99,9% das crianças e jovens brasileiros, que obviamente não tem imóveis em seu nome aos sete anos, que sofrerão as consequências de medidas burras e egoístas de austeridade fiscal, que alíás não tem nada de austeridade, porque não implicam em corte das mordomias das castas do serviço público nem moralizam o sistema tributário nacional, que isenta os ricos e pune pobres e classe média.

*

Ontem, o empresário Nizan Guanaes, um dos homens mais ricos do país, em discurso no “Conselhão”, que reúne os grandes empresários nacionais, disse que Temer deveria aproveitar a baixa popularidade para aprovar “medidas impopulares” e “amargas”. A elite escarnece do povo. Sua arrogância não encontra mais limites. Com Dilma, dizia-se que era impossível governar com baixa aprovação. Com Temer, a aprovação se torna uma vantagem. É festejada. Por que? Porque Temer é blindado pela grande mídia. O caso Geddel Vieira Lima é apenas o exemplo mais escandaloso. Em qualquer país do mundo, Geddel seria demitido. Na Suécia, ministros já foram demitidos porque compraram chocolate com verba pública. No governo Dilma, a mídia fritou o ministro Orlando Silva por semanas a fio, iniciando uma campanha violentíssima contra seu partido e correligionários, porque ele comprou uma tapioca de oito reais com cartão corporativo dentro de Brasília, quando o cartão só poderia ser usado para pagar sua alimentação fora de Brasília. Um erro comum que o próprio sistema trata de corrigir automaticamente descontando o valor no contracheque do servidor.

Que medidas impopulares? Impopulares para os mais ricos, como aumento da alíquota máxima do imposto de renda, combate à evasão fiscal e corte de mordomias das castas? Não. Impopulares apenas para a parte mais sofrida da população: menos investimentos em saúde, educação, menos assistência social, menos obras de saneamento básico, tarifas públicas mais caras.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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Des

22 de novembro de 2016 às 14h34

Nossos coxinhas de estimação somem nestes posts.

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