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Cafezinho na Copa – Adeus, ferrolho

Por Pedro Breier

17 de junho de 2018 : 18h14

Ferrolho suíço (em francês “Verrou suisse”[1] e em alemão “Schweizer Riegel”[1]) é uma terminologia do futebol utilizada para se referir a esquemas táticos ultra-defensivos, que se utilizam da retranca e da correria.

O “Ferrolho suíço” de 1938 foi a primeira grande retranca do futebol, e o primeiro sistema a utilizar-se do líbero, que na época só tinha funções defensivas.”

O verbete da Wikipédia reproduzido acima precisa ser atualizado após esse Brasil x Suíça.

A turma do chocolate abandonou de vez a estratégia de retrancar-se e torcer para achar um gol, adotada de 1938 até as Copas mais recentes. Nesta estreia contra o poderoso Brasil, a Suíça, confiante, colocou a bola no chão e trocou passes desde o início da partida. A posse de bola equilibrada (55% para o Brasil, 45% para a Suíça) reflete essa mudança de estratégia.

O time brasileiro, muito mais qualificado tecnicamente, abriu o placar aos 19 minutos. Após jogada individual de Neymar, Marcelo cruzou, a zaga afastou e Coutinho dominou, ajeitou e mandou, com a parte interna do pé, seu característico chute extremamente preciso, no canto esquerdo do goleiro suíço. A bola, indefensável, beijou a trave antes de entrar.

Após o gol, o jogo ficou morno e o Brasil não conseguiu controlar a bola e a partida. Não houve, até o intervalo, chance de gol para nenhum dos times, a não ser certo perigo em dois escanteios favoráveis ao Brasil.

Aos 5 minutos do segundo tempo a Suíça empatou o jogo com Zuber, de cabeça, após cobrança de escanteio do habilidoso Shaquiri.

O jogo seguiu travado, com trocas de passes inócuas de lado a lado. Nos últimos 15 minutos da partida o Brasil conseguiu exercer alguma pressão, levantando a bola na área e perdendo chances com Neymar, Fernandinho, Miranda e Renato Augusto.

A lição do empate é que não basta ter um quarteto ofensivo de extrema técnica e criatividade, como tem a seleção verde e amarelo. Falta aquele volante que chama o jogo para si e cadencia a partida, jogando também horizontalmente, até achar o momento certo de aprofundar a jogada de ataque.

Paulinho, que tem o mérito de, recorrentemente, aparecer na área para concluir, não tem o perfil, a técnica e a visão de jogo necessárias para cumprir esse papel essencial de um meio-campista. Renato Augusto, que está voltando de lesão, deve melhorar a capacidade de trabalhar a bola do time brasileiro.

O volante Arthur, do Grêmio – juro que não estou sendo parcial ao falar de um jogador do tri-campeão da América -, tem todos os atributos para exercer a função de maestro do meio campo mas, inexplicavelmente, não foi sequer convocado por Tite.

De qualquer forma e apesar do tropeço, o Brasil é um dos favoritos para o título, especialmente pela qualidade e letalidade de Neymar, Coutinho, William e Jesus.

Para exercer, na prática, a supremacia que há no papel é necessário, contudo, ter mais gosto pelo controle da pelota.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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