Entrevista de Haddad ao SBT

O golpe é racista: violência e desemprego atingem mais pardos e negros

Por Miguel do Rosário

17 de novembro de 2017 : 09h57

O golpe, como ficou claro desde o início, foi também racista.

O flagra do âncora William Waack, desnudou o “esprit de corps” da Globo, cuja biografia corporativa deveria ser uma ironia com o livro de seu diretor de jornalismo. Deveria ser: “Somos todos racistas”.

Dentre os 54 milhões de eleitores que tiveram seu direito político violado por um processo de impeachment forjado nos porões do crime, a maioria eram pardos e negros.

Assim que roubou o poder, Michel Temer montou um ministério composto exclusivamente de homens brancos.

Nenhum jovem, nenhum negro, nenhuma mulher.

Todos muito ricos, naturalmente.

E agora, que o golpe arreganha seus dentes para a população, as principais vítimas são sobretudo os pardos e negros.

Segundo o IBGE, o nível de desemprego entre os negros é particularmente alarmante.

Pardos e negros formam 64% dos desempregados do país.

Entre pardos e negros, o desemprego é de 15%, contra 10% para os trabalhadores brancos.

Se considerarmos fatores como a qualidade do emprego e a subocupação, a situação é muito pior para pardos e negros.

Os negros tem os piores empregos, sofrem com a sub-ocupação e suas crianças e jovens tem menos oportunidades para sair dessa situação.

Nessas circunstâncias, a postura de um William Waack é particularmente revoltante. Mas não é só William Waack.

E o que falar da última manifestação racista de Ives Gandra, um dos principais juristas em favor do impeachment?

Será que ele não conhece nenhum desses números? Os jornalistas que o entrevistam não o advertem?

Será que Gandra não viu o último mapa da violência, que mostra que 76% das vítimas de execuções policiais em 2016 foram… negros?

***

No site do IBGE.

Pretos ou pardos são 63,7% dos desocupados

17/11/2017 | Última Atualização: 17/11/2017 08:53:19

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada hoje pelo IBGE, no terceiro trimestre de 2017, dos 13 milhões de brasileiros desocupados, 8,3 milhões eram pretos ou pardos (63,7%). Com isso, a taxa de desocupação dessa parcela da população ficou em 14,6%, valor superior à apresentada entre os trabalhadores brancos (9,9%).

A taxa de subutilização – indicador que agrega a taxa de desocupação, de subocupação por insuficiência de horas (menos de 40 horas semanais) e a força de trabalho potencial – teve comportamento semelhante. Para o total de trabalhadores brasileiros, ela foi de 23,9%, enquanto que para pretos ou pardos ficou em 28,3%, e para brancos em 18,5%. Das 26,8 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil, 17,6 milhões (65,8%) eram pretas ou pardas.

66% dos trabalhadores domésticos no país são pretos ou pardos

No terceiro trimestre de 2017, pretos ou pardos representavam 54,9% da população brasileira de 14 anos ou mais e eram 53% dos trabalhadores ocupados do país. Mas, apesar de serem a maioria, a proporção de pretos ou pardos ocupados (52,3%) era inferior à da população branca (56,5%). Além disso, o rendimento dos trabalhadores pretos e pardos foi de R$1.531, enquanto o dos brancos era de R$2.757.

O percentual de empregados pretos ou pardos do setor privado com carteira assinada (71,3%) era mais baixo do que o observado no total do setor (75,3%). Dos 23,2 milhões de empregados pretos ou pardos do setor privado, 16,6 milhões tinham carteira de trabalho assinada.

Quando observada a distribuição da população ocupada por grupo de atividades, é possível perceber que a participação dos trabalhadores pretos e pardos era superior à dos brancos na agropecuária, na construção, em alojamento e alimentação e, principalmente, nos serviços domésticos. Os pretos e pardos representavam 66% dos trabalhadores domésticos no País.

25,2% dos trabalhadores pretos ou pardos atuam como ambulantes

A PNAD Contínua mostrou, ainda, que, no Brasil, somente 33% dos empregadores eram pretos ou pardos. Já entre os trabalhadores por conta própria, essa população representava 55,1% do total. Mais de um milhão de trabalhadores pretos ou pardos atuavam como ambulante, totalizando 66,7% dessa ocupação. No terceiro trimestre de 2017, 25,2% dos trabalhadores pretos ou pardos atuavam como ambulantes, em 2014 esse percentual era de 19,4%.

Para o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, indicadores como esses revelam quão desigual é o mercado de trabalho brasileiro. “Entre os diversos fatores estão a falta de experiência, de escolarização e de formação de grande parte da população de cor preta ou parda. Isso é um processo histórico, que vem desde a época da colonização. Claro que se avançou muito, mais ainda tem que se avançar bastante, no sentido de dar a população de cor preta ou parda igualdade em relação ao que temos hoje na população de cor branca”, destaca.

Texto: Mônica Marli
Arte: Helena Pontes
Imagem: Arquivo IBGE

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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11 comentários

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gustavo

19 de novembro de 2017 às 21h04

IVES GANDRA não passa de um vagabundo. Nunca trabalhou ou produziu alguma coisa. Nomeado para o Judiciário pelo PSDB, é assecla de FHC. Perseguidor de quem trabalha, adora dar pitaco em assuntos que não lhe dizem o menor respeito; óbvio, não tem o que fazer no seu medíocre dia a dia.

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ari

17 de novembro de 2017 às 19h09

Não há nenhuma novidade no discurso do Gandra. E ele é facilmente desmontável. Fico com apenas um ponto, quando ele diz que os índios (segundo ele, 450 mil, o que não é verdade), detêm 15% das terras brasileiras.
1) Não são 15% mas sim 13 e qualquer coisa
2) Desse total, 80% estão na Amazônia, onde a reserva ambiental é de 80%
O que o advogado não fala é que 44% das terras brasileiras estão nas mãos de 1% da população. E não são terras na amazônia mas em áreas valorizadíssimas.

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Maria Dina Pereira de Sousa

17 de novembro de 2017 às 17h28

A direita quem queria o poder e o Gandra é mais um deles que tomaram o poder a pedido do PSDB, seu principal líder Aécio junto com todos que votaram contra a classe trabalhadora. Na verdade quem manda hoje no Brasil é uma quadrilha que esta comprovada, malas de dinheiro, apartamento cheio de dinheiro também e o Temer foi cassado? não continua livre com aval do STF, não temos justiça nesse país todos os poderes corrompidos sem moral. E com tudo isso quem sofre somos nós da classe trabalhadora que estamos vendo tudo desmoronando nessa inercia toda sem protestar e com medo, com aprovação da lei trabalhista o que sinto estamos sem governo quem manda no país é o mercado junto com sua midia. Fora Temer, fora STF e fora LAVA JATO a destruidora das empresas brasileira e sua também essa mídia golpista.

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Orlando Soares Varêda

17 de novembro de 2017 às 13h59

Esse sujeito é um lixo. Ou, se preferir, um resíduo sólido. De ser humano, o yves grand merda, não tem mais nada. Imagino que esse estrupício, deve ter sido uma criancinha que muitos imaginavam seria um ser humano. Nada disso, o bicho cresceu, engrossou o pescoço e, deu chabu. Se transformando nesse rebotalho asqueroso.
Orlando

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Carlos Valentin

17 de novembro de 2017 às 13h15

Este Ives é um “Gandra” fdp!

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Fanoni

17 de novembro de 2017 às 13h05

Brancos supremacistas e o legado da violência.
Este pais precisa ser descolonizado.

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Omag

17 de novembro de 2017 às 11h10

Não sei porque mas Hitler me veio à cabeça.

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Mar

17 de novembro de 2017 às 10h43

O cara é a escrotidão em pessoa. Que tal dizer ao Ives Gandra para deixar de mamar na teta do estado e ir fazer alguma coisa que preste pelo país, vagabundo! O coxinha costuma dizer que a esquerda perdeu a boquinha, só que os trouxas omitem que a direita ganhou a bocona.

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Ruy Mauricio de Lima e Silva Neto

17 de novembro de 2017 às 10h18

Como o senhor faz para viver no Brasil nos dias atuais? Muito simples, Meretíssimo. Coloque uma boa bermuda, com uma camisa Lacoste incrementada, vá na adega e retire a sua garrafa de Chivas Regal (ou na geladeira para apanhar uma água de coco), ligue o seu Home Theater de 92 polegadas com um DVD de Mozart, e vá para a varanda desfrutar do farfalhar das folhas e do aroma das flores. Se houver uma rede macia e nordestina por perto, não se acanhe, durma serenamente. O Brasil dos “dias atuais” é todo seu, e de crápulas traidores de mesma laia. Eu (e milhões de outros brasileiros) é que me pergunto como é que fazemos para sair desta merda que os senhores jurisconsultos, e corruptos em geral, dos chamados Três Poderes, criaram contra a perigosa criminosa, guerrilheira anarquista,comunista,socialista, marxista, corrupta, terrorista,carbonária Dilma Rousseff.

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    River

    18 de novembro de 2017 às 00h59

    O papo de sapão do Jorge Picciani — aquele sem pescoço — apareceu no Jornal Nacional
    agora filmado por uma super câmara (lente) de uns 100 metros de distância de
    dentro da casa dele.
    Havia uma empregada na cozinha em um fogão industrial preparando muita comida.
    Ele — o Picciani velho estava em uma bancada pegando um vinho — aparece pouco,
    mas parecia ser um Capanna Brunello di Montalcino Sexteto, tinto,
    que custa por volta de 3.299,00 a garrafa.


    Agora a gente liga os pontos de porquê o filho dele o Leonardo Picciani durante as Olimpíadas estava muito com cara de atribulado, falo do filho, o tal Ministro dos Esportes, que votou a favor da dilma no impeachment.
    Ligou os pontos de tudo, agora?

    Responder

Joanna

17 de novembro de 2017 às 10h06

Sujeitinho ridículo, esse gandra!

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