Fundador do Instituto Ideia vê chance de Lula vencer no 1° turno

Em carta ao JB, Lula denuncia entrega do pré-sal

Por Miguel do Rosário

29 de junho de 2018 : 06h33

No JB

Lula: ‘O Brasil voltará a ser dos brasileiros’

Em carta exclusiva ao JB, ex-presidente garante candidatura e critica governo Temer, Parente e PSDB

Jornal do Brasil
OCTÁVIO COSTA
octavio.costa@jb.com.br

Em carta exclusiva ao JORNAL DO BRASIL, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que é pré-candidato ao Palácio do Planalto e anunciou que, voltando ao governo, vai “reverter tudo que estão fazendo contra nossa gente, contra os trabalhadores e contra o país”. Segundo ele, o Brasil vai eleger um governo democrático, “com legitimidade para reverter a agenda do entreguismo, do ultraliberalismo, que só interessa ao mercado e não ao país”.

Com fortes críticas ao governo Michel Temer, que chama de golpista, e ao PSDB, Lula mostra preocupação com o projeto de cessão onerosa dos campos de pré-sal. Além de questionar o preço, ele diz que “as chances de achar petróleo nesse campos são praticamente totais, porque já mapeamos as áreas”. Conclui: “Para as petroleiras, é como comprar um bilhete premiado da loteria. Para o Brasil, é como vender a galinha da fábula, que botava ovos de ouro”.

O ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, como representante do PSDB, mereceu especial atenção. Parente, segundo ele, iniciou a privatização de atividades estratégicas. E mais grave ainda: “Em outra manobra criminosa, reduziu em até 30% a produção de combustíveis nas refinarias brasileiras. Deixamos de produzir aqui, em reais, para importar em dólares.

A carta ao JB também ataca a política externa do governo Temer, que hoje tem o PSDB à frente. “Ao longo de dois anos, os golpistas e os entreguistas do PSDB submeteram o Brasil aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e não apenas na Petrobras. “Mas o tempo deles acaba em outubro”, adverte Lula. O novo governo, prevê, vai acabar com “a farra das privatizações e da entrega do patrimônio nacional”.

Foto: Ricardo Stuckert
Em carta exclusiva ao JB, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que é pré-candidato ao Palácio do Planalto
‘O Brasil voltará a ser dos brasileiros’

Enquanto o país prestava atenção à Copa do Mundo, a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência, uma das leis mais vergonhosas de sua história. Por maioria simples de 217 votos, decidiram vender aos estrangeiros 70% dos imensos campos do pré-sal que a Petrobras recebeu diretamente do governo em 2010. Foi mais um passo do governo golpista e de seus aliados para entregar nossas riquezas e destruir a maior empresa do povo brasileiro.

O projeto de lei aprovado semana passada é um crime contra a pátria, que exige reação firme da sociedade para ser detido no Senado, antes que seja tarde demais. É uma decisão que entrega de mão beijada campos do pré-sal com potencial de conter cerca de 20 bilhões de barris de petróleo e gás, burlando a lei que garante o pré-sal para os brasileiros.

Para entender a gravidade desse crime, é preciso voltar ao ano de 2009, quando a Petrobras precisava investir para explorar o recém-descoberto pré-sal. Apresentamos então um projeto de lei em que a União (a quem pertencem as reservas de petróleo, não se esqueçam) vendeu à estatal, em troca de títulos, o direito de explorar até 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal. Foi a chamada Cessão Onerosa.

Assim, a empresa se valorizou, fez a maior operação de capitalização da história e tornou-se capaz de investir. O resultado é que, em tempo recorde, o pré-sal já produz 1,7 milhão de barris/dia, mais da metade da produção nacional. Como era uma operação especial, para defender interesses estratégicos do país, definimos na Lei 12.276/10, que a Cessão Onerosa “é intransferível”.

Fora dessa área, o pré-sal só pode ser explorado pelo regime de partilha, por meio de uma legislação que garante a soberania do país e direciona essa riqueza para investimentos em educação, saúde, ciência e tecnologia, o nosso passaporte para o futuro.

Já circulam estudos indicando que o petróleo dos campos de Cessão Onerosa será vendido a preços entre US$ 6 e US$ 8 o barril, que é o custo de exploração, quando o preço internacional do barril oscila entre U$ 70 e US$ 80. As chances de achar petróleo nesses campos são praticamente totais, porque nós, brasileiros, já mapeamos as áreas. Para as petroleiras, é como comprar um bilhete premiado da loteria. Para o Brasil, é como vender a galinha da fábula, que botava ovos de ouro.

De posse desses campos, os estrangeiros vão comprar sondas e plataformas lá fora, sem gerar um só emprego na indústria brasileira. Vão contratar engenheiros e técnicos lá fora; vão controlar diretamente toda a inteligência de pesquisa e exploração em nosso pré-sal, o que também é um ataque à nossa soberania.

Esse ataque vem acontecendo desde o início do governo golpista, quando aprovaram a chamada Lei Serra, que excluiu a participação obrigatória da Petrobras em todos os campos do pré-sal. Foi mais um golpe na indústria naval brasileira, que se somou à decisão de reduzir para 50% a obrigação de a Petrobras de comprar máquinas e equipamentos no Brasil, o chamado conteúdo local.

Na presidência da Petrobras, Pedro Parente, representante do PSDB, iniciou a privatização de atividades estratégicas, como a produção de biocombustíveis, distribuição de gás de cozinha, produção de fertilizantes e participações na petroquímica. Pôs à venda a Liquigás, a BR Distribuidora, a fábrica de nitrogenados de Três Lagoas e o gasoduto do Sudeste (NTS).

Em outra manobra criminosa, reduziu em até 30% a produção de combustíveis nas refinarias brasileiras. Deixamos de produzir aqui, em reais, para importar em dólares. Fez reajustes quase diários dos combustíveis, acima dos preços internacionais, o que aumentou os lucros dos estrangeiros. A importação de óleo diesel dos Estados Unidos mais que dobrou.

Não podemos esquecer que os primeiros a sofrer com a nova política de preços da Petrobras foram os mais pobres, que passaram a usar lenha e o perigosíssimo álcool para cozinhar, por causa do brutal aumento do botijão de gás.

Essa desastrosa política provocou, em maio, a paralisação dos transportes terrestres que tantos prejuízos provocou ao país. O Ipea acaba de informar que a produção industrial caiu 13,4% naquele mês. Não houve queda igual nem mesmo no primeiro mês da crise financeira global de 2008, quando o recuo foi de 11,2% (e cabe lembrar que superamos rapidamente aquela crise).

Em dois anos foram mais de 200 mil demissões de trabalhadores da Petrobras e de empresas contratadas por ela, além de mais de 60 mil demissões na indústria naval. A indústria de máquinas e equipamentos calcula uma perda de 1 milhão de empregos na cadeia de petróleo e gás, em decorrência dessa operação suicida.

A desvalorização do patrimônio da Petrobras, com a venda de empresas controladas, a perda de mercado no Brasil, a opção por se tornar mera exportadora de óleo cru, entre outras ações danosas de Parente, é dezenas de vezes maior que os alegados R$ 6 bilhões que teriam sido desviados nos casos investigados pela Lava Jato.

A votação da semana passada na Câmara, em regime de urgência, sem nenhum debate com a sociedade, mostrou que o governo golpista tem uma pressa desesperada para entregar o patrimônio nacional e destruir nossa maior empresa.

A verdade é que o tempo deles está acabando. Correm para entregar o que prometeram aos patrocinadores do golpe do impeachment em 2016: nosso petróleo, nossas riquezas, as empresas do povo, a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos. Foi para isso, e para revogar direitos dos trabalhadores, que eles derrubaram a honesta presidenta Dilma Rousseff.

Ao longo de dois anos, os golpistas e os entreguistas do PSDB submeteram o Brasil aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e não apenas na Petrobras. A política externa dos chanceleres tucanos voltou a ser ditada pelo Departamento de Estado dos EUA, num retorno vergonhoso ao complexo de vira-latas que tínhamos superado em nosso governo.

Mas o tempo deles acaba em outubro, quando o Brasil vai eleger um governo democrático, com legitimidade para reverter a agenda do entreguismo, do ultraliberalismo, que só interessa ao mercado e não ao país ou ao nosso povo. Quando o Brasil eleger um governo que vai acabar com a farra das privatizações e da entrega do patrimônio nacional.

Podem ter certeza: voltando ao governo com a força do povo e a legitimidade do voto democrático, vamos reverter tudo que estão fazendo contra nossa gente, contra os trabalhadores e contra o país. E o Brasil vai voltar a ser dos brasileiros.

Luiz Inácio Lula da Silva

Ex-presidente e pré-candidato do PT à Presidência da República

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Beto Castro

30 de junho de 2018 às 00h16

Além de um referendo revogatório para reverter a entrega de nossos ativos patrimoniais, todos os golpistas e proxenetas coloniais traidores da Pátria tem que ser submetidos a um julgamento coletivo em jaulas de execração pública por traição hedionda, sem exceção, inclusive os lavajateiros vendilhões da Nação e os manipuladores da justiça – com punições rigorosas.

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JESSE OLIVEIRA GUIMARAES

29 de junho de 2018 às 16h03

Lula era pequeno politicamente em 1989. Brizola era um GIGANTE. A ditadura não se importava com Lula, tanto que o PT foi criado sem maiores traumas. Já Brizola teve a “MARCA” PTB, retirada por Golbery. Ele sabia que com esta sigla Brizola era imbatível. Ao não ir para o segundo turno, este teve a grandeza de apoiar o “SAPO BARBUDO’. Se Deus tal não permita, Bolsonaro for eleito, deveremos isto ao Lula. Estou à vontade para dizer isto, pois quando o Brizola não estava em causa, eu sempre votei Lula, e Dilma. Eu nunca votei Ciro e pela minha idade não preciso votar, mas faço questão de fazê-lo. Como vejo o JB, como uma voz distoante dos demais, fiz questão de assiná-lo para tentar viabilizar um impresso. Assino também a Carta Capital.

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Gustavo Horta

29 de junho de 2018 às 10h47

Nós vamos pintar todas as urnas de vermelho.
Vai ser vermelho de cima em baixo

DE HOJE EM DIANTE VAI SER ASSIM, DE CIMA ATÉ EMBAIXO
> https://gustavohorta.wordpress.com/2018/06/29/de-hoje-em-diante-vai-ser-assim-de-cima-ate-embaixo/DE HOJE EM DIANTE VAI SER ASSIM, DE CIMA ATÉ EMBAIXO
> https://gustavohorta.wordpress.com/2018/06/29/de-hoje-em-diante-vai-ser-assim-de-cima-ate-embaixo/

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stalingrado Lula da Silva

29 de junho de 2018 às 06h42

#HaddadNoGovernoLulaNoPoder
É Lula Magno fazendo política preso. O rapaz criado por Jeirissati, embora livre, não tem a estatura política do líder preso.

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    Miguel do Rosário

    29 de junho de 2018 às 06h51

    Stalingrado, você não está pensando pequeno? O fato do Lula ser grande impede que existam outras lideranças? Outros partidos? Que sectarismo é esse?

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      Mordaz

      29 de junho de 2018 às 18h02

      Qualquer um que pretenda se beneficiar do Golpe ocupar a cadeira da presidência (que o povo já reservou ao Lula) é um usurpador.

      Responder

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