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Boulos e Guajajara: um arco-íris no meio do cinza

Por Pedro Breier

06 de março de 2018 : 11h43

(Foto: Pedro Breier)

Por Pedro Breier

Caminhando entre o mar de prédios de São Paulo, ontem, deparei-me com o lindo arco-íris que ilustra este post.

O inusitado arco colorido no céu da cidade mais cinza do Brasil remeteu-me ao pré-lançamento de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara à presidência, ocorrido no último sábado. O PSOL deverá confirmar a candidatura nos próximos dias.

A representação política no nosso país é absolutamente distorcida.

O congresso está longe de representar a população. Empresários, ruralistas, pastores, advogados, médicos e outras ocupações que são minoria no país acabam sendo maioria no parlamento.

Lula foi o primeiro representante da classe trabalhadora a ser eleito presidente da República, em 2002.

Os governos do PT proporcionaram avanços sociais inéditos. Milhões de pessoas saíram da linha da pobreza. A política externa, a política para a Petrobras e para os bancos públicos, por exemplo, foram grandes acertos da era petista.

Entretanto, a política continuou cinza.

A vocação golpista da direita brasileira e a moderação exacerbada do PT em temas fulcrais como as reformas de base levaram-nos ao cenário desastroso no qual estamos hoje.

É claro que não é uma tarefa nada simples implementar um programa radical de esquerda.

A direita tem o capital, a mídia hegemônica e o judiciário ao seu lado. A esquerda jamais teve sequer maioria no parlamento.

Mas isso não vai perdurar para sempre.

Noam Chomsky afirma, com propriedade, que a direita não gosta da democracia. Por isso mesmo os espaços de poder aos quais a esquerda tem acesso – legislativo e executivo – são extremamente valiosos.

Saudemos, portanto, a chapa Guilherme Boulos/Sonia Guajajara.

Boulos é líder do MTST, movimento que protagonizou intensas – e exitosas – lutas por direitos nos últimos anos. Guajajara é líder indígena, coordenadora da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

Dois lutadores que concorrerão pelo PSOL, partido que vem crescendo e amadurecendo a compreensão de que não basta pregar a revolução; há que incidir na política pelos meios disponíveis.

O povo oprimido tem pressa. Tem sede de dignidade.

Boulos e Guajajara são duas jovens lideranças populares que podem estar dando o pontapé inicial na construção de um novo polo aglutinador da esquerda brasileira.

O fato de Boulos (líder de um movimento por moradia que faz o enfrentamento com o capital na prática) e Guajajara (líder das lutas dos povos originários tão massacrados pela ganância estúpida inerente ao capitalismo) lançarem-se à disputa política institucional é um recado para a classe dominante: os 99% não aceitarão de bom grado os ataques brutais que vem sofrendo do 1%.

A união da jovem militância do PSOL com a militância aguerrida de movimentos sociais é uma lufada de ar fresco no meio da fumaça tóxica e mau cheirosa exalada todo dia pelos tubarões da política.

Um arco-íris no meio do cinza que renova o sonho de um futuro muito mais colorido.

 

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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4 comentários

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fernando

06 de março de 2018 às 19h28

Psol é puxadinho da globo!!!

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Johne Wayne

06 de março de 2018 às 19h17

A erva tava “estragada”!

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vera vassouras

06 de março de 2018 às 13h32

Errado. A energia deveria ser conduzida à formação de parlamentos. Concorrer para perder é abrir mão da possibilidade de duas lideranças fazerem a diferença nos parlamentos. Todavia, cegos ou incapazes de ver a realidade, ninguém se preocupa em ENSINAR ao populacho sobre a importância dos parlamentos. Assim, o jogo demo-crático continua sob a égide da hereditariedade da escória que a exploração produziu. É a chamada esquerda cumprindo a estratégia neandertal.

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Antonio Carlos

06 de março de 2018 às 11h52

O Psol prega revolução???

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