Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

Meganhas de Temer matam criança de 14 anos na Maré

Por Miguel do Rosário

21 de junho de 2018 : 10h17

Sempre é bom lembrar que o Rio de Janeiro está sob intervenção federal na segurança pública. O general nomeado por Michel Temer para chefiar a intervenção, Braga Netto, é o responsável direto pelas mortes de civis decorrentes de operações policiais mal planejadas.

A escassez absoluta de planejamento e inteligência na intervenção federal em curso no Rio é um fato estarrecedor.

A quantidade de tiroteios no Rio só faz aumentar. Ao invés de projetos econômicos e sociais, que recuperem o mercado de trabalho no estado, destruído pela Lava Jato, o governo apela à barbárie do confronto militar travado em regiões densamente povoadas.

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No Extra

Morre adolescente de 14 anos baleado durante operação no Complexo da Maré

Por Ana Carolina Torres, Antonio Werneck, Célia Costa e Marcos Nunes

O adolescente de 14 anos, baleado na barriga no Complexo da Maré, na Zona Norte, durante uma operação da Polícia Civil e do Exército, não resistiu aos ferimentos e morreu na noite desta quarta-feira, segundo a secretaria estadual de Saúde. Após ser baleado, o rapaz foi levado para uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e transferido depois para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha. O jovem chegou a ser operado durante a tarde e teve que retirar o baço.

Inicialmente, havia a informação de que o menor havia sido baleado dentro do Ciep Operário Vicente Mariano. À tarde, a Secretaria municipal de Educação informou que o adolescente faltou à aula. Portanto, ele não estaria na escola no momento que foi ferido.

Durante a ação da polícia, seis suspeitos ainda sem identificação foram baleados. Cinco deles foram levados para o Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), mas já chegaram mortos. Um deles estava usando uma tornozeleira eletrônica. Segundo o hospital, eles tinham entre 20 e 30 anos. O sexto suspeito era um adolescente, também sem identificação, que foi levado ao Hospital estadual Getúlio Vargas, mas já chegou sem vida. Já na Zona Sul, uma operação da Polícia Militar deixou um morto e quatro feridos.

Durante a ação da polícia, seis homens ainda sem identificação, foram mortos.

Um tanque do Exército no Complexo da Maré. Foto: Realidade do RJ

Equipes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) fizeram uma ação na comunidade, com apoio de um veículo blindado e de um helicóptero. De acordo com a Polícia Civil, o objetivo da ação era cumprir 23 mandados de prisão e checar informações de inteligência na região. Ainda segundo a polícia, as equipes depararam-se com intensa resistência dos criminosos em dois imóveis onde estavam os seis homens mortos após serem atingidos por disparos.

Com os criminosos foi apreendido um farto material bélico, sendo quatro fuzis calibre 5.56mm, oito carregadores, garnde quantidade de munição de fuzil e pistola, duas pistolas, sendo uma calibre .40 e outra calibre 9mm, quatro granadas e uma farta quantidade de drogas, sendo 1.832 pinos de cocaína, 75 sacolés de maconha, cerca de dois quilos da mesma droga, além de ferramentas utilizadas para arrombamento de caixas eletrônicos.

Segundo o Comando Militar do Leste (CML), o Exército apoia logisticamente a ação, “com dois veículos blindados realizando o transporte em segurança dos agentes até os pontos assinalados por eles, como parte da operação”.

De acordo com postagens em redes sociais, há movimentação de agentes na Vila dos Pinheiros, na Vila do João e no Conjunto Esperança. “Cheguei no campus do Fundão em 2 minutos e meio, em média o percurso se estende por uns 10 minutos. Eu pedalo a bicicleta enquanto contemplo a paisagem e cumprimento as pessoas que estão na rua. Hoje a rua estava vazia, o chão cheio… De furos de tiros disparados pelo helicóptero. Eu realmente fugi de um tiroteio, 10h da manhã, e assim começou o dia de hoje. Nossa realidade é mais incrível que a ficção”, contou Davi Marcos, artista e morador da Maré.

Outros moradores também comentam o intenso tiroteio:”Nossa, o caveirão aéreo (está) dando muito tiro. Meu Deus, moro perto do colégio. As crianças bricavam na quadra e, quando ouviram, foi muita gritaria. Que Deus proteja elas”, “Estava na ciclovia com minha filha de 10 meses. Gente, que absurdo, saí correndo no desespero” e “E sempre na hora que nossas crianças estão na escola. Muito triste isso” foram algumas das mensagens deixadas nas redes durante o confronto.

Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Civil ainda não se pronunciou sobre o que acontece na Maré. O Centro de Operações Rio (COR), da prefeitura, informou que não houve bloqueios nas linhas Amarela e Vermelha.

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Comentário de Jandira Feghali, deputada federal pelo PCdoB (RJ):

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Cláudio

23 de junho de 2018 às 17h05

Quem lê o texo julga que noo Brasil, de 1° de janeiro de 2003 a 31 de agosto de 2016 , não morreu uma única criança baleada pela polícia . Haja hipocrisia !

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Renato

22 de junho de 2018 às 18h45

Engraçado, quando sob o governo de Sérgio Cabral ( parceirão de Lula ) morriam crianças aos montes, mas Miguel do Rosário e Jandira Feghali não davam um pío !

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Cícero Costa

21 de junho de 2018 às 14h21

Que mérito tem um exército que a pretexto de combater o crime organizado sai por aí matando adolescentes e crianças pobres, indefesas e famintas.

Que respeito se pode ter por um exército que, ao invés de defender a lei e a soberania nacional, impedindo a ingerência dos Estados Unidos na política e na economia do país, ao invés disso, repita-se, usa seu arsenal bélico para cercear a vida do povo honesto, digno e trabalhador que a duras penas luta para sobreviver em meio à deformação social de morros e favelas do Rio de janeiro ??!!

Por acaso, teria sido para intimidar esses homens, mulheres e crianças de bem que povoam as comunidades cariocas que o exército pediu ao golpista Temer UM BILHÃO DE REAIS ??

O que o general Braga está fazendo com o R$ 1,2 bilhão que foram destinados ao exército pelo governo para custear as despesas com essa inútil “intervenção federal” no Rio de Janeiro ??!!

O Exército, como qualquer outra instituição da República, tem de PRESTAR CONTAS à sociedade do que faz ou deixa de fazer com as verbas públicas que lhe são destinadas. Cadê a transparência, sr. general interventor??

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    Mordaz

    21 de junho de 2018 às 23h15

    O exército (com “e” minúsculo) só presta contas aos americanos. Cambada de traidores.

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