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(Foto: Mídia Ninja)

Marielle, a Intervenção Militar e a União das Esquerdas               

Por Denise Assis

19 de março de 2018 : 14h57

Protesto organizado por mulheres, exigindo justiça pela morte da vereadora Marielle Franco do PSOL, em frente a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no Rio de Janeiro (RJ), nesta quinta-feira (15). (Foto: JULIA GABRIELA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

 

 

                (Carta Aberta às Forças Progressistas do Estado do Rio de Janeiro)

                          Texto de:  ex-embaixador e ex-ministro da Defesa, Celso Amorim

 

A execução da vereadora Marielle Franco está diretamente ligada à intervenção militar na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.  Pouco importa se os mandantes e os executores do bárbaro crime são membros da polícia militar ou das milícias ou uma combinação de ambas. As denúncias recentes da vereadora apontam, sem sombra de dúvida, para os integrantes do 41 batalhão da PM, que podem ter agido por conta própria ou em combinação com outras facções.

Em qualquer dos casos, a filosofia que inspirou a intervenção foi o que induziu ao assassinato de Marielle, seja por priorizar a repressão violenta nas comunidades pobres, seja por levar setores policiais ou das milícias ou do tráfico a colocar a autoridade interventora frente a um desafio aberto. Como no episódio do Riocentro, já lembrado por Tereza Cruvinel, entre outros comentaristas, a responsabilidade pelo crime recai sobre aqueles que escolheram a via da violência como meio de, supostamente, garantir a segurança da população.

A leviandade de uns, aliada à truculência e estreiteza de visão de outros, foi o que levou à escolha da intervenção militar federal no Rio para fazer face aos complexos problemas do Estado, deixando em segundo plano as ações econômicas, sociais e culturais, que poderiam contribuir para extirpar as raízes da criminalidade. Não por acaso, o alvo do crime foi uma mulher negra, oriunda das favelas cariocas, além de ser uma socióloga e uma lutadora pelos Direitos Humanos, principalmente os das camadas mais pobres e vulneráveis. A apuração do crime e a responsabilização dos culpados ficarão incompletas se não alcançarem também os autores do golpe de Estado, que roubou a legitimidade do processo político brasileiro e que agora ameaça conspurcar as eleições de 2018.

Mas há um desafio colocado também às forças progressistas, que não podem, sob o risco de perda absoluta de credibilidade, se deixar dominar por interesses eleitorais sectários. Este é um momento de união. União contra o golpe, união pela democracia, união por tudo que a Marielle representou. E essa união só será possível se os vários setores da esquerda fluminense, sob a inspiração das lideranças nacionais, souberem colocar os valores democráticos e de justiça acima de visões e interesses particularistas. Não é esta a hora de procurar ganhos eleitorais ou partidários.

Nesse contexto, mais importante que o lançamento de candidaturas é a abertura de um amplo debate entre as forças verdadeiramente democráticas e progressistas; um debate que permita definir um programa comum e a formação de uma frente única em defesa da democracia e da justiça social em nosso Estado e no País como um todo. A questão da figura que encarnará essa luta é secundária diante da tarefa principal da busca de unidade das forças progressistas do Rio de Janeiro.

 

Denise Assis

Denise Assis é jornalista e autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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6 comentários

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Antonio

20 de março de 2018 às 17h18

Não é esta a hora de buscar ganhos eleitorais, mas exatamente isso que você está fazendo, Sr pré-candidato ao governo do RJ!

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Silvan Batista Teixeira

19 de março de 2018 às 20h06

Fico sem entender, a Desembargadora diz que é um cadáver comum e o blog enaltece.

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Jorge geovane f da silva

19 de março de 2018 às 15h34

Eles nao morreram em vao porque a canoa contra os. Traidores do pais vai virar e vao pagar. Pelo que fizeram.

Responder

MIGUEL FERNANDO DE GOUVEIA

19 de março de 2018 às 15h01

MISSA DE 7o DIA DE MARIELLE E ANDERSON PODE SER UM ATO DE UNIÃO, FORÇA, MATURIDADE E DETERMINAÇÃO

Para que a mídia (leia-se Globo) não continue impondo sua versão canalha dos fatos para justificar intervenções marqueteiras do governo federal, proponho que Marcelo Freixo, liderança maior do PSOL, partido onde militava Marielle, convoque Boulos, Lula, Ciro, Manoela, Requião, Luciana, Jean, Dilma, Pimentel, Flavio Dino, Stédile, Boff, líderes comunitários e todos os que se colocam abertamente contra esse desastre chamado governo Temer, para comparecer a missa de 7o dia de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes, executados sumariamente no dia 14 de março, no Rio, cidade esta sob intervenção militar.

Deveria também convidar, protocolarmente, o Presidente Michel Temer, o secretário de segurança federal Raul Jungmann, o comando da intervenção general Braga Neto, como atuais responsáveis pela seguranca na cidade. Poderia incluir também, da mesma forma protocolar, o prefeito Marcelo Crivella e o governador Pezão. O compartimento é opcional.

Um ato bem estruturado, comandado pelo PSOL, em respeito a memória de Marielle e Anderson, com presença da imprensa local e internacional, cuja tônica deve ser a unidade das forças populares, progressistas e nacionalistas, e a defesa dos temas pelos quais Marielle e Anderson foram ceifados de seus objetivos em lutar pelos desassistidos.

Um ato desse porte fortificará a importância do real significado da tragédia ocorrida, assim como dificultar sobremaneira para a Globo, e demais algozes da democracia e da imprensa vendida, mentir descaradamente como hoje faz.

Assim, haveria uma coordenação, capitaneada pelo PSOL, entre as lideranças e um comando capaz de orientar o ato de forma unitária e construtiva, mostrando união, força, maturidade e determinação. Isto pode ser imperativo para orientar, conscientizar e manter a mobilização do país nas lutas que devem ser realmente travadas: a redução da desigualdade social e a atenção aos desassistidos históricos do BRASIL. Façam ecoar esse ato nos quatro cantos do Universo.

Não deixem Marielle e Anderson morrerem em vão. A memória deles tem de ser eternizada na memória da história do país, independente de questões e diferenças partidárias.

É hora de mostrar união, força, maturidade e determinação.

Carlos Fayal
Miguel F Gouveia

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    Eloiza Augusta

    19 de março de 2018 às 23h07

    Excelente explanação!

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    KATIA

    20 de março de 2018 às 00h00

    Excelente! Louvável…

    Responder

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