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Perdeu, playboy!

Por Ricardo Azambuja

31 de outubro de 2017 : 01h52

(Foto: Sputnik/Andrei Stenin)

Por Ricardo Azambuja, colunista do Cafezinho

Parece que as coisas não estão saindo como Washington e Tel Aviv gostariam. Mais do que isso, há uma clara indicação de derrota dos EUA e Israel no contexto da guerra na Síria. Apesar das mentiras de Trump e do esforço de Benjamin Netanyahu em tentar mostrar o contrário, atacando alvos em território sírio, todas as jogadas e artimanhas planejadas pelos governos e serviços de inteligência de ambos fracassaram.

Para completar a penúria, uma informação publicada dia 20, mais precisamente no blog independente Zerohedge, destacava um acordo secreto entre as milícias das Forças Democráticas Sírias, apoiadas e financiadas pelos EUA, e o comando russo na Síria para definir detalhes da devolução de um grande campo de petróleo ao governo de Damasco, antes na mão das milícias curdas. Sendo confirmada essa notícia, fica a impressão de que nem a oposição síria confia mais em seus tutores.

A pressão das forças de coalizão pró-Assad sobre as milícias do YPG curdo, ao mesmo tempo que o exército do Iraque dava um fim na rebelião das forças da Peshmerga de Masoud Barzani, sepultaram o desejo de americanos e israelenses de um Curdistão independente na Síria. Uma última aposta para manter um entreposto de poder na conturbada região.

Tudo indica que houve uma oferta melhor e mais realista por parte do governo sírio, de negociar a autonomia curda depois de superado os embates militares, o que justificaria a entrega pelos curdos do campo de gás em Deir Ezzor aos russos. Canais secretos de comunicação entre o governo sírio, diplomatas russos e representantes curdos, ao que parece, construíram um acordo aceitável para todos, pelas costas dos comandantes norte-americanos na região.

Em todos os casos, os EUA terão de lidar com a evidência de que eles são os grandes perdedores em tudo isso – o que é fato. Sai mais forte o Irã, como potência regional, e a Rússia, afirmando um mundo multipolar.
No ocidente, compra-se barato as pérolas de Trump, de que tudo vai bem nas operações contra terroristas na Síria. Acredita quem quer. A verdade é que o plano americano para desestabilizar e retaliar a Síria fracassou perante a esperteza de um Putin. Mas sabe-se lá quais serão as próximas atitudes da trupe (trumpe), que com certeza não irá admitir a derrota.

Enquanto isso, em Astana, a delegação russa, o vice-ministro das Relações Exteriores da Turquia, Sedat Onalm, e o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Jaberi Ansari, iniciaram a 7ª rodada de negociações entre Damasco e a oposição síria, com observadores da ONU, EUA e Jordânia. Uma vitória estrondosa da Rússia e Irã na resolução de um dos mais graves conflitos internacionais.

 

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5 comentários

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Jorg Wagner

01 de novembro de 2017 às 08h01

Parabéns pela matéria elaborada e redigica por Ricardo Azambuja. Aqui na Europa o foco saiu drasticamente da situação da Síria e esta toda focada na Coréia do Norte. Os abutres jornalisticos avidos de sangue, confusão e drama abandonam facilmente uma tragédia atras da outras sem ter um envolvimento maior de pesquisa e garimpagem dos fatos de maneira imparcial. A reportagem acima volta ao drama da Síria e retrata de maneira sucinta um outro lado deste conflito que não é muito explorado pelos grandes noticiarios monopolistas. Parabéns pelo trabalho e ótica investigativa do colunista Ricardo Azambuja.

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Eloiza Augusta

31 de outubro de 2017 às 11h50

Maravilha

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Antonio Passos

31 de outubro de 2017 às 06h49

É uma derrota ao nível das guerras da Coreia e do Vietnam, mas há algo que me incomoda. A demonização de Trump me parece mais uma farsa montada pela imprensa ocidental. Há comentaristas estrangeiros independentes que afirmam categoricamente que Trump está, na medida do possível e sob o manto de declarações bombásticas, desmontando a estratégia de Bush, Hillary e Obama, que destruíram meio mundo. É preciso se olhar os fatos e não as manchetes da mídia imperialista que cria um mundo que não existe. Basta ver o exemplo do Brasil.

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    hilario muylaert

    31 de outubro de 2017 às 10h14

    Concordo. Trump parece estar fazendo o tão famoso e habitual jogo duplo dos ingleses e estadunidenses. Mas, desta feita, no sentido contrário…….
    Ainda temos que aguardar, mas a repentina virada na guerra civil síria indica que Trump pode estar rompendo com o “estado profundo”. A Rede Voltaire, de Thierry Meyssan tem visão semelhante.
    A própria tentativa de desestabilização e “golpe” é um bom indicativo da insatisfação com os rumos tomados pelo governo Trump.
    O estado profundo está tentando derrubar Trump.

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      JOÃO CARLOS AGDM

      31 de outubro de 2017 às 11h11

      Concordo plenamente. Sempre comentei que Trump tinha uma face de louco demais. Não era possível que louco demais chegasse à presidência dos Estados Unidos. Sempre achei que ele iria manejar por baixo dos panos as loucuras criadas pelos governos anteriores.
      Se a mídia americana passar a atacá-lo pesadamente estaremos corretos.
      Isto é, se quem manda no governo dos States não mandar matá-lo antes, como fizeram com John e Robert Kennedy…….

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