Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Ao PMDB só restou sacrificar a ala golpista e renascer com o Brasil

Por Redação

28 de novembro de 2016 : 10h01

De Estocolmo — Wellington Calasans, colunista internacional do O Cafezinho

Quando muitos pensavam que o auge da crise política de 2016 havia sido atingido com a consumação do golpe, o governo defendido pela mídia, classe média e a elite como “a saída para a retomada do crescimento” se revelou um desastre completo.

Desorientado, Temer respira por aparelhos e, graças aos comparsas no golpe, abriu espaço político e jurídico para o próprio impeachment. Ninguém quer sequer visitá-lo no leito de morte, pois é grande o risco de contágio.

O impeachment de Dilma Rousseff foi revelado o maior erro estratégico da então oposição e desafetos do PT. Passados seis meses, a sociedade brasileira está convicta de que foi vítima de uma propaganda mentirosa e, pior, que aqueles que gritavam “Fora, Dilma!” estavam enormemente distantes de todo e qualquer sinal que levasse à ética na política e no trato da coisa pública.

A completa ausência de um nome capaz de ser visto como “conciliador” impõe aos políticos que assaltaram o poder e aos cidadãos a certeza de que o regresso às urnas é única saída possível. O sonho do PSDB de realizar “o golpe dentro do golpe” é natimorto, pois a blindagem que os principais tucanos receberam da “justiça” foi exageradamente descarada.

Alckmin, Serra, Aécio e FHC são como uma criança lambuzada de chocolate que nega ter comido sem autorização. O povo e as pessoas de bem, que ainda são muitas, não aceitariam tamanha sem-vergonhice de ter um desses nomes, atolados até o pescoço com citações por corrupção, como seus legítimos representantes. A eleição indireta, de um deles, seria vista como a extensão do golpe.

Aqueles que mergulharam nesta aventura pagam hoje a conta da farra que fizeram contra o estado democrático de direito. A imprensa, muitos políticos e muitas instituições que agora tentam descolar de Temer, carregam a tatuagem de golpistas. O povo sente na pele que o golpe foi uma luta por privilégios de uns ou, para outros, uma tentativa de evitar a punição pelos crimes praticados.

O cenário atual é tão caótico que até mesmo para que uma eleição direta seja vista como uma saída segura, será necessária a adoção do modelo de urna eletrônica da quarta geração (que imprime o voto), pois são poucos os que acreditam em uma justiça representada por figuras como Gilmar Mendes e Luiz Fux, tanto no STF, como no TSE. São abundantes os motivos para a descrença.

Definitivamente, 2016 é o ano mais importante da história do Brasil. É neste ano que estamos a testemunhar o mergulho do país nas águas turvas do retrocesso. Desde o golpe que culminou com o fim do governo Dilma Rousseff, passando pela perseguição ao mais popular líder político do Brasil, Lula, e culminando agora com a possibilidade real de escrever a queda de mais um presidente, sendo esta justa e necessária, o ano em curso ainda pode oferecer grandes surpresas.

Se o PMDB ainda pretende se manter na política com esta sigla, chegou o momento de sacrificar aqueles que lutaram pela própria sobrevivência através de um golpe. A renúncia de Temer com a proposta de eleições diretas para presidente e também a formação de um novo Congresso é, mais que um gesto necessário, a única possibilidade de sobrevivência deste partido e de renascimento do Brasil.

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8 comentários

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André Luiz

28 de novembro de 2016 às 13h15

os governos de esquerdas a nível municipal e estadual deveriam aumentar a taxa de lares com acesso a internet. Única forma de combater a manipulação da mídia dita oficial.

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    Roberto

    22 de dezembro de 2016 às 23h50

    No Brasil os governos municipais e estaduais de esquerda também mandam a polícia descer o sarrafo em manifestantes. É pior também comemoram os massacres de “bandidos” nos morros!

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Torres

28 de novembro de 2016 às 12h29

Texto punheta.

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Luís CPPrudente

28 de novembro de 2016 às 11h36

Está pedindo muito ao PMDB, que ele renegue a sua alma golpista e se torne um partido democrático. Há poucos nomes de pessoas democráticas no PMDB de hoje (um desses nomes é de Roberto Requião).

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Luís F B

28 de novembro de 2016 às 11h14

A única saída rápida para a crise é a única que os golpistas não promoverão: eleições gerais democráticas – sem tutelamento, sem parlamentarismo-de-ocasião ou outro artifício qualquer. Então, como não haverá saída rápida, valem as análises feitas, mas só uma saída oriunda da mobilização popular derrotará essa turma.

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    Roberto

    22 de dezembro de 2016 às 23h46

    Como o povo vai sair às ruas se eles se sentem traídos pelos dois lados???

    Tanto pela esquerda quanto pela direita!

    Responder

Carlos Moreira

28 de novembro de 2016 às 10h59

O PSDB não articularia um golpe para entregar o poder para o PMDB, ou seja, desde o início sabia-se que haveria um golpe dentro do golpe.
Então o que vemos é a continuidade do plano e não um plano B.
O Traíra foi vice decorativo e agora só não é decorativo pois se tornou o maior fiasco da história brasileira, Taí o seu protagonismo.
A única saída honrosa para o Traíra seria a sua renúncia, com isso teria o mínimo de dignidade e desarticularia a sequência do golpe em que o PSDB só o usou e agora o descarta.

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Ricardo Oliveira

28 de novembro de 2016 às 10h51

Acho difícil implantar um novo governo democrático, temos um congresso corrupto em sua maioria, um judiciário corrompido por interesses externos e parcial, estamos sem liderança que possa empunhar tal processo, Lula está encurralado e sem apoio até do PT, a população é despolitizada, desorganizada, a mídia golpista passa 24hs manipulando a informação e as pessoas não se dignam de mudar o canal, em qualquer boteco a tv está na globo, o contraponto só encontramos nos blogs, lemos comentários dos mais esdrúxulos dos internautas com raiva, preconceito estimulado pela mídia fascista, estão dando o país a troco de banana e não há manifestações ruidosas da sociedade, a frente ampla de esquerda precisa de apoio externo pra funcionar, precisamos de uma ampla revisão nos conceitos e estratégias se quisermos mudar o rumo que estamos tomando, e não adianta os iluminados se unirem se não tivermos apoio popular.

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