Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Para além das “Diretas Já” e do “Volta, Dilma!”

Por Theo Rodrigues

12 de agosto de 2017 : 11h03

Por Theófilo Rodrigues

Duas utopias confrontam-se em ruas, sindicatos, movimentos sociais e grupos de whatsapp: as “Diretas Já” e o “Volta, Dilma!”.

A utopia das “Diretas Já” acredita que o atual Congresso Nacional – o mesmo que na semana passada votou majoritariamente em defesa de Michel Temer – votará para que eleições diretas presidenciais ocorram no início de 2018.

A segunda utopia, a do “Volta, Dilma!”, confia que o Supremo Tribunal Federal – o mesmo que presidiu a votação do impeachment no Senado -, agora promoverá a anulação da condenação da presidenta.

Se o momento é de utopias, por que não pensarmos em uma que possa oferecer uma mudança cultural e permanente na forma como os partidos relacionam-se com a sociedade civil?

Por que não pensarmos na utopia do diálogo?

Hoje, um dos grandes inimigos do país é a falta de diálogo. O debate público está interditado, seja pelo ódio, seja pelas verdades absolutas que não escutam o que os outros têm a dizer.

Por que não pensarmos na utopia das “Prévias Já!” como instrumento para a superação dessa interdição do debate público?

Com as “Prévias Já!”, os partidos de um mesmo campo político poderiam durante alguns meses potencializar o debate na esfera pública acerca de programas e candidatos; mobilizariam eleitores que costumeiramente estão dispersos para decidirem quais princípios programáticos preferem e com quais nomes identificam-se.

Assim como houve de forma inédita na França na última eleição, poderíamos ter no Brasil um grande momento de reuniões politizadas com candidatos de partidos que compartilham minimamente um mesmo campo como REDE, PDT, PT, PSOL, PCdoB, PMB, PPL e PSB.

E – quem sabe? -, sair desse rico processo de engajamento na esfera pública com uma sociedade mais politizada.

Esse processo ocorreria nos primeiros meses de 2018, de janeiro até março. Nele participariam filiados, mas também não-filiados que se identificam com o projeto.

No caso francês, onde as prévias nunca fizeram parte da tradição política, cerca de 4 milhões, dentre os 47 milhões de eleitores do país, participaram do processo de escolha do candidato do campo conservador. No processo de primárias da esquerda, cerca de 2 milhões participaram.

No Brasil, onde o número de eleitores é o dobro do francês, é possível imaginar que as “Prévias Já” mobilizariam cerca de 10 milhões de eleitores, o que seria um número extraordinário para o debate público no país.

A vantagem das “Prévias Já” em relação às duas primeiras utopias é que ela não depende da vontade ou permissão dos adversários, mas apenas dos próprios interessados.

Se essa utopia não se realizar, os culpados serão apenas aqueles que seriam os maiores interessados.

Theófilo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

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11 comentários

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Ramos Sobrinho

18 de agosto de 2017 às 13h27

Hoje, em frente de um hospital militar = exército = no Recife, li isto, na traseira de um carro tipo “jipe”:
“Exército – Partido da ditadura militar – Ditador – Patriota” !!! De 1964 pra cá, o ódio vem se acumulando, babando pelos cantos das bocas-cloacas! Tenhamos cuidado com esse ódio …

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Raquel Benati

13 de agosto de 2017 às 14h59

Se é pra lutar por utopias prefiro a utopia de #ocupatudo #anulaja #voltadilma #eleiçõesgeraisjá #lula2018. Só anulando o golpe é possível reverter o que foi acordado e votado por um bando de políticos comprados a peso de ouro, com as verbas tiradas da saúde, educação, ciência e tecnologia, direitos humanos. Negociar com golpistas é só mais do mesmo. Golpista não respeita regras democráticas. Simplesmente usa as regras quando é de seu interesse.

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Ubiratan Sousa

13 de agosto de 2017 às 07h37

O Povo, agora que começa a acordar e ainda não está reagindo, expulsar esses Golpistas , dificilmente acontecerá…mas torçamos por isso, prezado rodrigo. Abs

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a.ali

13 de agosto de 2017 às 00h01

se o povo levantasse o bundão gordo do sofá e desligasse a gROUBO e se, mínimamente, se informasse, se lessem história, se dessem conta que estão dando, de mão beijada, o pouco das riquezas que nos restam, que os eua estão transformando o Brasil seu quintal, que os poderes são podres e macumunados e só se movem em seus próprios interesses e saisem às ruas mostrando sua força, DUVIDO que a situação já não teria mudado mas preferem ser pregos: levam na cabeça e se afundam cada vez mais!

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Rodrigo N. Matsui

13 de agosto de 2017 às 02h16

Não há incompatibilidade entre diretas já e prévias, as duas coisas precisariam estar acontecendo. “Diretas já” é uma bandeira prioritária e permanente a partir da leitura de que sofremos um golpe de estado e é preciso restaurar a democracia, ela é necessária para que possamos recuperar o direito de debater publicamente os rumos do país e votar num projeto, mesmo que se arraste até o pleito de 2018, pois é a concepção de que se não houver mobilização permanente e crescente com esta bandeira, podemos ter uma anulação do pleito por uma dessas manobras descaradas dos golpistas, ou a continuação da caçada indiscriminada aos fortes concorrentes que representam um projeto alternativo de defesa nacional e popular. Com a campanha das diretas unificando o campo popular, as prévias precisam acontecer ao mesmo tempo para definirmos o quanto antes o melhor projeto e a melhor candidatura, o que só fortalece e organiza a campanha pelas diretas. Estamos considerando que foi dado um golpe de estado, de maneira que as diretas não contém a utopia de convencer este congresso de pilantras, mas sim a compreensão de que é preciso mobilizar as massas para ocuparem as assembleias e colocá-los pra fora. Eleições gerais e diretas já. E que comecem as prévias no campo popular.

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Luiz Pereira

12 de agosto de 2017 às 18h47

Marina Silva apoiou o Aécio na eleição passada. Dos quatro deputados da Rede, dois votaram a favor do impeachment. Nem mesmo sei se a Rede se identifica como partido de esquerda, Marina disse que não é um partido de esquerda. O PSOL pode até ter votações no Legislativo parecidas com o PT, mas não aceita aliança, no Rio recusou aliança com o PT e PC do B, e Luciana Genro continua dizendo que o objetivo do partido é combater a direita e o lulismo. O PSB teve 14 votos a favor da Reforma Trabalhista, no impeachment 29 votaram a favor, apenas 3 contra. Lamento meu pessimismo mas não parece que esses partidos formarão uma frente ampla.

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Antonio Lisboa Antonio

12 de agosto de 2017 às 16h47

Ou o povo vai à rua, grita, briga e até morre; ou a nação continuará sangrando, até a última gota trabalhista.

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    LUIZ CLAUDIO

    14 de agosto de 2017 às 08h31

    ANTONIO SOTEMOS ESSA SAIDA ! O POVO UNIDO NAS RUAS, NAO TEM MORO CERTO E NEM DESEMBARGADOR FARSISTA ESCRAVO DA GLOBO QUE RESISTA A SABOTAGEM DESSES CANALHAS DE CURITIBA ! MORO E UM FARSISTA , QUE VEIO AO MUNDO PRA ROUBAR , MATAR E DESTRUIR !

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LUIZ CLAUDIO

12 de agosto de 2017 às 13h41

O ADVOGADO FELISBERTO ODILON , FEZ O GALLO VIRAR CODORNA, APOS O CNJS A CODORNA SERA` PROMOVIDA A GALINHA DANGOLA . . . TO FRACO TO FRACO TO FRACOOOOO

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Reginaldo Gomes

12 de agosto de 2017 às 12h43

Fantástica a proposta!
A utopia do diálogo sobre as prévias é a melhor ideia que ouvi após a deflagração desse golpe movido a caguetagem premiada.
O diálogo se dá por contágio e o exemplo é o vetor . Alguém tem começar, se não, num começa! Nada melhor que começar com demonstração de grandeza.
Prévias já!!!!!!!!!!

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Maria Thereza Freitas

12 de agosto de 2017 às 12h16

gostei da ideia. como diz o autor, não depende dos humores e vontades de golpistas, mesmo que não haja eleições em 2018, fica lançada a semente e, quem sabe, maior envolvimento do povo

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