Meganhagem volta a atacar a UFSC!

Reproduzimos abaixo reportagem publicada há pouco no UOL, mostrando que a meganhagem que matou o reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier, voltou a atacar a universidade, tentando encontrar alguma coisa que possa minimizar o dano à sua imagem causado pelo assassinato político e moral de uma figura querida pela comunidade acadêmica.

As manifestações de repúdio ao arbítrio e à violência parecem ter provocado um efeito contrário na meganhagem. As corporações, sentindo que o seu poder está sendo seriamente questionado, passaram a agir com desespero.

Aparentemente, a PF, agindo como uma máfia, está promovendo um ato de vingança. O ódio mafioso da PF parece ter fugido ao controle depois de que o ministro da justiça, Torquato Jardim, pressionado pela família do reitor Cancellier e, sobretudo, por um movimento crescente da opinião pública, resolveu suspender a promoção da delegada Erica Marena e abrir uma investigação contra ela.

Elas contam com o silêncio de um governo chantageado, chantagista e chantageador, sem compromisso algum com a democracia ou com direitos humanos, mas única e exclusivamente com sua sobrevivência. Um governo que entendeu que, somente obedecendo rigorosamente às ordens do mercado financeiro, que fala através da grande mídia, poderá ganhar tempo para continuar substituindo juízes e aparelhando o Estado a tempo de se salvar.

Sem comando no governo, mas com uma orientação política muito clara, as corporações meganhas avançam contra o que entenderam ser o seu inimigo mais perigoso e mais vulnerável: as universidades, onde ainda existe um pensamento rebelde, livre, que pode contestar o golpe, e as quais, por serem públicas, são alvos fáceis de campanhas de desmoralização, sempre com ajuda da mídia, apenas com a criação de inquéritos intermináveis que lancem suspeitas sobre o uso de verbas federais.

Não se trata de investigação, mas de caça às bruxas, verdadeiros “pentes finos”, que servem para intimidar professores, funcionários e estudantes. O resultado já é previsto: qualquer mínima irregularidade administrativa será amplificada, exagerada até a histeria, com auxílio de uma imprensa completamente acrítica e chapa-branca, além de cúmplice desse tipo de fascismo.

A matéria abaixo, do UOL, já mostra isso. É exatamente o mesmo modus operandi da operação que matou o reitor. Os valores totais de orçamentos para pesquisa são exibidos como desvios, com a finalidade explícita de impressionar e manipular a opinião pública.

É importante que todos saibam que essa tática, criminosa, foi inaugurada pela Lava Jato, que está sempre procurando estampar, na grande imprensa, valores exagerados, que depois se tenta confirmar de qualquer maneira, com delações forjadas nos porões escuros da tortura psicológica.

Uma das consequências mais trágicas desses ataques à universidade é a paralisação das pesquisas, o que naturalmente provoca danos muito maiores aos cofres públicos do que os supostos desvios que os meganhas dizem investigar. Mais que aos cofres públicos: são danos ao interesse público, à economia, ao desenvolvimento, ao emprego, ao futuro e à própria sobrevivência do nosso povo.

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No UOL

Após suicídio de reitor, UFSC é alvo de nova operação da PF

Do UOL, em São Paulo 07/12/2017 – 08h08 > Atualizada 07/12/2017 – 08h35

A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) é alvo de uma nova operação da PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (7), dois meses após o suicídio do reitor da instituição Luiz Carlos Cancellier. Na ação de hoje, a PF, junto com a CGU (Controladoria Geral da União) e o TCU (Tribunal de Contas da União), investiga a aplicação irregular de verbas públicas federais destinadas a projetos de pesquisa desenvolvidos por fundações de apoio da UFSC.

Em outubro, Cancellier, que tinha 59 anos, pulou do quinto andar no vão central de um shopping de Florianópolis. Dias antes, ele e seis professores foram alvo de outra operação da PF que apura supostas irregularidades na concessão de bolsas de ensino a distância.

Cancellier não era suspeito de desvio de recursos, mas de tentar intervir em uma apuração interna. A PF abriu sindicância para investigar a conduta de agentes em ação na UFSC.

Cancellier não era suspeito de desvio de recursos, mas de tentar intervir em uma apuração interna
Na operação desta quinta-feira, a PF informou que as investigações tiveram início em 2014 a partir de uma comunicação feita pelo gabinete da Reitoria da UFSC. O documento analisava aparentes irregularidades em projetos de pesquisa desenvolvidos com uso verbas públicas federais firmados em 2003 e 2004.

Entre as irregularidades apontadas, os investigadores encontraram indícios de contratações de serviços sem licitação prévia. Também são mencionados pagamentos realizados a empresas vinculadas a servidores da universidade ou das fundações de apoio, e até mesmo pagamentos efetuados a empresas fantasmas, segundo a CGU.

De acordo com os investigadores, dois dos servidores investigados teriam movimentado cerca de R$ 300 milhões em contratos na coordenação de projetos e convênios entre os anos de 2010 a 2017.

“Durante esse período, foram identificadas diversas irregularidades quanto à execução financeira apontando para o desvio de verbas públicas e para a prática de outros crimes licitatórios”, diz a PF em nota.

As irregularidades investigadas foram auditadas pela CGU e pelo TCU, que solicitaram a correção de práticas administrativas que poderiam levar ao mau uso do dinheiro público, “o que não foi atendido pelos administradores”, segundo a PF. “A UFSC, segundo informações da CGU, é a entidade recordista em recomendações para correção de irregularidades no estado de Santa Catarina, com cerca de 120 recomendações”.

Também é alvo da operação um servidor aposentado da UFSC que teve sua própria empresa contratada por cerca de R$ 20 milhões sem licitação, de acordo com a PF. Esse contrato foi questionado pelo TCU.

O UOL procurou a universidade a respeito da operação desta quinta-feira, mas não obteve retorno até o momento.

Para a operação, chamada “Torre de Marfim”, foram expedidos pela Justiça Federal 20 mandados, sendo 14 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento).

As ordens judiciais são cumpridas em Florianópolis e Balneário Camboriú. Os investigados devem responder por crime licitatório, peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro, bem como por atos de improbidade administrativa.

Segundo a PF, o nome da ação faz referência “a um afastamento da principal finalidade do mundo acadêmico”.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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