Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

A união inabalável do ‘partido da mídia’ em torno das reformas

Por Luis Edmundo

07 de junho de 2017 : 11h24

Imagem: Repórter Brasil

“Não desperdicem a recuperação”, clama o título do editorial do Estado de São Paulo de hoje, inflando ainda o crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) calcado na agricultura. A Folha, que no domingo pediu um Brasil “Sem Temer”, hoje destaca o simbolismo da vitória do presidente com a aprovação da reforma trabalhista em comissão do Senado. Não por acaso, o título de seu editorial é “Agenda e sobrevida”.

O Globo apela às criancinhas para defender a reforma da Previdência. “Gastos públicos não priorizam jovens e crianças”, é o título de seu editorial, no qual, no sutítulo, “ao destinar grande parcela do Orçamento para aposentadorias, principalmente de servidores, e folha de salários do funcionalismo, Estado compromete futuro do país”.

Com este governo ou sem, defendendo desde sempre o presidente ilegítimo, como faz o Estadão, ou sua renúncia, como o Globo, ou indo e voltando a exemplo da Folha, qualquer que seja a alternativa a “grande mídia” está unida no que interessa.

A Folha antes pede a permanência, depois a saída de Temer, finge que pede eleições diretas e agora cogita, ainda, um Brasil com o atual governo até o fim de 2018. Só não muda de opinião com relação às reformas, e pra garantir que elas acontecerão, que o tal do povo não vai atrapalhar, chega a lançar pesquisa de seu desacreditado Datafolha mostrando que 51% de seus leitores preferem eleições indiretas.

O Globo e o Estadão pensam da mesma forma, assim como todo o “partido da mídia” citado por Laurindo Leal Filho, conselheiro do Barão de Itararé, na Rede Brasil Atual, no artigo “Partido da Mídia segue unido e quer saída da crise a seu modo”.

Com Temer ou sem Temer, o que interessa é entregar o país logo, inteiro, ao mercado.

A pesquisa dos gráficos que ilustram este texto pode ser conferida aqui. A mesma ONG Repórter Brasil fez também uma pesquisa sobre a mídia e a reforma trabalhista, que pode ser vista aqui.

Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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8 comentários

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CANDIDO LUIZ SANTOS MALTA

08 de junho de 2017 às 11h16

Os empresários que estão apoiando essas temerosas reformas apostam na ignorância de grande parte do povão e na corrupção dos cidadãos em cargos de responsabilidade do Estado. Vejam o Bolsa Família do trabalhador, que muita gente é contra, e o “Bolsa Família do Judiciário” (Auxílio ou Ajuda educação). Aproveitem e vejam a punição para um cidadão comum e para um de toga. A mamata é tão notória que o moleque é punido com aposentadoria. Num país de autoridades sérias essas e outras “pequenas” diferenças seriam tidas como aberrações. Aqui não porque malandramente colocaram na constituição que todos somos iguais perante a Lei – Juiz, por exemplo, é igual a juiz e cidadão comum é igual a otário. Pior é que diante da Lei Maior, faz sentido. Como diz o poeta popular: “Malandro é malandro e Mané é Mané”.

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Beba Monteiro

08 de junho de 2017 às 14h12

Com o governo caindo de podre e um presidente morto vivo se segurando na cadeira para não ser preso, começou a debandada geral com várias defecções na base de apoio, como o PSB e o PPS, até setores da mídia (Globo e Veja) estão pulando fora do barco do governo Temer, e procurando no almoxarifado do golpe um substituto golpista para continuar com a agenda entreguista privatista e de destruição dos direitos sociais. Mas, o satanista e vampiresco Temer continua impávido que nem Muhammed Ali, porque ainda tem o Estadão, a Folha, o MBL e o PSDB para lhe dar sobrevida. Logo, surge a pergunta que não cala: quem vai ficar para apagar a luz??

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Guilherme

07 de junho de 2017 às 16h54

Que coisa piegas esse negócio de usar o “futuro das criancinhas”.

Elas já nascem devedoras, pois com essa dívida pública de juros obscenos, o que existe é uma transferência de renda do andar de baixo para o de cima.

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Almanakut Brasil

07 de junho de 2017 às 14h48

O partido da mídia não o PT?

Quem deu mais dinheiro para os grandes grupos de comunicação e, principalmente, para os blogs e sites sujos?

QUANDO É QUE OS COFRES PÚBLICOS SERÃO RESSARCIDOS PELOS PARASITAS DAS MAMATAS?

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João Sapucaia

07 de junho de 2017 às 15h18

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Clayton Sales

07 de junho de 2017 às 14h45

Grande imprensa “brasileira”: um cartel de milionários pensando apenas em sua classe abastada e usando o poder da mídia pra tentar tapear o restante da população, a que está fora do clubinho dos ricos. Nenhuma novidade. A luta também é contra essa imprensa “brasileira”.

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    Carrie Coleman

    07 de junho de 2017 às 17h53

    Clayton Sales Corrreção: Grande Imprensa “brasileira”: um cartel de BILIONÁRIOS!

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    Clayton Sales

    07 de junho de 2017 às 17h58

    Verdade. É grana incalculável na jogada.

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