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O custo inútil. Por Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel em seu Facebook Preso há dois meses em Curitiba, o ex-presidente Lula terá sua candidatura a presidente lançada hoje pelo PT em Contagem (MG), numa estratégia criticada à esquerda e à direita como de alto risco, por conta da provável impugnação. Tanto interesse, ironizam os petistas, “é comovente, mas iremos em frente”. […]

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Por Tereza Cruvinel em seu Facebook

Preso há dois meses em Curitiba, o ex-presidente Lula terá sua candidatura a presidente lançada hoje pelo PT em Contagem (MG), numa estratégia criticada à esquerda e à direita como de alto risco, por conta da provável impugnação. Tanto interesse, ironizam os petistas, “é comovente, mas iremos em frente”. Seja como for, não funcionou o plano dos que achavam que removendo Lula da disputa – com a providencial celeridade do TRF-4 na condenação em segunda instância – colocariam a sucessão no rumo desejado, com um candidato da centro-direita em posição competitiva.
Ontem tivemos nova estridência de origem eleitoral no mercado, por conta da solidez de Bolsonaro e do avanço de Ciro para o segundo lugar, em cenários sem o nome de Lula na cartela, como na pesquisa Poder360. O dólar aproxima-se dos R$ 4, a bolsa cai, o governo garante que não haverá crise cambial, mas a onça rosna para o Brasil. E não apenas por razões eleitorais, mas, também, por conta da deterioração das contas públicas e da explosão da dívida.

E para completar, a situação judicial de Temer se agrava a olhos vistos, com o avanço das investigações sobre suas relações com o suspeito de ser seu testa-de-ferro, o coronel Lima. O ministro Luiz Fachin, do STF, negou autorização para a quebra de seu sigilo telefônico mas autorizou a dos ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Ruim para os três, que são investigados no inquérito sobre o recebimento de R$ 10 milhões da Odebrecht, que teriam sido acertados num jantar no Jaburu com o então vice-presidente da República.
Se vier a terceira denúncia, dificilmente será votada, faltando tão pouco tempo para o pleito. Mas, depois do precedente aberto com a prisão de Lula, Temer corre o sério risco de ser preso logo após deixar o Planalto.

Fernando Henrique entrou na pauta político-judicial com a revelação dos e-mails em que pede à Odebrecht ajuda de campanha para candidatos do PSDB. Ele já era ex-presidente na época, tanto quanto Lula quando visitou o apartamento que lhe foi atribuído por Sérgio Moro, e pelo qual está preso. Mas nada deve lhe acontecer, e não pela blindagem que tem sido garantida ao PDB. Se houve doação via caixa 2 (como tudo indica, pois, seus protegidos não declararam doações da empreiteira), o crime foi de quem recebeu. Mas saiu chamuscado.

Assim, a prisão de Lula, além de não ter resolvido o problema eleitoral da centro-direita, criou na sociedade a exigência de uma isonomia no tratamento de ex-presidentes. A situação de Temer tornou-se tão periclitante que gerou boatos sobre a improvável aprovação de um indulto a ex-presidentes acusados. Isso lá adiante, quando a eleição tiver passado e Lula não for mais perigo.
De todo modo a prisão de Lula, com tudo o que representa de casuísmo político, pela inconsistência das provas, por todo o desgaste que impõe ao sistema de Justiça e à imagem do país, revela-se de uma atroz inutilidade para a centro-direita que nela apostou. O mercado está nervoso porque deduziu que uma vaga do segundo turno será de Bolsonaro. E que a outra será da centro-esquerda, seja com Ciro, seja com o substituto de Lula, ou com ele mesmo, se o PT tiver êxito na batalha judicial que está disposto a travar.

No radar
A brigalhada no PSDB faz de Alckmin um sério candidato a ser cristianizado, aquela situação em que os correligionários abandonam o candidato, como fez o PSD com Cristiano Machado em 1950. São fortes as suspeitas de que o primeiro a fazer isso pode ser o candidato tucano a governador João Dória, que tem grande afinidade ideológica com Bolsonaro. Uma aliança branca entre os dois poderia garantir ao tucano a vitória em primeiro turno.
Ontem Alckmin resolveu provocar Bolsonaro com um convite para debater segurança pública e levou uma canelada: “quando tiver dois dígitos, ele me telefona” . O presidenciável de extrema-direita vem comendo os votos do tucano em São Paulo.

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Comentários

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Marcos Pinto Basto

10/06/2018 - 04h58

O PT tem seu candidato: Lula! O comando do golpe vai impedir sua candidatura! E os partidos de esquerda deverão unir-se para promover candidato com competência para exercer o cargo de Presidente da República com competência necessária para desmontar a série de barbaridades administrativas que a Quadrilha do Golpe implementou.Um Presidente com capacidade para enfrentar os golpistas ainda aboletados no governo. Ciro Gomes é competente e honesto.O Povo brasileiro deve apoiar este cidadão sem esquecer que a prisão de Lula tem que ser investigada e solucionada no próximo governo.

Fabiana

08/06/2018 - 23h29

E aí ? o superjenio vai conduzir todo mundo coercitivamente para votar no partido dele.
Agora é tarde demais para chamar para dançar os nomes do psdb, agora o estrago está feito, ate muita gente da direita ja percebeu que a lava jato nao esta atras de corruptos, mas só atras do poder para o psdb por mais que certos analistas politicos disfarcem.
Por que nao prendem o Aécio ? Porque ele é do psdb. O que só a esquerda via e falava, agora ate a direita enxerga – o partidarismo da lava jato. Estao encilhados.
A lava jato perseguirá todo e qualquer candidato que nao for do psdb. É fato.

Getulio Evangelista Neto

08/06/2018 - 19h17

Lula impedido, põe seu indicado no segundo turno, e se conseguir se manter candidato, ganha no primeiro turno….Precisa manter sua candidatura até quando der pois vai puxar votos para Câmara e Senado.

Fabio

08/06/2018 - 15h52

Voto Lula ou quem Lula indicar.

eduardo apolinario gomes

08/06/2018 - 13h34

Está desatualizada. Haddad, apoiado por LULA, está na frente de Ciro. É só uma questão de tempo e Ciro descobre que é inviável politicamente.

    André Romero

    08/06/2018 - 14h45

    Inviável é essa fantasia de que Lula transferirá todo seu potencial de votos para o Haddad ou para qualquer outro, ainda que fosse o Ciro. Não conseguiu isso com a Dilma, quando o país ainda não estava tão polarizado e o PT ainda não gozava dessa enorme rejeição de hoje, vai conseguir agora?
    E mais fantasia ainda é confiar nessa pesquisa que dá ao Haddad (nota: o acho um ótimo sujeito) um percentual nacional que ele nem tem em seu próprio reduto, São Paulo. Por essa pesquisa fajuta, o cara totalmente sem projeção nacional sai de menos de 1% e mesmo sem nenhum movimento político ou exposição “salta” para 11%?
    Estou falando há muito tempo isso e quero ser lembrado disso após outubro: os extremos não ganharão essas eleições, nem os de esquerda nem os de direita. Bolsonaro não deverá ir ao segundo turno, que é fascista já definiu há muito sua preferência por ele, e daí não passa. Ganhará quem conseguir se vender melhor como alternativa de centro (não o falso “centro” da mídia). Só existem dois com esse perfil: Marina (essa sim uma empulhação, o Plano B do Mercado) e Ciro.
    Aguarde as outras pesquisas para constatar, abraço.

      Luiz Felipe

      08/06/2018 - 19h13

      Respondo por mim. Para presidente será 13, pouco importando quem seja o candidato.

      Dio

      08/06/2018 - 22h12

      E quem é o candidato de extrema esquerda competitivo?
      Vc tá falando de lula?
      Bem, pelo menos sabe q o centro mediático não é centro…

    Fehnelon

    08/06/2018 - 18h03

    Leitura, a meu ver, precisa da situação Eduardo.

    Lula Livre!

Curió

08/06/2018 - 12h38

* Alguém do governo, presidente do BC, já falou ontem em usar as reservas! Eles vão comer tudo que o Brasil conquistou a décadas!


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