Bahia: Refinaria privatizada provoca desabastecimento de Gás de Cozinha

Empresa de Rocha Loures apoiou ’10 medidas contra a corrupção’ do MPF

Por Luis Edmundo

06 de junho de 2017 : 09h24

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Além da reunião com Deltan Dallagnol na véspera do impeachment de Dilma Rousseff, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures mostrou afinidade com a força-tarefa da Lava Jato com outra medida. Uma de suas empresas está na lista de apoiadores “do projeto ’10 Medidas Contra a Corrupção’, lançado no ano passado pelo Ministério Público Federal.

A informação está no Justificando, na Carta Capital, e a íntegra do texto vai abaixo.

Político e produtor agropecuário. A combinação não é incomum. E também inclui o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), preso neste sábado pela Polícia Federal, herdeiro de fazendas e de empresas no setor. A Nutrimental Indústria e Comércio de Alimentos, por exemplo, aparece em lista com cerca de 2 mil instituições apoiadoras do projeto “10 Medidas Contra a Corrupção“, lançado no ano passado pelo Ministério Público Federal. Loures foi gravado pela JBS, em vídeo, recebendo R$ 500 mil de propina numa mala.

Ex-assessor especial de Michel Temer, ele faz parte de um clã de empresários paranaenses. Segundo o sociólogo Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná, uma família com três séculos de poder político no estado. “Uma das principais receitas da Nutrimental provinha da merenda pública, justamente na época em que Gilda Poli da Rocha Loures era Secretária da Educação do Estado”, observa o pesquisador, em artigo publicado em 2007 na revista Sociologias.

Rocha Loures recebeu a mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, presidente da J&F, em uma pizzaria em São Paulo. Segundo o delator, ele foi indicado por Temer como intermediário para assuntos da empresa com o governo. Uma das tarefas era a de resolver uma disputa sobre o preço do gás comprado da Petrobras por uma termelétrica do grupo. O valor da propina aumentaria caso ele conseguisse convencer os membros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, definiu Rocha Loures como o “longa manus” de Temer, ou seja, o mão longa, executor de ordens.

Além da Nutrimental, conhecida pela marca de barra de cereais Nutry, a família de Rocha Loures – a empresa está em nome do pai, homônimo – é sócia da Belarissa Agropecuária, de Londrina, da Ativa Indústria e Comércio de Alimentos, da Newpet Indústria e Comércio de Rações e da Provimi Nutrição Animal, as três de São José dos Pinhais, entre outras empresas no Paraná. No Rio Grande do Sul, ele tem ainda a Pescal Indústria e Comércio de Alimentos. A Nutrimental, por sua vez, é sócia da Ativa e da Rna Indústria e Comércio de Alimentos.

Uma das terras da Nutrimental já foi motivo de disputa com o povo Kaingang, no oeste do Paraná. Em 1992, os indígenas ocuparam terras da empresa contíguas à reserva de Apucaraninha, em Tamarana (PR). A notícia da Folha de Londrina, arquivada no acervo do Instituto Socioambiental (ISA), conta que eles ocuparam a área – o jornal utiliza o verbo invadir – “depois que capatazes da empresa os chamaram de ladrões”.

A Nutrimental cria gado na fazenda Tamarana. Um relatório da Companhia Paranaense de Energia (Copel) mostrava, em 1999, que o reservatório da estatal fazia divisa com a Fazenda Tamarana e com a reserva indígena. A maior parte do domínio fundiário da região, segundo a Copel, pertence à Fundação Nacional do Índio (Funai). A própria empresa está no local em regime de comodato. Um dos problemas que a usina enfrenta é o assoreamento provocado por atividades agropecuárias na região.

Uma pesquisadora da Universidade Federal Tecnológica do Paraná, Hieda Maria Pagliosa Corona, contou em 2013, em artigo sobre o cotidiano de agricultores em São José dos Pinhais, que um deles, fornecedor da Nutrimental, teve duas fortes intoxicações por agrotóxicos “porque os técnicos da empresa exigiam altas doses desses produtos para garantir a qualidade”. “O cheiro de agrotóxico nas verduras que iam pra Nutrimental chegava a dar enjoo e desmaio de cheirar”, afirmou. “E era pra sopinha dos nenês”.

Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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15 comentários

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Beba Monteiro

08 de junho de 2017 às 14h27

O barco do golpe afundou,o triunvirato Temer-Aécio- Cunha faleceu politicamente com os três juntos e misturados no abraço dos afogados, o consórcio golpista está se desfazendo, com os ratos do PPS e PSB pulando fora do barco, tem golpista pra todo lado atirado no Mar revolto da política tentando se salvar, e não aparece mais Mendes, nem Moro ou a Mídia para jogar um bote salva vidas nesse maremoto político, que fez ruir todo e qualquer tipo de blindagem. Todavia, o satanista vampiresco Temer não aceita de jeito nenhum a morte do seu desgoverno, se recusa a entrar no caixão da história e insisti em assombrar os brasileiros com seu pacote de maldades sem fim, as reformas trabalhista e previdenciária. Pode? Vá de reto coisa ruim!! Fora Temer!! Diretas já!!

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Laercio Medeiros Epaminondas

08 de junho de 2017 às 04h55

SERIA CÔMICO SE NÃO FOSSE TRÁGICO.

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Maria Nilva Olavo

07 de junho de 2017 às 07h38

Apoiou as medidas contra corrupção e não seguiu nenhuma

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Wilton Cézar

07 de junho de 2017 às 04h21

Armações ilimitadas.

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Gilmar da Silva

07 de junho de 2017 às 00h20

LEITURA URGENTE
Texto: Professora Alessandra Vieira
“UM BALDE DE ÁGUA FRIA:
Os nazistas mantinham os judeus em fome constante. Assim, os judeus se ocupavam apenas de uma única tarefa durante o dia todo: procurar alimento, sobreviver, matar a fome imediata e urgente. Não tinham tempo e nem energia para organizar conspirações, rebeliões e planos de fuga. A vida se resumia a uma luta individualista, egoísta e solitária pela mera subsistência.
De modo análogo, a maioria dos brasileiros se ocupa apenas da sobrevivência e da dura conquista do básico: moradia, comida, escola e saúde. E mesmo os poucos que conseguem manter esse básico (especialmente a classe média) não têm tempo para se preocupar com mais nada: acordam muito cedo, trabalham mais de 8 horas, retornam exaustos, assistem o Jornal Nacional e vão dormir para reiniciar a labuta no dia seguinte. A vida se resume a uma luta individualista, egoísta e solitária pela manutenção do básico. E as TVs, os jornais e revistas reforçam e martelam diariamente essa ideologia do individualismo e do trabalho maquinal: pense apenas em você; invista apenas em você; é cada um por si; não reclame, trabalhe; não seja vagabundo, trabalhe até o fim da vida; sempre foi e sempre será assim; com esforço você conseguirá vencer; a meritocracia fará você vencer; os sindicatos não servem pra nada; a política não presta; o coletivismo é um sonho; o socialismo morreu; os empresários vão melhorar sua vida; o capitalismo selvagem e sem grilhões é o futuro. E tudo isso é mostrado ao público através de um lustro acadêmico e profissional. A propaganda é tão intensa e tão bem feita que poucos conseguem perceber a grande farsa que existe por trás dessa forma de pensar.
Diante desse cenário, a grande maioria dos brasileiros pouco se importa se o país está passando por um golpe de estado, se os direitos humanos já foram pro vinagre, se não existe mais democracia, se a constituição foi rasgada, se existe prisão política, se haverá uma ditadura militar, se os pobres da cracolância estão sendo tratados como lixo. Para quem a sobrevivência é a única preocupação, essas questões parecem supérfluas, um luxo desnecessário que só se justifica em países ricos. Tudo isso se apresenta como uma névoa de acontecimentos, um falatório confuso, um ruído de fundo na vida cinzenta e maquinal dos trabalhadores.
Querer que essa multidão de autômatos se levante para lutar pela democracia é ser totalmente irrealista, romântico e ingênuo. A grande massa de trabalhadores sem sindicatos, desorganizados e desinformados, apenas perceberão que algo mudou no país quando forem terceirizados, quando não mais tiverem direito a férias e décimo terceiro, quando a carga de trabalho aumentar e o salário diminuir, quando descobrirem que não irão mais se aposentar. A grande massa de trabalhadores não aprende pela informação (pois a única informação que possui vem de seus algozes), aprende pela prática do dia-a-dia. Quando a grande massa de trabalhadores descobrir que tudo mudou, já será tarde demais para mudar.”

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HOCUS POCUS

06 de junho de 2017 às 19h13

Me pergunto por quê O POVO TRABALHADOR VOTA NO CARA QUE ESTÁ DO OUTRO LADO,O EMPRESÁRIO?????A PRIORIDADE DO EMPRESÁRIO É 1°-O DINHEIRO,2° O DINHEIRO E 3° O DINHEIRO.
APRENDAM A VOTAR BANDO DE TROUXAS ! PAREM DE VOTAR NESSA CORJA QUE SÓ FERRA O TRABALHADOR !!!!!!

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Rodolfo Souza

06 de junho de 2017 às 18h34

tchau vampiro !!!!

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Atreio

06 de junho de 2017 às 13h50

pmdb é vilania.
cada dia mais comprovado e evidenciado. será q eles vão mudar de nome, tipo PFL, do cesar-quebra-firma-maia, pra ‘dificultar’ a rastreabilidade?

sem crime, sem impeachment.
carminha e janota se conformaram com oq vem na mala deles?
tá bom o suficiente pra jogar no esgoto o nome de suas familias?

proximos dias dirão.

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João Ferreira Bastos

06 de junho de 2017 às 12h48

quando o Loures encontrou com o pastor, quanto tinha na mala entregue??

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Targino Gurgel

06 de junho de 2017 às 14h26

A cara de pau desses canalhas não tem como medir , é imensa !

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Renato Mendes Cunha

06 de junho de 2017 às 13h23

Esses canalhas do mtf jamais tiveram idéias próprias!

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Dirce Vanso

06 de junho de 2017 às 13h13

Muito roubo que náo acha quem roubou

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Dirce Vanso

06 de junho de 2017 às 13h12

Os juis náo pode pensar em presidente e governador senador eles ganha bem o povo pobre estão sofrendo

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Marluce Aguiar

06 de junho de 2017 às 12h49

Uma das medidas certamente seria me deixa fora dessa!

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Isabela Mendes Oliveira Castro

06 de junho de 2017 às 12h35

Andrea Oliveira Castro

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