Entrevista de Lula à Revista Forum

Chegamos ao 3ª lugar em encarceramento no mundo. Prender mais gente vai resolver alguma coisa?

Por Pedro Breier

08 de dezembro de 2017 : 15h10

(O garoto negro e Alckmin, o candidato a presidente do status quo. Charge: Latuff)

Por Pedro Breier

Você com certeza já ouviu – mais de uma vez – alguém falar que o problema do Brasil é a impunidade.

Pois bem.

O Ministério da Justiça divulgou hoje os dados mais recentes (de junho de 2016) sobre a população carcerária do nosso país. Ultrapassamos a Rússia e chegamos ao vergonhoso 3º lugar do planeta Terra no quesito número de presos. China e Estados Unidos estão à nossa frente.

Temos também a 3ª maior taxa de encarceramento por 100 mil habitantes do mundo, ficando atrás de Estados Unidos e Rússia neste quesito. Veja mais dados na matéria da Follha.

A maioria dos presos é negra, jovem e de baixa escolaridade (veja aqui). Enquanto 53% da população brasileira acima de 2018 anos é negra, 64% dos presos são negros. 75% da população prisional brasileira não cursou o ensino médio. Apenas 1% dos presos chegaram a iniciar ou concluir o ensino superior.

Os dados demonstram de forma límpida que o nosso problema está longe de ser a impunidade. Prendemos muito mais gente do que seria aceitável em um país civilizado.

Os números divulgados também permitem-nos uma análise sobre o funcionamento da engrenagem do sistema capitalista para que o status quo seja mantido.

O primeiro passo é a completa ausência do Estado na vida da população pobre e majoritariamente negra. A falta de investimento público em educação tem o objetivo de impedir que quem não tem dinheiro para pagar um colégio particular estude.

Sem estudo, o jovem de classe baixa normalmente tem duas opções.

A primeira é trabalhar muito, muitas vezes em empregos precários, ganhar pouco e ainda ter que passar uma quantidade absurda de horas do seu dia no transporte público lotado e, portanto, praticamente abdicar de uma vida pessoal com o mínimo de dignidade e tempo para o lazer e para fazer as coisas que gosta.

A segunda opção é trabalhar para o tráfico ou até mesmo roubar. Este é, muitas vezes, o único caminho possível para viver com alguma dignidade e também para se adequar ao que a portentosa máquina de propaganda do sistema capitalista impõe como sinal de sucesso na vida: possuir e consumir itens caros.

Depois de empurrar boa parcela dos jovens marginalizados para o tráfico, o sistema usa a estúpida proibição das drogas como desculpa para o encarceramento em massa destes jovens em um sistema prisional medieval, dominado por facções de criminosos, do qual a absoluta maioria sai sem qualquer perspectiva de futuro fora do mundo do crime.

Para completar a engrenagem maquiavélica, a mídia hegemônica, grande porta-voz e propagandista do capital, convence a população, seja por meio de programas policialescos de baixo nível, seja de maneiras mais sutis, de que o inimigo é este jovem negro que nunca teve qualquer chance na vida.

A população compra o discurso histérico e, assustada com a violência, acredita piamente que a solução é prender mais gente ainda. O Estado prende, então, mais jovens negros e pobres e assim este insano ciclo do horror perpetua-se.

É de evidência solar que mais prisão e violência policial contra a população excluída da sociedade só faz agravar o problema. A solução de Bolsonaro e afins para a grave questão da segurança não é solução nenhuma. Significa, isso sim, a continuidade do caos.

Os dados não mentem. Só uma educação pública de qualidade pode garantir uma possibilidade de vida digna fora do crime para a população marginalizada e, consequentemente, diminuir a violência urbana que atinge a classe média e alta.

É como disse o profético Darcy Ribeiro: “Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”.

 

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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36 comentários

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JOÃO AFONSO PETENATTI

10 de janeiro de 2018 às 09h03

Muito bom mesmo, meu amigo, precisamos ter mais informações da realidade da política de segurança pública de nossos estados.
Como exemplo o Estado de São Paulo, parou de construir escolas e hospitais, mas multiplicou a construção de presídios, quem ganha com isso?
Quem são os políticos que se mantém no poder com o dinheiro do trafico de drogas, com o dinheiro advindo das empresas que trabalham no sistema penitenciário?
Devemos sim lutar por uma sociedade com mais escolas e de qualidade, por uma política de segurança publica que vise a legalização do uso de drogas com maior conscientização sobre os malefícios das drogas. Com um sistema prisional que recupere os detentos pela via do trabalho e da educação, com uma fiscalização maior dos agentes de segurança, através de conselhos de segurança representados pela população e não por representantes do sistema.

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Alvaro Dias

10 de dezembro de 2017 às 13h55

Concordo em grande parte com o discurso do articulista. Mas vitimizar bandidos e acusar vítimas, dá no que dá. Cidadãos procurando refugio, com muros e outros. Estão com todo direito.
É claro, uma política de esquerda resolve.
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/26/internacional/1453845839_418574.html. Caracas a cidade mais violenta do mundo.

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Miguel Candia

09 de dezembro de 2017 às 16h33

A matéria está apenas dizendo que o Brasil já é o terceiro neste quesito. E com o déficit de presídios seria o primeiro facilmente. Quanto mais presídios. …menos marginais nas ruas…? a lógica é essa mesmo? ….tenho minhas dúvidas

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Vagner Antunes Henriques

09 de dezembro de 2017 às 15h39

O papinho continua né?! Acho que melhor seria: dar um prêmio para quem comete o crime e toda atenção do mundo. De quebra, o Estado poderia dar uma bolsa de estudos em Cambridge ou Harvard. Mas SÓ pra quem já cometeu o crime. Afinal, o crime é tratado como um impulso. Agiu involuntariamente.
Aí, pra equalizarmos essa barbárie, vamos prender os policiais, que ganham bem pra caramba, tem poderio de fogo muuuuuuito superior ao dos criminosos e são truculentos.

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Ederson Luciano Maia Vieira

09 de dezembro de 2017 às 13h22

Eduardo Cunha, Cabral, Odebrecht, Garotinho…dentre outros, elevam esses números. Autores de crimes graves devem estar presos, sejam brancos, pretos, ricos ou pobres

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Leandro Corrêa

09 de dezembro de 2017 às 12h15

Essa charge é pra dar risada né!!!! O governo do estado criou: Etec, Fatec e Univesp. Todas gratuitas e acessíveis a todas as pessoas.

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Carlos Maia

09 de dezembro de 2017 às 11h37

Depois de 13 anos dos comunistas miseráveis que roubaram o país, mais uma herança maldita por falta de políticas públicas.
No desgoverno dos comunistas malditos, assassinos eram tratados como vítimas da sociedade, e eles botavam pra arrombar em cima das pessoas.
Essa mídia podre serviçal a organização criminosa, não tem moral pra publicar esse tipo de matéria, porque os marginais covardes, ladrões gravatudos, aqui são tratados como vítimas da sociedade e da justiça!
Malditos traidores do Brasil

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Ana Paula

09 de dezembro de 2017 às 10h34

#PSDBLIXO FDP

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Eder Ribeiro Queiroz

09 de dezembro de 2017 às 10h11

A PRISÃO É UMA TORTURA.A PENA DE MORTE UM ALIVIO-

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Marilene Flores

09 de dezembro de 2017 às 08h53

Responder

Matheus Severo

09 de dezembro de 2017 às 03h31

Está com peninha de marginais – leve para a casa dos donos do site O Cafezinho.
Por quê Lula não hospeda alguns desses colegas dele, em sua casa?

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Assissinho Souza

09 de dezembro de 2017 às 00h11

Leva pra tua casa e esvazia um pouco a cadeia pow, tá com pena

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    Rodrigo Dos S. Rodrigues

    09 de dezembro de 2017 às 03h01

    Discurso raso. Produza algo mais intelectual, fala aí por que devemos prender se, quanto mais prendemos, mais aumenta a violência? EXPLIQUE-ME A FUNÇÃO DO CÁRCERE!

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    Matheus Severo

    09 de dezembro de 2017 às 03h33

    Não basta só prender, tinha que torturar três vezes por dia. Arrancar as unhas com alicate…

    Responder

    Douglas Fernandes Kitagawa

    09 de dezembro de 2017 às 05h11

    Matheus Severo Mas só p/ pobre e preto? Rico branquinho ñ pode?

    Responder

Ezequias Paz de Almeida

08 de dezembro de 2017 às 18h53

Pena de morte já, resolveria!

Responder

    Rodrigo Dos S. Rodrigues

    09 de dezembro de 2017 às 03h02

    Com base em que estudo você fala isso, por gentileza?

    Responder

    Matheus Severo

    09 de dezembro de 2017 às 03h36

    A pena de morte além de resolver a super lotação, diminuiria a violência. Porque nunca vi bandido morto assaltando.

    Responder

    Ana Paula

    09 de dezembro de 2017 às 10h36

    Ainda posta foto com uma criança. Cuidado viu. O mundo da voltas. Olha a lei do retorno.

    Responder

    Ezequias Paz de Almeida

    09 de dezembro de 2017 às 16h16

    Pena de morte serviria pra todos que cometessem crimes hediondos., sem exceção.

    Responder

    Ezequias Paz de Almeida

    09 de dezembro de 2017 às 16h17

    Desculpe ana paula, eu não sabia que você tem parente estuprador.

    Responder

Emerson Mattos

08 de dezembro de 2017 às 18h13

Solta todo mundo então. Passa a mão na cabeça e leva pra casa

Responder

    Anna Maria

    08 de dezembro de 2017 às 18h26

    Não lhe ocorreu dizer: Vamos fazer mais escola então? Por acaso já viu engenheiros, médicos, professores, violinistas assaltando por aí?

    Responder

    Anna Maria

    08 de dezembro de 2017 às 18h27

    Um homem só tem o direito de olhar o outro de cima, se for para ajudá-lo a levantar-se (Gabriel Garcia Marquez).

    Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia. (José Saramago)

    Responder

    Anna Maria

    08 de dezembro de 2017 às 18h27

    O Judge Murrow tem um salário que engorda com os penduricalhos.
    Como diz a professora Virgínia Fontes, Lava Jato, como diz o próprio nome, só lava por fora: deixa o salário do Moro sequinho lá dentro.
    Quá, quá, quá!
    Ah, esses moralistas sem moral! (PHA)
    Foi o Ministro Luis Fux quem legalizou um dos melhores penduricalhos: a moradia!·

    Responder

    Ricardo Tagá

    08 de dezembro de 2017 às 18h30

    Ou…pena de morte já diminuiria bastante….

    Responder

    Emerson Mattos

    08 de dezembro de 2017 às 18h50

    O q mais temos sao médicos, engenheiros, professores e etc ladrões por aí, ou vc acha q os nossos políticos não têm profissão? Ter profissão não lapida caráter de ninguém. Vejo andarilhos tão honestos pelas ruas. Não podemos confundir formação com educação, são coisas distintas. Não adianta mais escolas se as pessoas não querem ganhar o seu dinheiro honestamente.

    Responder

    Luciano Duque

    08 de dezembro de 2017 às 19h47

    Falou tudo Emerson Mattos. Falta de caráter não se justifica pela pobreza. Até entendo sujeito traficar, pela falta de saúde, educação, lazer , mas daí , esse mesmo sujeito matar inocentes num assalto, isso nntem situação que justifique. Muitos ” estudados” são marginais. Policiais corruptos, empresários corruptores, políticos,. O problema do nosso país é a cultura da malandragem, do querer levar vantagem sempre, a maldita ” lei de Gerson”. Mas os piores marginais são os políticos. Veja o Perrela e Aécio, envolvidos com as drogas.

    Responder

    Valmir Zambone Pinto

    08 de dezembro de 2017 às 23h47

    E depois reza para dormir né

    Responder

    Rodrigo Dos S. Rodrigues

    09 de dezembro de 2017 às 03h00

    Falou tudo nada, não é porque há mau caratismo que se deve prender. Desde quando é necessário prender alguém que pode ser punido pelo viés financeiro? Com base no quê vocês afirmam que a prisão faria algum bem? Vocês são iludidos e pulam a pergunta “por que prender?”. Qual é a finalidade da prisão? Me apresente uma! Sou capaz de rebater qualquer argumento que você apresentar aqui em favor da prisão.

    Responder

    Emerson Mattos

    09 de dezembro de 2017 às 09h57

    A prisao serve para retirar os indivíduos que nao sabem ou nao querem viver em sociedade. Agora, se a cadeia ressocializa ou nao, é outros quinhentos. Quem pratica o mal deve ser preso ja que nao existe pena de morte.

    Responder

Mar

08 de dezembro de 2017 às 15h55

Não resolve. Temos que encontrar alternativas mais eficazes.

Responder

Sergio Andrade

08 de dezembro de 2017 às 17h30

Brasil sil sil sil! Grande país!

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