03.04 Coletiva do Ministro da Saúde

Partidos de esquerda denunciam novo golpe do STF

Por Miguel do Rosário

22 de novembro de 2017 : 11h31

Brasília – O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto (Valter Campanato/Agência Brasill)

Olha como são as coisas.

1) O ministro do STF, Teori Zavaski, morre num acidente misterioso.
2) A morte de Teori é muito oportuna para o grupo de Temer e Aécio Neves, que imediatamente nomeia um novo ministro, Alexandre de Moraes, um tucano de longa data.
3) Alexandre de Moraes, assim como Gilmar Mendes, outro ministro tucano, concentram em si todos os processos envolvendo políticos do PSDB.
4) Moraes é “sorteado” para ser o relator de uma ação popular que pede a anulação do impeachment.
5) Moraes autoriza que o Senado faça condução coercitiva até Brasília do curador do Queer Museu, atendendo a demanda de setores reacionários da sociedade.
6) Moraes trabalha, junto ao STF, para que o congresso tenha poderes para mudar o sistema político do país, de presidencialismo para parlamentarismo, beneficiando os mesmos grupos políticos e financeiros que articularem o golpe de 2016.

Seria o segundo golpe de Estado, em pouco mais de um ano, chancelado ou mesmo apoiado pelo STF.

***

NOTA DOS PARTIDOS POLÍTICOS
EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA SOBERANIA POPULAR

1) A repentina inclusão, na pauta do STF, de uma ação para definir se o Congresso tem poderes para adotar o sistema parlamentarista, sem consultar a população em plebiscito, é o primeiro passo de mais um golpe contra a democracia e a soberania popular no país.

2) Trata-se de um movimento acintosamente estimulado pelo governo golpista, para impedir que um presidente legitimamente eleito pelo povo assuma o governo com os plenos poderes previstos na Constituição, como foi decidido duas vezes em plebiscitos nacionais (1963 e 1993).

3) Cientes de que não conseguirão se manter pelo voto popular, as forças que sustentam o governo golpista pretendem evitar, a qualquer custo, a retomada do processo democrático, para continuar implementando sua agenda de retrocessos, de retirada de direitos e de entrega do patrimônio nacional.

4) É urgente denunciar e enfrentar mais este golpe, motivo pelo qual nossos partidos constituem uma Frente em Defesa da Democracia, com o objetivo de garantir eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas.

5) Quem propõe a mudança do sistema de governo tem de enfrentar esse debate com o povo, por meio de plebiscito, e não por conchavos políticos e manobras judiciais.

6) Só por meio de eleições livres e democráticas teremos um governo com a necessária legitimidade para superar a grave crise econômica, social e política em que o país se encontra, retomar o desenvolvimento com justiça social, a geração de empregos e a defesa do patrimônio nacional.

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT
Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB
Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Roberto

23 de novembro de 2017 às 03h14

É continuação do mesmo golpe. Essa fase é para consolidar o poder e garantir a continuidade do poder nos próximos anos.

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RAIMUNDO NONATO PEREIRA

22 de novembro de 2017 às 17h43

Agora é que o STF VAI VIRAR UMA ZONA,pois será camandado pelo ministreco, dias tóffolis,o office boy de gilmar mendes,o qual será na verdade o presidente da corte de fato, e o seu SERVIÇAL DE DIREITO.a NOSSA JUSTIÇA VAI VIRAR UM VERDADEIRO BORDEL DE INFRINGÊNCIA DAS LEIS VIGENTES NO BRASIL.SENDO ASSIM,O FUJI MORO VAI DEITAR E ROLAR NAS SUAS TRUCULÊNCIAS E ARBITRARIEDADES CONTRA OS MEMBROS DOS PARTIDOS DE ESQUERDA,VAI TER GUERRA!

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danilo

22 de novembro de 2017 às 16h12

Siqueira, Luppi, Gleisi, Luciana. Esqueçam. Na demoçracia não há mais jeito, porque não há mais democracia. Vocês só estão aí por serem a minoria. Sem chances de mudarem nada. Podem fazer notinhas, protestar, não vai adiantar. O que resolveria seria uma revolução. Mas revolução violenta. Sem conchavos, apaziguamentos. Ou tudo ou nada. Terra arrasada. Disseminar essa turma toda, para começar do zero. O Brasil só não acabou, o que seria bom, porque começaríamos do zero. É simples agora. Eles ou nós. Não há mais chance alguma de conciliação. Essa é a realidade. Difícil e doloroso de admitir, sim. Mas não haverá vitória sem muita dor.

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Mar

22 de novembro de 2017 às 12h58

Por isso que defendo a demissão sumária de todo o atual STF e mudem as regras para escolhas desses ministros, além de tirar seus privilégios.

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Reginaldo Gomes

22 de novembro de 2017 às 12h20

O jogo tá difícil.
O PMDB controla as seguintes instituições:
1) STF;
2) PGR;
3) PF;
4) Câmara;
5) Senado;
6) Trata como bêbados a lavajato e o ministério público;
O PMDB ELEGER O PRÓXIMO PRESIDENTE, É QUASE UMA CERTEZA”!!!!!!!!!!!

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Ruy Mauricio de Lima e Silva Neto

22 de novembro de 2017 às 11h40

O quadro é realmente apavorante, de deixar saudade de 1964! (Deus que me perdoe).Quatro partidos contra 31 entre os quais dois ou três dos maiores! Só mesmo com uma Bomba de Neutrons!

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