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Há um ano bispos brasileiros questionavam: “ajuste fiscal para quê e para quem”?

Por Redação

23 de novembro de 2016 : 12h04

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Por Cláudio da Costa Oliveira, colunista de economia do O Cafezinho

Na década de 30 Keynes já sabia que ajuste fiscal com a economia em recessão, leva a mais recessão. Hoje até o FMI concorda com isto.

Atualmente, no Brasil, alguns argumentam que no governo como na nossa família : “Não se pode gastar mais do que se arrecada”

Esta é uma meia verdade, pois para cada R$ 100,00 gastos pelo governo R$ 40,00 retornam na forma de impostos. Por outro lado, em momentos de recessão, dependendo da forma de como é feito o gasto governamental, outros agentes econômicos passam a participar do processo, fazendo com que a “roda” da economia comece a girar no sentido positivo.

De modo inverso, havendo cortes de gastos governamentais, principalmente naqueles gastos que promovem melhor distribuição de renda, o efeito negativo na economia é imediato.

Antes de mais nada é preciso entender que nenhuma economia consegue um crescimento sustentável, sem ser precedida de uma melhor distribuição de renda.

Em junho de 2015, O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos dos Bispos do Brasil questionava : “Ajuste fiscal para quê e para quem ?”

Naquela época, ainda governo Dilma, nossos Bispos constatavam :

“A palavra de ordem da nova equipe econômica consiste em recolocar a economia brasileira nos eixos, sem prejuízos sociais exacerbados. Maneira elegante de falar da necessidade do ajuste fiscal e do corte de gastos públicos. Por austeridade fiscal entenda-se corte no seguro desemprego, contingenciamento de gastos e redução do investimento público. Esta volta à ortodoxia econômica é apresentada como prática de “boa ciência econômica” , controlada e impulsada pelas agências de cotação de crédito, tipo de selo de qualidade para o capital. Bom para o capital e ruim para o trabalho. Pois, esta primazia do capital está levando ao aumento do desemprego que subiu para 7,9%, e para uma queda na renda de muitos. Em regiões metropolitanas a taxa de desemprego foi de 6,4%. Entre os jovens esta foi bem maior, ultrapassando 16%. De 2002 a 2014, a taxa de desemprego de jovens tinha caído de 23,2%  para  12%”

Vejam que hoje, a palavra de ordem da atual equipe econômica continua a ser “recolocar a economia brasileira nos eixos”. A austeridade fiscal foi incrementada e com isto o desemprego passou de 12% . A taxa entre os jovens passa de 24%, superior ao da era FHC (23,2%). A PEC 55 pretende manter a situação por mais 20 anos. A economia brasileira voltará aos níveis de 2002. Bom para quem ?

Mas a CNBB ainda pontuava :

“A classe empresarial está esperançosa de uma melhora no ambiente de negócios, revertendo o colapso de confiança que teria levado os empresários a não investirem em novos projetos e aplicar seus recursos nos papéis da dívida pública, puxando a taxa de juros para cima. Crise de confiança significa crise de lucro. Na falta de fazer bons negócios com lucro ou retorno que esteja acima da taxa de juros, é melhor ganhar dinheiro com os juros da dívida pública. Uma economia cada vez mais rentista sintoniza com recessão econômica. Incertezas políticas continuam a minar a confiança dos empresários. A taxa de investimento caiu 7,5% em relação à taxa do ano passado. A chamada incerteza econômica é responsável por uma queda no PIB de 1,6%”.

Vejam que hoje, a classe empresarial continua “esperançosa de uma melhora do ambiente de negócios” e continuam a aplicar seus recursos em papéis da dívida pública. Podemos repetir a frase : “Incertezas políticas continuam a minar a confiança dos empresário”. A diferença é que a taxa de investimento em 2016 (16,8%) é a menor dos últimos 21 anos,  e a chamada incerteza econômica é responsável pela queda no PIB de 3,5%.

Naturalmente o relatório da CNBB não foi divulgado pela grande mídia golpista, que não tem interesse em mostrar as verdades dos fatos. O enxugamento da economia brasileira só interessa aos “colonizadores” que atualmente governam o Brasil, cujos objetivos se limitam a explorar o país e seu povo.

Cláudio da Costa Oliveira

Economista aposentado da Petrobras

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2 comentários

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Cunha

23 de novembro de 2016 às 14h02

DESVIOS DA LAVA-JATO
1 – Prisão da cunhada do Vaccari , Marice Correa de Lima, por engano
2 – Doação de verba do Juiz para a PF de Curitiba para realizar manutenção sem licitação conforme determina a lei
3 – Coação (de testemunha)do caseiro do sitio
4 – Vazamento e grampos de conversas da presidente da republica
5 – Condução coercitiva sem haver chamada anterior
6 – Tratamento desigual entre investigados
7 – Premiação em numerário e redução de pena para delação
8 – incursão em varas fora de sua abrangência
9 – solicitação de percentual de valores arrestados para bancar a PF/MPF/TRF
10 – obtenção de delação sob coação
11 – imposição de condições para que a delação seja aceita.
12 – não aplicação de multas para perjúrio nas delações

Responder

    ari

    23 de novembro de 2016 às 22h36

    Se essa suspeita de que essa gente estaria repassando prejuízo aos Estados Unidos em detrimento do Brasil, podemos estar diante de uma situação de traição ao país, o que é de extrema gravidade.

    Responder

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