Entrevista de Haddad ao SBT

Seguindo as pistas da “prisão” de Eduardo Cunha – o caminho da verdade

Por Romulus Maya

21 de dezembro de 2017 : 06h37

Por Rubens Rodrigues Francisco

– Separando “fake” de “real news”: a temida influência de Eduardo Cunha na política nacional, para além de “relatos de terceiros”, em “on” ou em “off”, é hoje fato jurídico julgado em decisão colegiada da Suprema Corte Brasileira.

Prezados Wellington Calasans e Romulus Maya,

Este relatório, reiterando conversas anteriores que mantivemos, tem por finalidade tranquiliza-los quanto ao embasamento jurídico-fático da tese de influência de Eduardo Cunha sobre a Câmara Federal.

(i) “Com Supremo, com tudo”: colegiado do STF decide que, sim, Eduardo Cunha preserva sua influência e que, portanto, deve ser mantido preso

Nos autos do HC 144.295, em julho deste ano o então Procurador-Geral-da-República, Rodrigo Janot, protocolou parecer dirigido ao Exmo. Ministro Luiz Edson Fachin onde AFIRMA, E TRAZ PROVAS, de que o Sr. Eduardo Cunha, mesmo preso, influenciava os bastidores da Câmara Federal por intermédio de terceiros.

Não só o Ministro Fachin acolheu a tese trazida por Janot – e não por vocês ou terceiros – de que Cunha, mesmo preso, tinha Poder sobre a Câmara, como também a maioria da colenda 2ª Turma do STF, conforme ata de sessão de julgamento de 28/11/2017 último. Isso mesmo: o STF, a Suprema Corte Brasileira, entende que, sim, o Sr. Eduardo Cunha mantém sua influência sobre a política nacional.

Logo, diverso de se tratar de “teorias de conspiração” ou “Fake News”, a temida influência de Cunha é fato jurídico julgado em decisão colegiada da Suprema Corte Brasileira. Tanto que foi o argumento para a recusa do HC 144.259, permanecendo Cunha em cumprimento “preventivo” de eventual condenação em última instancia, em conformidade com o atual estado de exceção constitucional vivido no Brasil.

Esta condição de “condenação preventiva” leva Cunha a outras situações de exceção, como sua “incógnita” estadia em Brasília – DF, em razão de transferência pedida pela defesa do peemedebista. A autorização para tanto goza do assentimento de vários magistrados e procuradores habitués do noticiário lavajatesco: o próprio juiz Sergio Moro, o juiz Vallisney de Souza Oliveira (da 10ª Vara Federal do DF), o Ministério Público Federal (MPF) e o desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Sim, esse último, o mesmo que pretende julgar Lula em 24/1/2018.

 

(ii) Situação “prisional” de Eduardo Cunha: onde está Wally?

Cunha só esta cadastrado no sistema Penitenciário brasileiro no complexo médico penal de Pinhais, na grande Curitiba, sob registro na ala 6, cela 607. Estava “sozinho” nesta cela – ao que consta, caso único na Lava Jato.

Em setembro deste ano foi para Brasília. Como exposto acima, a transferência, pedida por sua defesa, passou pela chancela de Moro, Vallisney e Gebran – todos eles membros da Justiça Federal. No entanto, não esteve nem na Papuda – onde fica a Penitenciária Federal – nem na Carceragem da Policia Federal. “Teria ficado”, na “realidade”, na DCCP da Polícia Civil do DF, a pretexto de mantê-lo isolado de certos presos – notadamente Lúcio Funaro.

O “curioso” é que as instalações do DCCP são extremamente precárias, incompatíveis com uma possibilidade de longa estadia por parte de Eduardo Cunha, sempre limpo, barbeado, cabelos com corte elegante e terno impecável.

“Convicção + provas”: eis fotos da carceragem da DCCP:

Não se tem notícia de autorização de juiz da VEP para tanto, uma vez que, formalmente, ele não está em “execução de pena”, pois não é condenado em sentença irrecorrível transitada em julgado, muito menos é preso “em flagrante”: Cunha é, na realidade, mais um dentre milhares de brasileiros “presos preventivamente” por “decreto”.

Foto da agencia Brasil Agência Brasil – 19.10.2016

Paletó, cabelo do mesmo jeito, sem corte de maquina zero, sendo que é proibido tesouras nos presídios. Só é permito corte de cabelo com máquinas, aquelas que quase raspam estilo exército. Coisa rara na Lava Jato, Cunha nunca foi visto com uniforme de presidiário ou algemado, escoltado por agentes fortemente armados.

A precariedade da DCCP é tanta que ensejou diversos ofícios do Sindicato da Polícia do Distrito Federal (SINPOL –DF), reclamando das péssimas condições de trabalho e de manutenção dos presos.

Com relação à “prisão” de Eduardo Cunha há, apenas, uma certeza: a incerteza sobre seu paradeiro em Brasília – capital da República, vale lembrar. Tampouco se sabe por que foi para lá, em vez de ser ouvido por meio de carta precatória ou vídeo conferência. Ou ainda, em Brasília já estando, por que não seguiu para a Papuda, como determina a LEP.

Já sobre as alegações veiculadas no Cafezinho de que Cunha é, sim, capaz de influenciar criminosamente o Congresso, quem o disse, entre outros, foi Rodrigo Janot, dirigindo-se ao STF, conforme peças do HC 144. Como disse, tais alegações foram acatadas pelo Min. Fachin e referendadas pela Segunda Turma do STF. Disponho de cópias tanto da manifestação da PGR quanto das referidas decisões. Como o processo tramita em segredo de Justiça, no momento, mostro os respectivos documentos ainda em sigilo tão somente ao colega advogado Romulus Maya.

Na manifestação da PGR, documento de 62 páginas, o chefe do Ministério Público alega que a manutenção da prisão de Eduardo Cunha no Complexo Médico Penal em Pinhais é necessária, pois o peemedebista ainda seria “capaz de influenciar, criminosamente, a esfera da política institucional”. (Fls 02 item 5)

 

(iii) O timing da transferência: a delação de Lucio Funaro

O pedido de transferência foi feito no dia 22 de agosto de 2017, em paralelo ao que aparenta ser a reta final da tramitação do acordo de delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro, que deve citar Cunha e outros pesos-pesados do PMDB –inclusive o presidente Michel Temer.

 

(iv) Conclusão

Ante o exposto, o presente relatório confirma, em linhas gerais, o que ambos, Wellington e Romulus, tem afirmado no programa Expresso de Manhã com relação à situação “prisional” de Eduardo Cunha. Faz prova, irrefutável, aludindo aos documentos que dormitam no HC 144.295, oriundo do próprio Ministério Publico, que conta com ratificação e chancela da colenda Segunda Turma do STF.

Em síntese: não há que se falar em qualquer “fake news” no que concerne questionamentos sobre o paradeiro real de Eduardo Cunha, bem como a afirmação de que, sim, esse mantém sua influência sobre a política nacional.

Coloco-me a disposição para colacionar quaisquer provas documentais de tudo que foi veiculado, a esse respeito, no Expresso da Manhã”, na busca da verdade real e do resgate da democracia brasileira.

Para concluir, a dúvida, que segue subsistindo, é:

– Onde está Eduardo Cunha?

 

Atenciosamente,
Seu amigo,

Rubens Rodrigues Francisco
OABRJ 189859

 

 

 

Romulus Maya

Advogado internacionalista. 9 anos exilado do Brasil... conta na Suíça, sim, mas não numerada e (mais importante) sem numerário! Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como "uma esquerdista que sabe fazer conta". Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

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21 comentários

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Ina Melo

05 de janeiro de 2018 às 17h05

Nao acredito que Eduardo Cunha esteja preso.

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Regina Maria de Souza

02 de janeiro de 2018 às 23h55

Já sabemos que Eduardo Cunha não está preso – é um alibi para deixá-lo circular pelos locais do poder. Mas uma curiosidade me faz perguntar se esse tempo de não-prisão vai contar para diminuir sua pena por corrupção em relação a poços de petróleo no Benin. Bem… acho que sei a resposta.

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hilario muylaert

21 de dezembro de 2017 às 20h26

Romulus Maya, e Rubens Francisco: a propósito do destino de Cunha, poderia, se possível, tentar esclarecer: oficialmente, onde está preso Eduardo Cunha ?? Em São José dos Pinhais ( PR); ou estaria “em trânsito”, no caso em Brasília,para prestar algum esclarecimento à “justiça” ?? E, quem teria autorizado a ida de Cunha ao DF, dado que Janot, Fachin, e a 2ª turma do STF haviam negado a transferência de Cunha para a Papuda ?? Houve quebra de hierarquia ??
Enfim, no sistema prisional brasileiro e da farsa-jato, onde está “preso” Eduardo Cunha ??

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regis

21 de dezembro de 2017 às 20h16

o corte do jose dirceu não mudou tambem .
obs ; apoio o pt e cunha no xilindro de verdade

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Valdson Silva Cleto

21 de dezembro de 2017 às 16h39

O Cunha está preso, ou foi incluído no Programa de Proteção a Testemunhas?

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Amauri Alves Filho

21 de dezembro de 2017 às 15h18

Valeu!

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alessandro lopes

21 de dezembro de 2017 às 14h34

QUEM TEM CRSO SUPERIOR NAO FICA NESSAS CONDIÇOES.
SEUS ASNOS..
CURSO SUPERIOR TEM CELA ESPECIAL E TRATAMENTO IDEM.

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Sebastião Guimarães de Carvalho Filho

21 de dezembro de 2017 às 12h43

Quanto ao incógnito paradeiro de Eduardo Cunha e a convicção insofismável de sua atuação efetiva nas tramas dessa politicagem imunda e até seu provável poder sobre o judiciário, corroboro por mera lucidez própria e até aplaudo o trabalho da dupla de blogueiros Wellington e Romulus, no “Expresso da Manhã”, contando com o fecho desse artigo/depoimento de Rubens Rodrigues Francisco.
Ainda sobre este assunto, declaro-me adepto aos que consideram incompreensível, ou no mínimo injustificável, o artigo de Luís Nassif em que afirmações duvidosas sobre Eduardo Cunha.
Mas aqui, o que pretendo deixar registrado aos blogueiros do Expresso da Manhã é sobre o inaceitável silêncio no programa de hoje no que diz respeito ao principal assunto trazido durante dias, como uma “Bomba Atômica” que abalaria o país inteiro e prometendo, inclusive, grande repercussão internacional, a respeito de denúncias graves de falsidade nas DELAÇÕES DA ODEBRECHT junto a justiça. Haviam se comprometido ontem que hoje revelariam vídeos e gravações da fonte que os alimentavam das ditas informações “gravíssimas”, embora estivesse lhes faltando o recebimento dos documentos comprobatórios, que segundo eles a fonte estava recuando do compromisso de repassar-lhes. É, este assunto não pode morrer, sob pena de morrer junto a credibilidade do referido Blog e todos os outros que participaram em conjunto deste bombástico noticiamento. Acredito que a minha expectativa é a do Brasil inteiro e eles, principalmente, o Romulus, devem esclarecimentos.

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Viviane

21 de dezembro de 2017 às 09h57

Percebam que o ilustre jornalista não entendeu o que Romulus e Calasans tentaram fazer ontem: dar-lhe o benefício da dúvida, ao afirmar que um artigo tão esdrúxulo, causador de espanto (para dizer o mínimo) em todo o campo da esquerda brasileira só poderia ter sido produzido “sob pressão” (obviamente, foi apenas uma hipótese).

Hoje, respondendo ao dr. Rubens no GGN, Nassif confirma o que tanto o incomodou: Dizerem que ele foi “ameaçado”. Ou seja, em vez de aproveitar a “colher de chá” que deram, na tentativa de acalmar o público, e ficar quieto; resolve “cantar de galo” e dizer que não foi ameaçado. Pior, de forma covarde, jogando “indiretinhas”, tal qual adolescente comentando no Facebook. Ora, a outra possibilidade é clara: intere$$e$.

Portanto, sou muito grata ao Nassif. Por tirar a máscara e mostrar quem realmente é, até para quem queria “tapar o sol com a peneira”.

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Jorge Lucio Spinola

21 de dezembro de 2017 às 09h37

Nassif, jornalista de caráter irretocável, e toda verdade deverá ser revelada, ainda que pela história.

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Viviane

21 de dezembro de 2017 às 09h20

Chupa, Nassif!!!

Aos fãs do referido jornalista: aceitem que dói menos. Não critico, de forma alguma, quem teve boa-fé, pois sei como é doloroso ser [email protected] Eu também fui, por algum tempo…

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Fernando Figueira Borgomoni

21 de dezembro de 2017 às 08h44

Onde está Eduardo Cunha? O STF decidiu que ele deve ficar preso preventivamente porque continua chefiando sua quadrilha? E desde quando, no Brasil, chefe de quadrilha preso tem algum problema para continuar chefiando sua quadrilha? Vide Marcolas e Cia. Lida. Acho que o efeito é justamente o contrário. Mantendo essa gente presa eles conseguem proteger-se atrás das “supostas” grades e continuar comandando sob proteção do Estado. O STF decidiu mante-lo na cadeia porque lá ele exerce sua nefasta liderança, tão crucial para manter acesa a chama dessa bandalheira, atuando longe das vistas da sociedade.

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Paulo Lima

21 de dezembro de 2017 às 08h22

Lembro que a deputada Kokay, PT/DF já tinha indagado oficialmente o motivo da permanência da Cunha nas dependências da PF em Brasília, já em fins de outubro ou início de novembro, não lembro. Ela deve saber.

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Marilourdes Trindade

21 de dezembro de 2017 às 08h21

O que espanta não é a capacidade psicopatalógica do agir de Eduardo Cunha. É possível, que ele se mantenha cínicamente, aonde sempre esteve: no comando. Já li e reli várias vezes as duas postagens do valente e analítico NASSIF. É muito difícil aceitar, que ele queira se colocar jornalísticamente aonde está agora: desacreditado. Citar Dirceu, valorizar conduta resignada de Cunha e o caráter digno de Palocci. Custa a nós, crermos que ele redigiu as duas postagens.

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Caíque Pereira

21 de dezembro de 2017 às 07h52

Miguel, Wellington e Romulus, por que vcs não agregam ao CAFEZINHO o jornalista / Escritor Osvaldo Bertolino. É direto e não se dobra à mídia a direita torta que temos. Fica a sugestão!

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Drausio F H Faria

21 de dezembro de 2017 às 07h30

O Programa com Welington Calazans e Romulus Maya de hoje dia 21/12/2017? Não houve?

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    Caíque Pereira

    21 de dezembro de 2017 às 07h50

    Também acordei cedo e estou aguardando!

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    Rita Candeu

    21 de dezembro de 2017 às 08h07

    teve sim! está na página do Cafezinho

    Responder

Yorkshire Tea

21 de dezembro de 2017 às 06h55

Barba, cabelo e bigode! Game, set, match!

Responder

    Jorge Lucio Spinola

    21 de dezembro de 2017 às 09h32

    Cunha, o “hat trick” do sistema penal lavajatense. Barba, cabelo, bigode e terno, bem cortados.

    Responder

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