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Ex-ministro da Defesa, Celso Amorim, vê remédio amargo demais em intervenção militar

Por Denise Assis

16 de fevereiro de 2018 : 23h06

 

Denise Assis*

 

O ex-ministro da Defesa, Celso Amorim, é embaixador de carreira. Sendo assim, por profissão, um homem do diálogo e avesso a medidas radicais. Toda esta sua trajetória e experiência o fez ver com preocupação o decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro, que classificou de “medida extrema”.

Embora destaque que o impacto das cenas de arrastões exibidas pela TV, durante o carnaval, sempre provoque na população a sensação de insegurança, ele considerou a medida “perigosa, num ano eleitoral e com o país em crise, não só do ponto de vista político, como econômico”.

Amorim entende que no início a medida será aplaudida e talvez traga certo alívio para uma parcela da opinião pública, sobressaltada com a violência, mas daqui a pouco, o resultado pode não ser o esperado, e aí já se lançou mão do último recurso. “É muito perigoso”, reforçou.

Em sua opinião, “há vários riscos numa ação militar”. E apontou razões. “Uma delas é que os militares não são treinados para isto. Há declarações, inclusive do próprio comandante do Exército, já fornecidas à imprensa, colocando em dúvida este tipo de ação. Segundo, nós já estamos vivendo um período especial, de crise política no país, de todas essas questões em torno do ex-presidente Lula. A presença ostensiva das Forças Armadas pode gerar outras preocupações. Não estou nem querendo julgar as intenções. Pode ser que existam, mas isto gera inquietação em um ano eleitoral”, repisa.

O ex-ministro lembrou a questão de Roraima, (com a chegada dos refugiados da Venezuela) bastante delicada, além da situação do Rio. E destacou a ideia da criação do Ministério da Segurança Pública, como uma ênfase na problemática da segurança. “Não é que ela não exista. Ela é real, mas esse instrumento da intervenção é muito forte e nunca foi usado sob a Constituição atual. Considero um instrumento realmente preocupante, e que envolve muitas questões”.

Dentre esses pontos, Amorim destacou as despesas acarretadas pela manutenção das tropas na cidade, tais como os deslocamentos. “Tem o dinheiro para o combustível, por exemplo? Não estava faltando? Então você fica sem entender. O que houve? Deu-se um salto de uma situação para outra? O que se sabia era que estavam faltando recursos, até por causa dessas PECs todas, e ainda a negociação da dívida do Rio”.

O ex-ministro disse não entender “como se salta, de repente, de uma situação em que faltavam alguns elementos, para uma de presença militar dominante”. Presença, esta, sobre a qual declara ter “fundadas dúvidas. Algumas dessas dúvidas, são semelhantes às já emitidas pelo próprio Comandante do Exército. Outras ligadas também à militarização da questão da segurança eleitoral. Em um país que já sofreu o que já sofremos, isto causa sobressaltos”, alerta.

Outro aspecto que lhe causou perplexidade foi a característica de “vai e vém” da intervenção, para ele “especialmente escandaloso”. E esclarece: “o fato de os próprios ministros terem dito, sem disfarce, que se vão proceder da maneira apontada no artigo do tijolaço, durante a coletiva de imprensa,demonstra o total oportunismo do governo. Para, “desintervir” antes do prazo será preciso justificar com a cessação das razões que motivaram a medida extrema. E para voltar a intervir, será necessário afirmar que tais motivos voltaram. É uma desfaçatez absoluta estabelecer desde já que essas duas condições vão existir na época da votação da emenda da previdência: uma logo antes, outra logo depois”, espanta-se, para logo em seguida recuar do seu estado de perplexidade, talvez por se lembrar de que no Brasil de Michel, nada é previsível.

“Em um país em que as leis podem ser flexibilizadas para condenar um ex-presidente, tudo é possível. Mas brincar com a Constituição dessa forma é, na expressa de um tango argentino muito apropriado para os dias que correm (cambalacho) um “atropelo à razão”

Por sua reconhecida exelência no cargo de chanceler Amorim fala, ainda, sobre a sua preocupação com a imagem do país, levada ao exterior. “Não podia ser pior”, avalia. “Você está passando para o mundo uma confissão de perda de controle. Fica aquela sensação de falta de comando, de não termos tomado as medidas no tempo certo. Isto aliada à que já temos, que é a repercussão da falta de dinheiro e do desemprego. Cria-se oportunidade para uma ampliação da imagem de crise”, analisa.

Voltando à questão da segurança da cidade, ele considera que “não houve um fato novo determinante para isto. Os episódios na Zona Sul do Rio de Janeiro não foram excepcionalmente novos. Já estavam acontecendo. Fica-se sem saber se a intervenção era algo que já estava planejado pelo governo federal, com o objetivo de dar mais ênfase à pauta da segurança pública, num ano eleitoral, para causar maior impacto”, conclui, repisando a sua dúvida sobre a eficácia de remédio tão amargo.

 

Intervém-‘desintervém’-intervém. A vergonha que vai parar no Supremo

 

Denise Assis

Denise Assis é autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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12 comentários

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JULIO CEZAR DE OLIVEIRA

18 de fevereiro de 2018 às 16h39

Quer ficar para história general,comece a limpeza pelo palacio da alvorada

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Reginaldo Gomes

17 de fevereiro de 2018 às 16h43

Ato falho.
Escorregou no quiabo; Entregou todo o planejamento em duas palavras: “muita mídia”;
Qual a mídia que incomoda o exército golpista?
A intervenção é nos blogsuju.
Por isso que ninguém mais deixa esse general falar.
(isso é uma hipótese!)

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Messias Franca de Macedo

17 de fevereiro de 2018 às 16h22

Professora desmonta discurso da segurança. A intervenção é política
POR FERNANDO BRITO · 17/02/2018
(…)
Assista, é um destes momentos imperdíveis, que está em primeiro plano até que a Passarela, hoje à noite, mostra que os “bobinhos” não têm mais como mostrar a cara.
FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.tijolaco.com.br/blog/professora-desmonta-discurso-da-seguranca-intervencao-e-politica/#comment-466298
https://www.youtube.com/watch?v=kYOlF18MoKY

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Alvaro Dias

17 de fevereiro de 2018 às 12h18

Chegada dos refugiados da Venezuela em Roraima????? O blogueiro vivia falando da situação de “céu de brigadeiro” na Venezezuela, tanto que viajou para lá, e fez vários relatos. Mas e agora a palavra refugiados?????? Acho que Amorim está gagá ou está se baseando na mídia pig.

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    Miguel do Rosário

    17 de fevereiro de 2018 às 13h26

    Alvaro, tem alguns milhões de refugiados colombianos na… Venezuela… Nunca falei em céu de brigadeiro na Venezuela. O Brasil tem que ajudar os refugiados e ajudar a Venezuela. E não ajudar os EUA a prejudicarem mais ainda o país.

    Responder

      Igor

      17 de fevereiro de 2018 às 21h02

      milhões de colombianos refugiados na Venezuela ?!?! É depois dessa Miguel apesar de não concordar com a maioria das suas opiniões (ideológicas), mas respeitando, agora depois dessa tive a certeza que o DESESPERO só aumenta e só os miquinhos amestrados da sua ESQUERDA CAVIAR irão acreditar. E é isso que me fará rir. LULADRÃO NA CADEIA E LEVEM O FRANKSTEMER JUNTO.

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      Alvaro Dias

      17 de fevereiro de 2018 às 21h26

      Miguel. Concordo com o Brasil ajudar os venezuelanos . É nossa obrigação. Mas ajudar Maduro e quem o apóia a se perpetuar no poder e sacrificar metade da população. A continuar assim, a Venezuela vai levar 50 anos para se recuperar deste governo suicida. Enquanto não enchergarem, preparem as redes e copos de água na fronteira.
      abraço

      Responder

    Maicon

    17 de fevereiro de 2018 às 13h55

    O que é isso “companheiro” a vida na Venezuela está uma maravilha
    Depois de Lula, Maduro é o melhor presidente do mundo.

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    ari

    17 de fevereiro de 2018 às 15h26

    Cara, não me lembro de ter lido em nenhum blog que a Venezuela viva em céu de brigadeiro. O problema são as causas da crise e aí sim foi muito importante a atuação dos aécios de lá, que, como os de cá, ajudaram a jogar os dois países na tragédia que se vive atualmente. Quanto ao Amorim, discorde dele mas não vomite seu preconceito

    Responder

Antonio

17 de fevereiro de 2018 às 08h18

PEZÃO CONFESSA: crime de 2018 foi menor que 2017

Por que Golpe não interveio antes?

No Conversa Afiada:
https://www.conversaafiada.com.br/brasil/pezao-confessa-crime-de-2018-foi-menor-que-2017

Da entrevista do Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, do MDB, à Globo News, na tarde desta sexta 16/II:

“Sempre soube da violência, e sempre pedi ajuda desde abril de 2014. É a primeira vez que o presidente aceita esse desafio de assumir o comando de estado. Isso foi muito discutido durante muito tempo. Quando falei que houve falha, é porque o que vocês mostraram é verdade. Os números do nosso carnaval foram menores que os do ano passado. A gente não se preparou ali, eu não sei se foi na organização de blocos. A gente tem que conversar com a prefeitura, mais de 200 blocos sem autorização. A gente tem que controlar essa festa”

Em tempo: não deixe de assistir à TV Afiada “Intervenção é o AI-5 dos desesperados”

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Jose carlos lima

17 de fevereiro de 2018 às 06h56

MUDANÇA DE PAUTA

A Lava Jato comeu o PIB do RJ e instalou o caos, de forma que essa demonstraçao de força do conluio.midiatico penal eh uma tatica de mudancacde pauta: sai o tema corrupcao e entra o item seguranca.

A mudanca de pauta faz parte da amnesia dos meios de comunicacao introjetada no povo. Tāo logo Lula seja retirado do cenario politico com base em acusacoes fajutas, nāo se fala mais nisso. Fizeram isso com JK.

O problema do Brasil agora ė a segurança e não o desemprego…e nao o caos social instalado pelo golpe.

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Cláudio

17 de fevereiro de 2018 às 04h13

:
: * * * * 04:13 * * * * .:. Ouvindo As Vozes do Bra♥♥S♥♥il e postando:

Poesia contra a distopia (Distopia = Ideia ou descrição de um país ou de uma sociedade imaginários em que tudo está organizado de uma forma opressiva, assustadora ou totalitária, por oposição à utopia. “Distopia”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/distopia [consultado em 13-10-2016].)

Poema acróstico para o maior e melhor brasileiro de todos os tempos :

L ouvemos quem bem merece o mais pleno louvor
U m homem simples como as coisas boas da vida
Í ntimo camarada, nosso irmão e amigo de valor
Z elando sempre pelo bem da humanidade querida

I nimigo dos maus, amigo dos bons, trabalhador
N ascido do povo que muito o ama e admira
Á rvore de bons frutos, os de melhor sabor
C onsciência plena de tudo que no mundo gira
I magem perfeita do homem de si senhor
O humano defensor de humana lira

L uz de nossa gente, lutador incansável
U m verdadeiro herói do povo brasileiro
L úcido e consciente do mais admirável
A mor pelo ser humano e verdadeiro

D igno e sincero, fraterno e muito humano
A migo do povo, honesto e sempre lhano

S eja o meu/nosso canto para te louvar
I sso que a voz do povo já disse várias vezes
L ula, o BraSil vive mais feliz só por te amar
V itória da melhor sorte no número treze
A fazer do brasileiro a humanidade a se ampliar.

Autor: Cláudio Carvalho Fernandes ( poeta anarcoexistencialista )

.:.

L uz do povo brasileiro
U m digno e fiel lutador
L astreando com real valor
A honra do BraSil inteiro.

.:.

L ula livrou 36 milhões da pobreza
U m feito memorável sem precedentes
L utando contra a mídia venal, teve a certeza
A bsoluta de estar ao lado dos brasileiros conscientes

.:.

L ivrando da miséria extrema 36 milhões de brasileiros
U m feito sem igual que por si só já bastaria
L ula segue sendo no mundo um dos primeiros
A fazer de seu povo a eterna rima rica de sua poesia

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Por uma verdadeira e justa Ley de Medios Já pra antonti (anteontem. Eu muito avisei…) ! ! ! ! Lul(inh)a Paz e Amor (mas sem contemporizações indevidas) 2018 neles/as (que já PERDERAM, tomaram DE QUATRO nas 4 mais recentes eleições presidenciais no BraSil) ! ! ! ! !
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