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Mohamed Ali e a cachoeira de amor

Por Pedro Breier

11 de agosto de 2017 : 20h13

(Mohamed curtindo o Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Facebook)

Por Pedro Breier

Na semana passada, Mohamed Ali, um imigrante sírio que vendia pacatamente suas esfirras na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi agredido verbalmente, ameaçado e teve suas mercadorias derrubadas no chão por outros vendedores de rua.

“Sai do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!”, disse um dos homens, enquanto brandia dois pedaços de madeira.

A xenofobia foi a desculpa para expulsar Mohamed de um concorrido ponto de vendas. O vil metal está quase sempre por trás das piores atitudes dos seres humanos.

A cena foi filmada e viralizou. Foi criado, então, um evento no Facebook, marcado para amanhã (12/08): “Comer esfiha na barraca do Mohamed“.

Mais de 40 mil pessoas confirmaram presença ou demonstraram interesse no evento até agora. Haja esfirra, porque parece que a coisa vai rolar mesmo. Foi criada também uma vaquinha virtual para Mohamed comprar um food truck.  Ele foi avisado do evento e agradeceu de forma tocante:

Uma cachoeira de amor que não acaba… Bonito, né?

Em tempos de tanto ódio como o que vivemos, quando amar ao próximo é tão demodê, como disse Renato Russo em Baader-Meinhof Blues, uma reação dessas a mais um episódio triste de intolerância serve para renovar a esperança em dias melhores.

O amor é mais que apenas um sentimento: é simplesmente a verdade universal.

Afinal, segundo a teoria do big bang – a mais aceita para a origem deste universo – toda a matéria e energia estavam, no princípio dos tempos, concentradas em um pequeno ponto. Ou seja, nós e tudo o que existe somos uma coisa só. Estamos apenas ilusoriamente separados.

Quando todos compreendermos este fato e que, consequentemente, amar ao próximo como a si mesmo é o segredo da vida, não haverá barreira de intolerância que seja capaz de segurar a cachoeira de amor universal.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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31 comentários

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Raphael Sanches

15 de agosto de 2017 às 10h22

Como se o tal “brasileiro” fosse índio/nativo; no vídeo o tal brada o orgulho de ser o que não é e assim o orgulho de ter construído este país … só faltou olhar em volta e encarar a realidade que os nobres e brancos imigrantes que vieram para cá deixaram todos os valores e educação na porta de entrada, assim como fazem aqueles que adentram um Bordel … Parabéns “brasileiro” por sua criação !!! … kkkk

OBS. A base de toda descriminação é a imbecilidade, e assim só fazendo ironias mesmos !!!

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Rachel

14 de agosto de 2017 às 15h42

Nada vai segurar a cachoeira de amor. Pode até ficar com pouca água , mas logo , logo a chuva (de amor) a enche de novo.
Em uma manhã de 25 de dezembro , há muito tempo atrás, acordei e veio um pensamento a cabeça, assim do nada, repentinamente, o primeiro do dia. Foi o seguinte ”dar a outra face é fazer diferente” Ou seja responder ao ódio com amor. E foi o que aconteceu com a xenofobia que é nada mais que ódio ( e medo ). Amo o RJ e os cariocas. E agora a barraca do Nosso bem vindo Mohamede vai virar food truck e ele vai ganhar muito dindim, e mandar para as crianças tão sofridas de seu país. Em tempo, eu q não sou católica , recebi um dos melhores presentes de Natal de minha vida

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Camerini Maria Zélia

14 de agosto de 2017 às 00h07

Parabéns! Trabalhar honestamente é tudo que o Brasil precisa. O espaço é livre pra todos dentro das devidas observações da lei.. …!

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maria nadiê rodrigues

12 de agosto de 2017 às 18h54

Nem tudo está perdido nas Terras de Cabral, graças a Deus.

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Hugo Freitas

12 de agosto de 2017 às 20h06

Um bonito gesto do povo do Rio.

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Roberto Freitas

12 de agosto de 2017 às 18h13

JAMAIS O BRASILEIRO ESTÁ FICANDO DOENTE ESTAMOS SENDO CONTAMINADO PELO ÓDIO CUIDADO MAUS AMOR.

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Guilherme Louis

12 de agosto de 2017 às 18h07

Nosso Brasil ainda tem jeito ! Que orgulho !

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Ivone Carvalho

12 de agosto de 2017 às 17h38

Carioca heim?

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Leila Rosado

12 de agosto de 2017 às 17h37

Carlos Ayres Meireles

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Dom Gentil Brito

12 de agosto de 2017 às 17h00

Fizeram propaganda e o Sírio tá arrebentando e a polícia tá atrás dos fascistas! !

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Maria Roland

12 de agosto de 2017 às 13h54

Bem-vindo, Mohamed!!! Estamos com você! <3

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Sephora Terzakis

12 de agosto de 2017 às 13h44

Rio de Janeiro!!! Bora comer esfiha na barraca do Mohamed!! Madeleine Madeleine De Vasconcelos Braga espalha ai a noticia! Onde comem 40 mil comem 60 mil

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Keila Moura

12 de agosto de 2017 às 09h37

Seja bem vindo Mohamend Ali a maioria dos brasileiros não são assim, acredite!

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rogerio

12 de agosto de 2017 às 09h26

Semana que vem estarei no Rio para a Meia Maratona ( 20/08), e é claro que vou passar na barraca do Mohamed. Aguarde-me lá. Paz e bem!! Rogério / BH

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Diana

12 de agosto de 2017 às 09h13

Os bons são maioria ! A propagada do lado negativo é que ainda é mais profissional mas aos poucos vamos mudar essa situação!

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Cícero Soares Neto

12 de agosto de 2017 às 10h50

Força, moço!

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willian rafael

12 de agosto de 2017 às 05h58

o cara que agrediu mohamed é um alienado pela mídia, pelo mbl, pelo vem pra rua. um coitado ignorante que não teve força pra lutar contra a máquina propagandista do mal que é a direita estúpida deste país. sem candidato, sem projeto, sem moral.

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Jotacepinto

12 de agosto de 2017 às 00h49

Essa notícia é um alento! Daqueles que renovam nossa esperança. Grande sacada a criação do evento. E muito mais que bonito o agradecimento de Mohamed: simples e grandioso.

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a.ali

12 de agosto de 2017 às 00h35

sucesso, sempre mohamed!

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Brito

11 de agosto de 2017 às 23h25

Seja bem-vindo,os brasileiros não são assim, somente os Bolsonildos

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Núcia Fernanda Menezes

12 de agosto de 2017 às 02h20

Ananda Sá, vai amanhã comer esfiha na barraca do Mohamed.

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Marcia Calil

12 de agosto de 2017 às 02h12

Sem comentarios

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Leda Vieira

12 de agosto de 2017 às 01h08

AGREDIDO ? POR QUE ? XENOFOBIA ?

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    Gisleine Carvalho

    12 de agosto de 2017 às 01h16

    sim, foi horrivel o que fizeram.

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    Leda Vieira

    12 de agosto de 2017 às 01h33

    GISLEINE, O NOSSO QUERIDO BRASIL ESTÁ IRRECONHECÍVEL , DEPOIS DO GOLPE CONCORDA ?

    Responder

    Leda Vieira

    12 de agosto de 2017 às 02h26

    MARIA TEREZA, É MUITO TRISTE NÃO ?

    Responder

    Gisleine Carvalho

    12 de agosto de 2017 às 04h32

    Leda Vieira concordo plenamente. Estou muito triste com todo esse desmanche, os comentários horríveis que leio na internet, gente pedindo a volta da ditadura militar (bolsolixo), armamento da sociedade, as bancadas da bala, boi e bíblia, fechamento de universidades, perdas de direitos aposentadoria e trabalhista, corte de orçamento de saúde e educação por 20 anos, entrega de nossas riquezas, etc etc é tanta bizarrice, todo dia um descalabro novo, agora essa do DISTRITÃO.

    Responder

    Andrea Prates

    12 de agosto de 2017 às 11h40

    Triste demais ter essa escória raivosa e rasa, como parte do povo brasileiro. É de morrer de vergonha!

    Responder

José Rocha

11 de agosto de 2017 às 21h42

Se esse idiota que te agrediu Mohamed, soubesse
o que os EUA estão fazendo com o teu país , teria te recebido de braços
abertos, como irmão.
Mas é apenas mais um coitado que nem imagina
o que Tio $am lhe reserva.
Seja Bem Vindo Mohamed!

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Danilo Prociuk

11 de agosto de 2017 às 21h40

Irmão Mohamed seja benvindo ao Brasil! Quando estiver no Rio comereiem sua barraca.

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Vera Lúcia Leopoldo

12 de agosto de 2017 às 00h35

Absurdo. Falta de humanidade.

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