Live do Cafezinho: balanço dos partidos de esquerda

Santayana analisa o “não temos prova, mas temos timing”

Por Miguel do Rosário

28 de janeiro de 2017 : 08h29

O “TIMING” E AS PROVAS

Por Santayana, em seu blog

Um delegado, em entrevista a uma revista semanal, declara que a Polícia Federal “perdeu” o “timing” para prender Lula.

Outro delegado, que já manifestou publicamente, nas redes sociais, por mais de uma vez, suas preferências políticas e que, criticado por isso, tentou censurar, na justiça, as manifestações de internautas contra ele, vem a público para afirmar que, na verdade, esse “timing” não passou, e que, em 30, 60 dias, será possível obter condições favoráveis para prender o ex-presidente, cuja esposa acaba de sofrer uma cirurgia para conter as sequelas de um AVC.

Ora, não sabemos se há “timing” para fazer, mais uma vez, a reflexão óbvia e ululante, mas se ainda faltavam provas de que parte preponderante da Operação Lava-Jato tem motivação política – e o objetivo de prender Lula antes que chegue 2018, a qualquer custo – e do incontido ativismo de alguns de seus membros, elas estão aí, escancaradas, mais uma vez, à vista de todos.

Em um país minimamente sério, o ex-presidente Lula seria preso se houvesse provas incontestáveis contra ele, e não em função do “timing” institucional, eventualmente construído com o auxílio de uma campanha midiática exagerada e sórdida, que se arrasta já há quase três anos.

Sutis como elefantes, as duas entrevistas fazem parte de um evidente, incomensurável, indiscutível, strip-tease da justiça brasileira aos olhos do mundo, que desnuda, a cada dia mais, todo o seu acovardamento diante das pressões, sua hipocrisia, sua parcialidade, suas rugas éticas e sua manipulação dos fatos, com a fabricação de factoides tão postiços quanto perucas.

A sua cara – e a opinião pública mundial percebe claramente isso, ao ver, horrorizada, os vídeos postados pelos assassinos – não é, apesar dos arroubos costumeiros da mídia local, quando ocorrem certos convescotes, a dos jovens procuradores e juízes de armanianos ternos, que visitam outros países em busca de holofotes, plaquinhas e diplomas honoríficos; mas a das cabeças arrancadas, diante das câmeras de celulares, a golpes de facão, do tronco de prisioneiros – muitos deles provisórios, que sequer ainda haviam sido julgados – que estavam sob a custódia de um sistema apodrecido até a raiz, incapaz de garantir os mais elementares direitos, ou de fazer valer a Lei e a Constituição, em um país com 8.5 milhões de quilômetros quadrados e a quinta maior população do mundo.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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Luiz

30 de janeiro de 2017 às 13h00

Tudo começa a fazer sentido:

1 – Meganha: “30 a 60 dias, PF terá timing prião de Lula”
2 – Sigilo delações Odebrecht
3 – Vazamentos seletivos

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Carlos

29 de janeiro de 2017 às 13h10

O atual além de ser uma ilha é cercada de bandidos por todos os lados

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Carlos

29 de janeiro de 2017 às 12h58

Eu estou pasmo como as autoridades quer sejam policiais e ou jurídica estão pervertendo as nossas instituições aonde está o estatuto dá PF,

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Henrique

28 de janeiro de 2017 às 22h37

Dimensões, números que contrastam com a insignificância do nosso Judiciário, perfeito.

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THAIS BANDEIRA

28 de janeiro de 2017 às 11h44

Mauro Santayana do alto da sua lucidez bota a mão na ferida e não mede palavras para desnudar uma Instituição que tem em seus postos chaves pessoas ligadas ao PSDB, pois o sociólogo FHC partidarizou a PF. Denuncia também com muita propriedade a Justiça praticada hoje em dia. A que não leva em consideração a presunção de inocência. Para isso nós é que perdemos o “timing” quando não aprovamos a ampliação da Lei do Abuso de Autoridade”, pois foi feito um acordão para safar o Renan.

Thais

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Divaldo De Souza Melo

28 de janeiro de 2017 às 11h31

Levante-se LEI, a senhora está dormindo faz muito tempo! Acorda, vamos lá.

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Maria Teixeira de Magalhaes

28 de janeiro de 2017 às 11h13

Eu tenho conviccao e prova cabal que Santayana está certo.

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Rosa Abreu

28 de janeiro de 2017 às 10h48

convicção já era!

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