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Ódio ao serviço público. Por que o Brasil ainda nutre esse sentimento?

Por Redação

16 de dezembro de 2016 : 13h51

Jurista escreve em defesa dos funcionários públicos. Para ele, “há uma sensação plantada pela mídia em parte da sociedade de que empregado público trabalha pouco e ganha muito, tendo muitos privilégios”.

No Fenassojaf

ARTIGO: POR QUE O ÓDIO AO SERVIÇO PÚBLICO?

Por Thiago Duarte Gonçalves

Desde que Michel Temer assumiu o governo, temos a impressão de que todo o problema do Brasil se resume ao serviço público e aos direitos sociais. PEC 241/55 que congela o orçamento, sem a devida reposição de servidores/ concursados e congelamento salarial real de todo o funcionalismo federal por 20 anos; reforma da previdência para aumentar o tempo de serviço, podendo chegar a 49 anos de contribuição para se aposentar com 100%; medida provisória de reforma do ensino médio que retira educação física, artes, filosofia do currículo de nossas crianças, acabando com a carreira de milhares de professores pelo país; regulamentação da terceirização para toda e qualquer atividade da empresa; e mais recentemente corte de salários daqueles que lutam pelo seu direito através do único instrumento que o trabalhador possui que é a greve; além de outros exemplos.

Ora, o que significa a tríade reforma da previdência + PEC 241/55 + corte de salário em caso de greve? Mais tempo trabalhando para se aposentar, em piores condições (mesma quantidade de trabalho, com menos pessoas, não havendo reposição de trabalhadores proporcional ao número de aposentadorias/ afastamentos) e sem poder reclamar/ fazer greve (sob pena de corte de verba alimentar).

Cabe destacar que diferente do trabalhador da iniciativa privada/ setor produtivo que faz greve por tempo curto, haja visto “prejudicar” diretamente o patrão ao cruzar os braços, recorrendo-se eventualmente ao dissídio coletivo para solucionar a questão, nós, do serviço público, realizamos greves mais longas justamente porque demora mais para surtir os efeitos, sem poder dispor do dissídio coletivo quando a Constituição Federal (art. 37, X) é desrespeitada por não recebermos a reposição inflacionária. Com a decisão do STF de corte de salário no caso de greve, os professores, a título meramente ilustrativo, terão ainda mais dificuldades de garantir à tão sonhada valorização da carreira.

Esta tríade (reforma da previdência + PEC 241 + corte de salário em caso de greve), na prática, visa sucatear o serviço público. Com o tempo, piorará a prestação de serviços, prejudicando aqueles e aquelas que mais necessitam da presença do Estado nas suas vidas. Além disso, cabe lembrar que o concurso público foi um avanço da Constituinte de 1988, substituindo o loteamento de cargos generalizado sem critérios objetivos pela seleção através de provas objetivas e dissertativas para o ingresso. E, afinal, quem é beneficiado com estas medidas? Os poucos rentistas que vivem dos juros da dívida que o país paga mensalmente, concentrando ainda mais renda, já que a PEC 241/55 não limita os gastos com os juros e a reforma da previdência visa “abrir” espaço no orçamento para pagar mais juros.

Importante destacar que as medidas elencadas acima não são apenas do Poder Executivo. Aí existe uma outra tríade: Legislativo e Judiciário estão em sintonia fina com Temer/ Executivo. Atualmente, temos a bancada mais conservadora desde 1964 (Golpe Militar). No Judiciário, a cúpula é toda neoliberal: Gilmar Mendes no TSE (militante histórico do PSDB), Ives Gandra Martins Filho no TST (militante histórico do esvaziamento do papel da Justiça do Trabalho) e Carmen Lúcia (a favor da PEC 241 e do congelamento salarial), havendo alguns retrocessos recentemente em decisões do STF, como desaposentação, suspensão da Súmula 277 do TST, entre outras.

Mas afinal, o que está por trás disso tudo? Por que o ódio ao serviço público? Seriam dois motivos, basicamente:

1 – há uma sensação plantada pela mídia em parte da sociedade de que empregado público trabalha pouco e ganha muito, tendo muitos privilégios. Olham uma pequena parte do funcionalismo público em que realmente acontece isso (políticos, assessores legislativos, juízes, procuradores, promotores, entre outros – com salários muito acima da média do trabalhador da iniciativa privada, além do ilegal, imoral e injusto auxílio moradia de mais de R$ 4.000,00 líquido; as duas férias por anos; aposentadoria especial; e tantos outros) e generalizam de maneira equivocada a todo funcionalismo públicos, mesmo cientes de que a maioria dos trabalhadores repudia estes privilégios;

2 – a volta da hegemonia do pensamento neoliberal da década de 90 que via o Estado um entrave para o desenvolvimento nacional. Assim, faz-se necessário, segundo este pensamento, em resumo, um enxugamento do Poder Público, abrindo espaço para a iniciativa privada. Isso se dá de diversas formas: privatizações; menos concurso público; menor orçamento para Políticas Públicas e para o Poder Judiciário; ou seja, menor presença do Estado na Economia e na vida dos cidadãos.

Devido estes dois fatores, principalmente, o serviço público (e seus funcionários) é visto como O PROBLEMA da sociedade atualmente. Afinal de contas, o que Michel Temer e seus aliados do PSDB, DEM e outros partidos no Legislativo e Judiciário, propuseram ou fizeram além de onerar os trabalhadores e o funcionalismo público? Nada; zero; nothing. Taxação de grandes fortunas, diminuir a desoneração das grandes empresas e do agronegócio, diminuir o Imposto de Renda sobre a classe média, entre outras medidas? Nada; zero; nothing. Alega-se não existir alternativas quando sabemos que existem.

Cabe aos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público e a da iniciativa privada, de maneira criativa e inovadora, dizer se concordam ou não com este projeto que não foi referendado pelas urnas. Só a luta conjunta das diversas categorias afetadas conseguirá barrar estes retrocessos contra a humanidade!

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14 comentários

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Araujo

20 de março de 2019 às 13h59

Quem garante direitos é o estado ( ao menos deveria! Funcionário público tem que exercer deveres com excelência. Tenho dito, e ponto final.

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Araujo

20 de março de 2019 às 13h48

Resumo a qualidade do serviço publico no pais para o contribuinte em duas palavras: RUIM E CARO!

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Anna

24 de fevereiro de 2019 às 21h38

A inveja é um sentimento muito triste. O serviço público está aí para quem quiser entrar. Basta ter inteligência e força de vontade….passe num concurso público e deixe o despeito de lado. Paz e bem!

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jose

26 de dezembro de 2018 às 17h28

funcionário publico no futuro será extinto. com as novas tecnologias e acesso online. não precisaremos mais de batedores de carimbos. hahahahahahahhahahaha

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claiton ferreira

10 de abril de 2017 às 09h38

Os serviços públicos que o cidadão mais tem contato, mais necessitam no seu dia a dia, são aqueles que possuem remunerações pífias, são servidores da educação, saúde e segurança. Enquanto os burocratas (onde muitos possuem qualificação) disso não se discute , não produzem nada para o país mas ganham próximo do teto em detrimento dos que levam “tapas” todos os dias e ganham remunerações muito baixas. A leva de servidores públicos que ganham demasiadamente não se resumem a políticos, juízes, procuradores e etc., Existem no poder judiciário e legislativo, uma leva gigantesca de servidores que estão acima dos 15.000, 20.000 por mês para grampear, furar e carimbar aguardando somente a reposição diária do café e fica contando os dias para saber quando virá os retroativos de diferenças saláriais. Se os salários deles estão congelados há 20 anos, fico imaginando se descongelassem, para quanto iria os salários. A média do serviço público do judiciário é acima de 20.000 por mês (média) o mesmo para o legislativo, o executivo a média fica em torno de R$ 9.000,00 enquanto do “povão” R$ 1.600,00. É justo? A reforma da previdência deve limitar ao mesmo piso dos contribuintes da iniciativa privada, quem quiser levar de aposentadoria mais do que R$ 5.600,00 que faça a sua contribuição para o regime de previdência privada e financeiro, assim não fica limitado a qualquer teto, os organizados e que tenham planejamento vão ganhar mais do que o teto, e aqueles que não forem vão se aposentar com o teto do INSS (todos incluindo Juízes, promotores, ministério público, políticos, servidores em geral) todos no mesmo bolo. Como empresário eu digo, como é difícil tirar R$ 5.600,00 de remuneração por mês, R$ 10.000,00, R$ 20.000,00 é absolutamente um sonho para qualquer empresário, quando vejo, técnico/assistente administrativo da justiça, agente de segurança, porteiro, ganhando R$ 7.000,00/9.000,00/12.000,00 no serviço público, vejo que dificilmente o Brasil terá jeito de consertar essa desigualdade. E entendo que se pudesse, lá na frente todos ganhariam o mesmo valor e estariam no mesmo nível salarial público ou privado, mas no Brasil houve a separação por castas e o serviço público é a que está no topo, afinal o Brasil dentro da faixa de riqueza possui mais funcionários públicos nesta faixa do que de empresários. Triste o País que possui esta estatística.Triste o País onde nossos filhos e pessoas em tenra idade preferem o concurso público ao empreendedorismo, a criação ao fortalecimento do País .

Quanto ao ódio ao serviço público, ora, não é contra o serviço público é contra o Estado que nos tira através de impostos (carros mais caros do mundo, roupas, livros, maquinas, televisores e etc.) e não nos dá retorno em serviços.

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lara

17 de dezembro de 2016 às 09h26

TESTE

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lara

17 de dezembro de 2016 às 06h18

Cabe destacar que diferente do trabalhador da iniciativa privada/ setor produtivo que faz greve por tempo curto, haja visto “prejudicar” diretamente o patrão ao cruzar os braços
essa frase acima resume tudo o porque o brasileiro odeia os servidores publicos: QUEM PRODUZ E A INICIATIVA PRIVADA E NÃO A PUBLICA

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    Norma Nascimento

    17 de dezembro de 2016 às 17h14

    Iara, segundo o Houaiss, produção = o que é produzido pela natureza, pelo homem ou pela máquina; produto. Produção diz respeito a “coisas”, preferencialmente “mercadorias”. Vim para o serviço público porque não queria “produzir coisas”. A função do servidor público não é “produzir produtos” (com perdão da redundância, mas para deixar bem claro), mas GARANTIR DIREITOS. Quando você ministra uma aula está GARANTINDO UM DIREITO, não “produzindo uma aula”. Quando você leva o medicamento à casa de uma família cadastrada na Estratégia Saúde da Família , você está GARANTINDO UM DIREITO. Quando você analisa um projeto de lei, descobre ali interesse privado e o denuncia, você está GARANTINDO DIREITOS. Entende por que o ódio ao servidor público quando um governo opta pelo patrimonialismo e pelo receituário rentista de RETIRADA DE DIREITOS?

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      Gerson Lopes de Meneses Junior

      17 de dezembro de 2016 às 19h31

      Perfeito!

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        Kátia Medeiros

        18 de dezembro de 2016 às 03h15

        Muito boa resposta!! Concordo!!

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      lara

      19 de dezembro de 2016 às 01h08

      quem falou que uma aula é um direito??? vou dizer uma coisa que vai doer em voces esquerdistas mas é a pura verdade: VOCE SO TEM DIREITO SOBRE ALGO QUE ADQUIRIU O QUE VOCE NÃO PAGOU E ESTA RECEBENDO GRATIS FOI TOMADO A FORÇA DE OUTRAS PESSOAS PRA PAGAREM A VOCE-IMPOSTOS

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        Norma Nascimento

        19 de dezembro de 2016 às 23h50

        Iara, sinto muito se você considera a educação, a saúde, a moradia, a segurança, a cultura e outros direitos de cidadania como mercadorias. Lamentável, mas você acertou: doeu mesmo a sua ignorância. Ui!
        Eu sei que pensar e interpretar texto é difícil para a neo-direita ignorante ( décadas atrás já tivemos direitistas com quem era possível debater). Vou “falar” bem devagar: quando você dá uma aula você está ga-ran-tin-do o di-rei-to à e-du-ca-ção DO SEU A-LU-NO.
        Também sei que é muuuito difícil para o direitista pensar no outro e esquecer de si, mas o termo “direito” nos exemplos dados dizia respeito ao aluno, ao paciente, à população, não a mim mesma. Isso é o que importa, isso é o que está sendo destruído e isso é que causa o ódio ao servidor: ele é o que garante no dia a dia os direitos da população.
        Deu agora pra entender? Qualquer coisa, eu desenho. Abraço!

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          lara

          20 de dezembro de 2016 às 12h45

          educação, saude, moradia e cultura deveriam ser mercadorias sim-exclua da saude os serviços de emergencia fosse estes serviços totalmente fornecidos pela iniciativa privada sem nenhuma interferencia do estado toda sociedade sairia ganhando pois os preços iriam despencar com a livre concorrencia e os serviços seriam muito melhores. Os unicos serviços que o estado deveria fornecer são os de saude-apenas emergencial e a parte juridica o resto o melhor a fazer e entregar para quem sabe fazer as coisas-a iniciativa privada

Juan Slowski

16 de dezembro de 2016 às 22h36

Olha, devo lhes dizer, que o ataque dos meios de comunicação ao serviço público, não é mais o mesmo de outrora. Os servidores foram o bode expiatório, quando em épocas passadas, avançaram nas privatizações de empresas públicas, taxando-os de marajás. Acontece, que hoje, o funcionário público é um coxinha muito útil ao golpe e não sofre ataques como antigamente.

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